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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

UFC

Aldo reforça desejo de revanche com McGregor e vira a página: "Já passou"

Brasileiro promete voltar para a academia e treinar forte para recuperar o cinturão

Por Rio de Janeiro


Quando perdeu para Conor McGregor, no sábado, na luta principal do UFC 194, José Aldo - ainda que abalado pelo nocaute em 13 segundos - manifestou o desejo de uma revanche para tentar recuperar o cinturão do peso-pena. Neste domingo, na primeira aparição pública desde o revés, o manauara manteve o discurso e reforçou a vontade de reencontrar o irlandês no octógono.

- Ficamos tristes pelo que aconteceu, mas vamos dar a volta por cima, já passou, é um esporte. Vitória e derrota fazem parte. Quantas vezes saímos vitoriosos? Agora, perdemos. Estou tranquilo, aceitei. Voltarei para a academia para treinar mais forte e quero a revanche. Todo campeão que perdeu teve (uma revanche), principalmente pela maneira como perdi. Não dou desculpas. Ele conectou um bom golpe, foi feliz, mas lógico que quero a revanche. Voltaremos mais fortes e daremos a volta por cima - declarou o atleta da Nova União, em entrevista ao programa "Fantástico".
José Aldo (Foto: reprodução)José Aldo falou sobre o revés no último domingo (Foto: reprodução)
Invicto no Ultimate até o sábado, José Aldo, apesar do período de soberania na organização, não deverá receber a revanche imediatamente. O plano do UFC é colocar Conor McGregor contra Frankie Edgar, que vem embalado por cinco vitórias consecutivas. Entretanto, há uma segunda opção: o irlandês subir para a divisão dos leves e desafiar o vencedor de Rafael dos Anjos x Donald Cerrone, que medem forças no próximo sábado, na última edição do evento em 2015, marcada para Orlando, nos Estados Unidos.

UFC

McGregor obtém nocaute mais rápido em disputa de cinturão; confira a lista

Irlandês entrou para a história do UFC ao deixar para trás vitórias a jato de Ronda Rousey, Tito Ortiz e outros. Duelos menos expressivos também têm marcas incríveis

Por Las Vegas, EUA
Toda luta por cinturão pressupõe equilíbrio, afinal, é quando o campeão de determinada categoria enfrenta um desafiante que, ao estar ali, precisou enfileirar adversários para merecer a chance. Na prática, porém, os duelos nem sempre são parelhos como no papel. Não é comum, mas há casos em que a disputa de título termina sem que o confronto passe do minuto inicial.
José Aldo, Connor Mcgregor  UFC 194 (Foto: Getty Images)José Aldo é derrubado por Conor McGregor no UFC 194: irlandês acabou com reinado brasileiro (Foto: Getty Images)

Combate.com preparou uma lista, abaixo, que relembra alguns dos nocautes mais rápidos da história do UFC. Dentre as feras, estão nomes como o do veterano Tito Ortiz, que se aposentou após escrever seu nome nos meio-pesados, e Ronda Rousey, famosa por liquidar as adversárias sem passar do primeiro assalto.
Confira abaixo:

Aldo x McGregor - 13 segundos
No último sábado, a luta entre José Aldo e Conor McGregor, no UFC 194, entrou para a estatística. O irlandês, que detinha o cinturão interino, despachou o campeão linear em apenas 13 segundos, ao aplicar um cruzado de esquerda no queixo do oponente. McGregor assumiu o topo do peso-pena, desbancou o manauara - invicto há dez anos no MMA -, e anotou o nocaute mais rápido da história do UFC em combate válido por título.

Arlovski x Buentello - 15 segundos

Um dos chavões mais repetidos nas artes marciais mistas dá conta de que, em luta de peso-pesado, basta um golpe para o atleta acabar na lona. No UFC 55, dia 7 de outubro de 2005, Andrei Arlovski e Paul Buentello entraram em rota de colisão. O bielorusso conectou uma patada de direita no rival, aos 15 segundos, e deixou o octógono ostentando o cinturão.
Ronda Rousey x Alexis Davis - 16 segundos
Alexis Davis e Ronda Rousey UFC 175 (Foto: Getty Images)Alexis Davis ficou completamente impossibilitada de reagir ao ser dominada por Ronda Rousey (Foto: Getty Images)




Acostumada a detonar as desafiantes - até encontrar Holly Holm pelo caminho e perder por nocaute técnico, em novembro deste ano - Ronda Rousey tem na luta contra Alex Davis uma de suas performances mais impressionantes. "Rowdy" não tomou conhecimento de Alexis Daivs, faixa-preta de jiu-jítsu, e, no dia 5 de julho de 2014, bateu a canadense em 16 segundos. A então campeã peso-galo derrubou a oponente, que ficou desnorteada ao cair e completou o serviço castigando-a no solo, dominando a rival de um jeito que ela não conseguia se mexer.

Frank Shamrock x Igor Zinoviev - 22 segundos

No UFC 16, sediado em março de 1998, Frank Shamrock anotou um nocaute espetacular, aos 22 segundos. Sem perder tempo, "The Legend", abaixou ao quase ser atingido por um cruzado e mergulhou nas pernas de Igor Zinoviev. Ao erguê-lo, Shamrock o derrubou com pressão, o russo bateu a cabeça no chão e sofreu o nocaute. Shamrock defendia, com sucesso, pela primeira vez o cinturão peso-meio-pesado do Ultimate.
Tito Ortiz x Evan Tunner - 32 segundos
Tito Ortiz x Evan Tanner (Foto: Getty Images)Tito Ortiz cinturou Evan Tanner em momento decisivo para garantir a vitória contra o adversário (Foto: Getty Images)




Em lance semelhante ao de Shamrock, Tito Ortiz defendeu o cinturão dos meio-pesados contra Evan Tanner, no combate principal do UFC 30, em fevereiro de 2001. "The Huntington Beach Bad Boy" aplicou uma joelhada na linha de cintura do oponente, o pegou pela cintura e o quedou. Ao cair, Tanner bateu a cabeça no solo e "apagou", provocando a intervenção do árbitro, aos 32 segundos. Tito, então comemorou ao seu estilo, ao simular cavar uma cova no centro do cage para enterrar o adversário.
NOCAUTES MARCAM LUTAS SEM DISPUTA DE TÍTULO

Se nas lutas de cinturão, os nocautes relâmpagos acontecem, em duelos mais corriqueiros, eles também não poderiam faltar. O Combate.com elegeu alguns dos mais rápidos do Ultimate, que de tão breves, fizeram muitos torcedores simplesmente piscarem e perderem o lance capital.

Ludwig x Goulet - 6 segundos
Atualmente na função de treinador, Duane Ludwig deixou seu nome gravado na história da organização. Em apenas 6s06, ele derrotou Jonathan Goulet, no dia 16 de janeiro de 2006. O resultado positivo espantou a má fase de "Bang", que amargava dois reveses e estava reestreando pela companhia.

Duffee x Hague - 7 segundos
Durante muitos anos, o nocaute de Todd Duffee sobre Tim Hague, em 29 de agosto de 2009, foi apontado como o mais veloz do Ultimate. Entretanto, o confronto - arbitrado pelo brasileiro Mário Yamasaki - é interrompido aos 7s56, sendo desbancado pela rapidez de Ludwig. O fato, contudo, não apaga o brilho do americano, à época invicto.
Chan Sung Jung nocauteia Mark Hominick no UFC 140 (Foto: Getty Images)Chan Sung Jung nocauteia Mark Hominick, que não conseguiu suporta à pressão mesmo atuando em casa (Foto: Getty Images)
Jung x Hominick - 7 segundos

Outro nocaute que vale ser destacado foi imposto por Chan Sung Jung, conhecido pelo apelido de "Zumbi Coreano", e ex-desafiante ao cinturão do peso-pena da companhia. O sul-coreano gastou somente 7 segundos para despachar Mark Hominick, no duelo de abertura do card principal do UFC 140, realizado no Air Canada Center, em Toronto, em dezembro de 2011. O representante canadense solta um golpe no vazio e, no contra-ataque, leva um cruzado certeiro no queixo e sucumbe.
Penn x Uno - 11 segundos
Em sua terceira luta de MMA, BJ Penn - que viria a ser campeão em duas categorias distintas no Ultimate - deu pistas do quão longe iria chegar. Ele encarou Caol Uno, ex-campeão do Shooto, na edição 34 do UFC, em novembro de 2001. Assim que Big John McCarthy autoriza o início do duelo, o japonês arrisca uma voadora no vazio e mostra que não ficará na defensiva. Em seguida, o havaiano aplica ótima sequência de socos e enterra qualquer chance do rival, faturando a vitória aos 11 segundos.
Hendricks x Fitch - 12 segundos
O poder de nocaute de Johny Hendricks é temido por todos os adversário no peso-meio-médio. E um dos que provaram o dissabor de enfrentá-lo foi Jon Fitch, em dezembro de 2011, no UFC 141. Em sua primeira investida na peleja, ele solta uma bomba de esquerda - único golpe que desferiu - e apaga o compatriota, que cai nocauteado, aos 12 segundos. "Bigg Rigg" parece não acreditar na façanha e comemora o resultado de maneira efusiva.
Johny Hendricks x Jon Fitch (Foto: Getty Images)Johny Hendricks atropelou Jon Fitch na edição 141 do evento, quatro anos atrás (Foto: Getty Images)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

UFC

Com cara de mau, McGregor promete triunfo: "Tomar o posto de número 1"

Irlandês faz postagem nas redes sociais com expressão séria e destaca esforço para chegar ao cinturão: "Todo o trabalho da minha vida tem sido para este momento"

Por Las Vegas, EUA
Conor McGregor UFC (Foto: Reprodução/Instagram)Conor McGregor exibe corpo tatuado e faz cara de mau em postagem nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)
Conor McGregor não poupou palavras para conseguir chegar ao desafio pelo cinturão contra José Aldo. Contudo, o lutador também precisou de muito esforço nos treinamentos e performances convincentes para ganhar a chance de terminar o UFC 194, dia 12 de dezembro, em Las Vegas, como campeão dos penas do Ultimate. 
Na madrugada desta sexta-feira, o irlandês destacou justamente toda a dedicação durante a carreira. Em uma postagem nas redes sociais, McGregor afirmou que vai buscar o lugar mais alto da divisão na MGM Grand Arena.
- Todo o trabalho da minha vida tem sido para este momento. Eu dei tudo na minha preparação. Na noite de sábado vou levar todo meu jogo e tomar o posto de número 1. Colocando a mim e minha nação no topo do MMA. Onde nós merecemos. 
Combate transmite o UFC 194 ao vivo e com exclusividade neste sábado, a partir de 21h30m (horário de Brasília) e o Combate.com acompanha tudo em Tempo Real no mesmo horário, com vídeo ao vivo das duas primeiras lutas do card preliminar. Por motivos contratuais, a Rede Globotransmite a luta entre José Aldo e Conor McGregor com 30 minutos de atraso.

UFC 194
12 de dezembro, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL - a partir de 1h (horário de Brasília)
Peso-pena: José Aldo x Conor McGregor
Peso-médio: Chris Weidman x Luke Rockhold
Peso-médio: Ronaldo Jacaré x Yoel Romero
Peso-meio-médio: Demian Maia x Gunnar Nelson
Peso-pena: Max Holloway x Jeremy Stephens
CARD PRELIMINAR - a partir de 22h (horário de Brasília)
Peso-galo: Urijah Faber x Frankie Saenz
Peso-palha: Tecia Torres x Jocelyn Jones-Lybarger
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Colby Covington
Peso-leve: Léo Santos x Kevin Lee
Peso-leve: Joe Proctor x Magomed Mustafaev
Peso-leve: John Makdessi x Yancy Medeiros
Peso-meio-médio: Court McGee x Márcio Lyoto

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

UFC

O homem detrás dos óculos escuros: 
o que esconde Conor McGregor?

Um ensaio sobre a imagem construída pelo "Notório" campeão interino dos 
pesos-penas do UFC; o que é real, o que não é, e o que ele quer que seja

Por Rio de Janeiro
Conor McGregor (Foto: Reprodução/Instagram)Os óculos escuros e os ternos sob medida são marcas registradas de Conor McGregor no UFC (Foto: Reprodução/Instagram)
Entre março e abril, quando o UFC promoveu uma turnê mundial para promover seu confronto com José Aldo pelo cinturão dos pesos-penas, o homem conhecido como Conor McGregor, “Notório”, “Mystic Mac”, entre outros apelidos, entoou repetidas vezes um de seus mantras: “Os olhos nunca mentem.” “Quero olhá-lo nos olhos, pois os olhos nunca mentem. Eles nunca mentem!”, bradou o irlandês que curvou toda uma divisão dos homens mais perigosos do mundo na faixa de peso de 66kg somente com suas palavras, frente a uma multidão de milhares de brasileiros dispostos a cuspir no seu túmulo uma vez que seu herói manauara arrancasse seu couro.
Enquanto emitia seu desafio, sua confiança aparentemente inabalada e sua ousadia hipnotizante distraíam todo o público de uma contradição gritante: McGregor estava de óculos escuros. Num local fechado, o Maracanãzinho, sem um raio de sol na cara. Ele eventualmente tirou os óculos para encarar Aldo, mas, por toda a entrevista coletiva, manteve as verdades de seus olhos escondidas do mundo. Assim foi por boa parte da turnê mundial, e, mais tarde, na coletiva “Go Big”, em setembro, sua última oportunidade de encarar o rival brasileiro antes desta semana do UFC 194.
- Eu acho que essa frase é 100% verdadeira, então quando eu uso (óculos escuros) em ambientes fechados, talvez nessa hora eu não esteja querendo que você veja algo! Eu gosto de óculos escuros às vezes - disse McGregor, com os olhos desvendados, ao Combate.com, ao ser indagado sobre isso.
O que Conor McGregor não quer que vejamos em seus olhos?
***
Seria a pressão de carregar um país nas costas? McGregor não exagera quando diz que levou, sozinho, o UFC de volta para a Irlanda. Antes de o “Notório” explodir na companhia em 2013, o Ultimate só visitou o país em 2009, com um card puxado por astros de outras nacionalidades, como Dan Henderson, Rich Franklin e Maurício Shogun, e lutadores americanos de descendência irlandesa, como Marcus Davis. Tom Egan, atual treinador na Straight Blast Gym de McGregor, era o único irlandês de nascença no evento. A cena de MMA no país era mais voltada para eventos amadores, com algumas visitas ocasionais de torneios europeus e britânicos como o Cage Contender e o Cage Warriors.
Conor McGregor Chuck Liddell  (Foto: Reprodução/Twitter)Conor McGregor como simples fã ao lado de Chuck Liddell, na primeira visita do UFC à Irlanda, em 2009 (Foto: Reprodução/Twitter)
A carreira de lutador profissional de MMA na Irlanda era tão duvidosa que o pai de Conor, Tony McGregor, preferia que o filho trabalhasse como encanador em obras. O caçula da família de classe operária começou a praticar boxe e kickboxing na adolescência, e logo formulou sua visão de que poderia ganhar a vida daquela forma. Tony não estava convencido, e arrumou um emprego em canteiros de obra.
- Eu fui criado de forma rígida, e me ensinaram que tinha de trabalhar duro para ganhar a vida. Essa era minha única preocupação com ele, não queria que ele ficasse perambulando sem um emprego, sem uma carreira. Ele sabia o que queria fazer na sua cabeça, mas eu não concordava com isso. Ele queria sair da escola, e todos os pais querem ver seus filhos serem médicos ou advogados, mas nem todos vão fazer isso. Ele tinha a capacidade acadêmica para isso, mas não tinha o desejo - explica o pai.
Apesar da expansão do UFC pela Europa ter aberto mais oportunidades para lutadores irlandeses, a Irlanda em si estava fora do radar até Dana White, presidente da companhia, visitar o país para receber uma homenagem na universidade Trinity College, em fevereiro de 2013. Lá, ouviu muitos pedidos para que realizasse um evento no local, e que contratasse um tal de Conor McGregor, que havia conquistado cinturões em duas categorias distintas no Cage Warriors. White ouviu o clamor popular, e chamou o garoto para enfrentar Marcus Brimage no UFC Estocolmo 2, em abril daquele ano. McGregor nocauteou Brimage em pouco mais de um minuto, e o resto, como diz o ditado, é história.
Por pouco, não haveria história nenhuma. A ligação do UFC convocando-o veio numa das raras ocasiões em que McGregor duvidou de si mesmo. O irlandês estava frustrado com a demora do Ultimate para chamá-lo, especialmente após um impressionante nocaute sobre Ivan Buchinger. Ele chegou a abandonar o esporte e passou a viver dos cheques de “social welfare”, espécie de seguro-desemprego, pagos pelo governo irlandês.
- Conor ficou muito deprimido e deixou a academia por seis semanas. Ele não ia à aula de boxe e parou de responder às ligações do John Kavanagh (treinador principal da SBG). Até que um dia, sentado no seu carro, ele eventualmente atendeu o telefone, e era o Kavanagh, perguntando, “Quer fazer sua estreia no UFC na Suécia, contra o Marcus Brimage?” - conta Niall McGrath, jornalista do site especializado irlandês “Talking Brawls”.
***
Defender a bandeira irlandesa ainda não se provou um peso para McGregor. Ele não só abraça a responsabilidade, como a convida. Após sua primeira luta no UFC, ele já tinha uma equipe de documentaristas seguindo cada um de seus passos para uma série especial, intitulada “Notorious”, produzida por ele mesmo. Era sua aposta de que sua história daria um grande filme. A série só foi ao ar este ano, numa das principais emissoras da Irlanda, e a popularidade do lutador explodiu no país.
Conor McGregor Tony McGregor (Foto: Reprodução/Facebook)Conor McGregor com o pai, Tony McGregor, que não o apoiou de início, mas hoje é seu maior fã (Foto: Reprodução/Facebook)
Logo no primeiro volume da série, McGregor exibe seu amor por óculos escuros, e já os usa mesmo em ambientes fechados. O garoto já se vestia com ternos de grife e falava com extrema confiança, mas ainda morava no sótão dos pais, andava de carro velho e se mostrava deslumbrado em sua primeira viagem para Las Vegas - na qual gravou infame vídeo para as redes sociais de uma carona na Ferrari de Dana White. Apesar de ser o produtor executivo e supostamente ter controle sobre o que era exibido, eis um homem sem medo de mostrar sua realidade humilde e contrastante com a imagem que vendia. O que seus óculos possivelmente poderiam esconder?
- Conor é “descolado demais” para os outros. Só pessoas muito descoladas usam óculos escuros em locais fechados. Que nem o Bono Vox - diz Tony McGregor, citando outro irlandês famoso, o vocalista da banda U2 - que, neste ano, homenageou seu filho durante um show, na época de sua luta contra Chad Mendes.
Segundo Tony, não é de hoje que Conor tem essa capacidade de ser o centro das atenções e atrair olhares. Desde sua infância no bairro pobre de Crumlin, seu filho já era “Notório” entre os amigos.
- Ele sempre teve confiança, ele era o “líder da matilha” entre seus amigos. Eu não sabia o que acontecia com ele na rua, mas ele sempre foi o líder da sua galera. Numa amizade de cinco ou seis crianças, Conor era o garoto número 1. Por exemplo, se seus amigos estavam jogando, ou fazendo alguma coisa, eles queriam que Conor estivesse junto com eles.
***
Não é difícil especular que os óculos escuros são o disfarce necessário para que Conor McGregor solte sua “persona” provocadora. Quem o conhece desde cedo, porém, jura que ele sempre foi confiante e arrogante desta forma. O apelido “Notório” foi dado justamente porque o lutador tinha um “talento” para arrumar confusões fora da academia durante a adolescência através de sua grande boca.
- Ele era um pouco encrenqueiro quando era mais jovem, entrava em alguns apuros aos 16 e 17. O John Kavanagh (treinador principal de McGregor) mesmo diz que era mais difícil levá-lo para a academia de vez em quando, ele estava fazendo coisas erradas, mas isso mudou - diz McGrath.
Por toda sua carreira, seja de óculos ou de cara limpa, McGregor nunca teve medo de falar o que pensa. Foi isso que o fez se destacar no Cage Warriors: a capacidade de falar muito e cumprir suas promessas.
- Quando Conor fez sua quinta e sexta lutas, nós sabíamos que ele faria coisas grandes. Ele simplesmente agia diferente de todo mundo. Ele se destacava numa multidão de 30 e tantos lutadores, todo mundo estava olhando para ele. Pessoas importantes nos bastidores perceberam que, se ele pudesse cumprir as coisas que dizia, ele seria uma estrela - afirmou Graham Boylan, promotor do Cage Warriors, ao site “Sky Sports”. 
 Há dois lados do Conor. É estranho. Ele sempre foi assim, com essa arrogância, essa confiança. Acho que ele não mudou, ele adora os holofotes. Mas, quando ele está falando fora disso, é muito agradável. Quando é sobre a luta, ele liga o interruptor e ele é o cara. É quase um mecanismo de defesa
Niall McGrath, sobre McGregor
McGrath atribui as sacadas brilhantes do lutador ao humor irlandês, sempre rápido, certeiro e depreciativo. Tony McGregor assegura que é tudo natural de seu filho, tudo de improviso. Contudo, o documentário sobre Conor mostra ele treinando sua fonética, com uma caneta entre os dentes, a caminho de uma entrevista. Não chega a ser um discurso ensaiado, mas demonstra sua preocupação em ter seu discurso bem compreendido. E, se o lutador não chega a atuar quando fala, como era o caso com Chael Sonnen, é perceptível para qualquer um que já o entrevistou ou viu suas entrevistas que ele vira uma “chave” quando o assunto é luta.
- Há dois lados do Conor. É estranho. Quando ele não está sob os holofotes, lembro de ele vir na sala de imprensa, acho que foi no UFC Manchester, e ele veio muito educado falar conosco. Mas acho que ele tem um interruptor, (que liga) quando está em modo de luta, falando com um membro da mídia. Ele sempre foi assim, com essa arrogância, essa confiança. Acho que ele não mudou, ele adora os holofotes. Mas, quando ele está falando fora disso, é muito agradável. Quando é sobre a luta, ele liga o interruptor e ele é o cara. É quase um mecanismo de defesa - analisa McGrath.
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Conor McGregor, MMA, UFC (Foto: Adriano Albuquerque)A insanidade: Conor McGregor se transformou durante aparição num pub do Rio de Janeiro (Foto: Adriano Albuquerque)
Talvez McGregor queira esconder sua vida noturna. O irlandês tem uma reputação de ser um “rato de festas” e, numa época em que lutadores do UFC são flagrados cada vez mais frequentemente com drogas recreativas em seus organismos, os boatos começaram a circular sobre ele também. Em março, como parte da turnê mundial, Conor foi a um pub irlandês no Rio de Janeiro. Ele concedeu entrevistas de cara limpa, mas, ao começar a beber, vestiu os óculos escuros. A partir daí, se transformou. Jogou dardos numa foto de José Aldo e foi “caindo na pilha” do público. Logo, arrancou a camisa e jogou longe; subiu numa bancada, pegou a foto de Aldo, rasgou no meio e mastigou, aos berros de “Digam a ele que estou chegando!” Distribuiu selinhos às moças presentes, convidou um grupo para beber uma fileira de shots com ele, e saiu cheio de marcas de arranhões no corpo.
Boatos, entretanto, são só boatos, e impressões nem sempre são verdadeiras. McGrath reconhece a reputação do lutador, mas frisa que, em época de luta, McGregor respeita o processo: não sai para a noite, gosta de ficar em casa com os pais e a namorada, e por vezes invade a madrugada com treinos de sparring na SBG.
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Conor McGregor coletiva Califórnia UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)Um novo Conor? McGregor abandonou os óculos escuros em suas últimas entrevistas (Foto: Evelyn Rodrigues)
Combate.com fez a pergunta sobre os óculos escuros a McGregor na SBG, durante a semana que precedeu o UFC Dublin 2, em outubro. Desde então, coincidência ou não, o lutador apareceu para todas as suas entrevistas sem os óculos. Mesmo quando foi parado pelo site de celebridades “TMZ” na ensolarada Los Angeles, o lutador, que diz ter os olhos sensíveis à luz, estava de cara limpa. Numa dessas ocasiões, num almoço promovido pelo Ultimate para promover sua luta contra José Aldo, a reportagem perguntou a McGregor sobre se ele se arrependia de algumas de suas provocações mais pesadas, em particular as declarações machistas de que alguns de seus adversários “batem como garotas”, e de que amava seu rival brasileiro como sua “bitch” (“cadela” na tradução literal, “vadia” numa tradução mais livre).
- Às vezes me arrependo por falar algumas coisas. Às vezes penso, “Por que diabos eu disse essa m***?” Mas não ligo mais. Você faz tantas entrevistas, com tantas câmeras, já fiz isso tantas vezes que deixo as coisas fluírem. (…) Se isso te ofendeu, te peço desculpas sinceras. Talvez eu me arrependa de ter dito coisas como essas. Se eu falar algo assim com minha mãe do meu lado, certamente vou pensar duas vezes. Mas lá dentro, é diferente, porque tudo é mais intenso. Você vai falar algumas coisas, mas aí tudo o que você tem a fazer é olhar para as mulheres. Elas estão batendo mais forte que os homens hoje, então talvez eu deva parar de dizer isso (risos). Mas eu as amo, eu também amo o José, e a tradução de “bitch” é cachorro, certo? - disse McGregor.
O vídeo do lutador visivelmente encabulado ao perceber o efeito de suas palavras viralizou pela internet. Pouco depois, em participação em um talk show famoso nos EUA, McGregor surpreendeu: ao comentar suas provocações dentro do octógono, disse que falava aos adversários que eles batiam como “bebês”. Depois, acabou dizendo que batiam como “vadias” novamente, mas hesitou antes de usar o termo.
Talvez seja isso que se esconde por trás dos óculos: a vontade de agradar o público, de ser aceito, de ser perfeito. A necessidade de se manter no centro das atenções. Seria isso suficiente para abalar a confiança de McGregor dentro do octógono no sábado, contra José Aldo? Provavelmente não. Mas lá, seus olhos estão nus, e, como ele mesmo diz: os olhos nunca mentem.
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Conor McGregor enfrenta José Aldo pelo cinturão unificado dos pesos-penas no UFC 194 deste sábado, em Las Vegas. O Combate transmite ao vivo e com exclusividade a partir de 21h (horário de Brasília), e a Rede Globo exibe a luta principal com 30 minutos de atraso por motivos contratuais. Confira o card completo:
UFC 194
12 de dezembro, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL - a partir de 1h (horário de Brasília)
Peso-pena: José Aldo x Conor McGregor
Peso-médio: Chris Weidman x Luke Rockhold
Peso-médio: Ronaldo Jacaré x Yoel Romero
Peso-meio-médio: Demian Maia x Gunnar Nelson
Peso-pena: Max Holloway x Jeremy Stephens
CARD PRELIMINAR - a partir de 22h (horário de Brasília)
Peso-galo: Urijah Faber x Frankie Saenz
Peso-palha: Tecia Torres x Jocelyn Jones-Lybarger
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Colby Covington
Peso-leve: Léo Santos x Kevin Lee
Peso-leve: Joe Proctor x Magomed Mustafaev
Peso-leve: John Makdessi x Yancy Medeiros
Peso-meio-médio: Court McGee x Márcio Lyoto
* Colaboraram Evelyn Rodrigues e Ana Hissa

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