terça-feira, 3 de julho de 2012

GREMIO

Com cerca de 300 m², vestiários do futuro estádio tricolor prometem padrão europeu, inclusive com salas para reuniões da direção de futebol


projeto dos vestiários da Arena do Grêmio (Foto: Divulgação / Grêmio)Projeto dos vestiários da Arena do Grêmio
(Foto: Divulgação / Grêmio)
Se a nova casa do Grêmio promete muita tecnologia e novidades, o futuro quartel-general da comissão técnica não poderia ficar para trás. Assim, o clube gaúcho projeta vestiários com inovações dignas do alto nível europeu. Serão quatro espaços ao total, todos no padrão Fifa, na Arena do bairro Humaitá, em Porto Alegre.
- Esse é um diferencial, que poucos estádios terão, uma vez que se poderá sediar torneios com jogos consecutivos no mesmo dia - explica o presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, tomando como referência jogos de verão bastante comuns no início de temporadas do Velho Continente.
Os vestiários estarão localizados no centro do Setor Oeste do estádio, de costas para a margem do Guaíba. Serão dois de cada lado, que se unirão num túnel em comum. Apesar dos quatro serem padrão Fifa, o vestiário destinado ao Grêmio terá particularidades.
A principal delas é o tamanho, aproximadamente 300 m². Os demais espaços terão cerca de 240 m². Todos, no entanto, comportam salas de aquecimento, de 100 m². Outro diferencial do vestiário mandante é a banheira de crioterapia, usada para o trabalho regenerativo do elenco após os jogos.
Mais do que um espaço de recuperação, o vestiário será tratado como um verdadeiro QG. Além do técnico, o staff do futebol terá uma generosa sala no local, para encontros e reuniões. Um verdadeiro escritório no coração da Arena.
- Não conheço no mundo um igual ao que estamos fazendo - aposta Antonini.
Integrado, o acesso também será facilitado. O ônibus com a delegação não precisará parar distante do vestiário em dias de jogos. Os jogadores descem do automóvel e, em poucos passos, ganham o terreno do vestiário, sem degraus, tudo no nível do solo.
O vestiário ainda está tomando forma na Arena. No momento, o piso está sendo colocado. Há outros locais, no entanto, em que o acabamento está mais visível. Caso dos banheiros, que começaram a receber azulejos no solo, nas paredes e nos corredores há cerca de duas semanas. A partir deles, já é possível ter uma noção da decoração dos vestiários. Estão sendo utilizados 60 mil metros quadrados de material.
Obras já passaram de80% de conclusão
Ainda sobre os banheiros, a construção utilizará 620 cubas de pias onde as válvulas terão sensores e controle de fluxo, o que diminui em 30% o consumo de água. Os 300 mictórios e 600 vasos sanitários utilizarão água de reuso, com reaproveitamento das águas pluviais, que serão armazenadas na parte superior da Arena.
Segundo o engenheiro Carlos Francisco Rossi, responsável pelas instalações, todos os banheiros deverão estar prontos para uso no final do mês de outubro.
As obras da Arena do Grêmio já passaram de 80% de conclusão. A previsão de encerramento dos trabalhos é para novembro deste ano. Em um mês, toda a parte de concreto deve ser finalizada. A cobertura já está em sua segunda etapa de instalação.
arena banheiros grêmio acabamentos (Foto: Divulgação/Grêmio)Acabamento dos banheiros da Arena do Grêmio (Foto: Divulgação/Grêmio)

EUROCOPA 2012

Competição realizada na Ucrânia e Polônia teve alta média de gols e foi encerrada com o show da Espanha na decisão diante da Itália


Com média superior a dois gols por partida (2,45), a Eurocopa 2012 foi marcada por partidas de bom nível técnico, movimentadas e emocionantes. Na estreia, a anfitriã Polônia, apoiada por mais de 56 mil pessoas no estádio Nacional de Varsóvia, saiu na frente da Grécia, pareceu que ia golear, mas acabou sucumbindo aos “guerreiros espartanos” que igualaram o placar com um homem a menos. Pra fechar, o show da Espanha diante da Itália na decisão, vencendo por 4 a 0, sendo a primeira seleção bicampeã, e ainda com um título mundial no meio. Mas nenhum dos dois jogos acima entrou na lista dos cinco melhores do torneio. Após conversar com jornalistas e comentaristas que estiveram na cobertura da Euro, o GLOBOESPORTE.COM relembra os melhores duelos.
David Silva comemora gol da Espanha contra Itália final (Foto: AP)David Silva comemora com Fàbregas o gol que a abriu a vitória por 4 a 0 sobre a Itália (Foto: AP)

Carrossel russo
No primeiro dia do torneio, a Rússia com um futebol vistoso, de forte marcação e muita movimentação, atropelou os tchecos na Breslávia em jogo válido pelo Grupo A. Comandada pelo veterano Arshavin e com show da revelação Dzagoev, do CSKA, a equipe do técnico holandês Dick Advocaat parecia um verdadeiro carrossel e encheu os olhos de todos. No entanto, na sequência do torneio, a equipe caiu de produção vertiginosamente e acabou eliminada na primeira fase.
Dzagoev terceiro gol, Russia x República Tcheca (Foto: Agência AFP)Dzagoev comemora o terceiro gol russo na goleada por 4 a 1 sobre a República Tcheca (Foto: Agência AFP)
Jogo das viradas
No estádio Olímpico de Kiev, palco da decisão da Euro, suecos e ingleses fizeram um dos duelos mais emocionantes da primeira fase. Ainda semRooney, que cumpria suspensão por uma expulsão nas eliminatórias, o English Team, capitaneado por Gerrard, saiu na frente justamente com o substituto do camisa 10 do Manchester United: o grandalhão Andy Carroll, logo aos 23, e parecia que iria dar um chocolate no time de Ibrahimovic. Ledo engano. Com dois do veterano zagueiro Mellberg, a Suécia virou o marcador no segundo tempo. Mas, os jovens Walcott e Welbeck – esse com um lindo gol de letra – “reviraram” o placar.
Wellbeck e Carroll, Suécia x Inglaterra (Foto: Agência AP)Wellbeck comemora ao lado de Carroll o gol de letra que deu a vitória sobre a Suécia (Foto: Agência AP)
Despertar de Cristiano
Precisando da vitória para se classificar no jogo válido pela última rodada do Grupo B, o chamado “grupo da morte”, Portugal saiu atrás do placar logo aos 11 minutos (Van de Vaart), mas virou o marcador com dois do craque Cristiano Ronaldo que, na partida anterior, contra a Dinamarca, tivera uma atuação abaixo da média. O camisa 7 foi fundamental no triunfo que eliminou a Laranja da Euro.
Cristiano Ronaldo, Portugal x Holanda (Foto: Agência Reuters)Cristiano Ronaldo reencontra o seu bom futebol na partida contra a Holanda (Foto: Agência Reuters)
Primo rico x primo pobre
Com 100% de aproveitamento na primeira fase e um estilo de jogo que encantava até mais do que futura campeã Espanha, a Alemanha chegou para o duelo das quartas de final em Gdansk contra a Grécia com todo o favoritismo. Os helênicos, por sua vez, completamente azarões, tentavam repetir o sucesso de 2004. Mas não conseguiram resistir aos germânicos no duelo que foi bastante badalado também por conta da crise econômica da Grécia e da relação política um tanto conturbada entre os dois países na zona do Euro.
Reus e Boateng - Alemanha X Grécia (Foto: Getty Images)Reus e Boateng comemorar um dos gols da vitória sobre a Grécia e afastam a zebra (Foto: Getty Images)
Dia de Balotelli
Na melhor partida da Eurocopa 2012 – desconsiderando, claro, o chocolate da Espanha na decisão -, brilhou a estrela do controverso e polêmico atacante MarioBalotelli. Com toda pompa de favorita, a Alemanha começou melhor, pressionando a Itália e parecendo que iria fazer a final com a Fúria sem muitas dificuldades. Mas, aos 19 minutos, após linda jogada deCassano, o camisa 9 da Azzurra deu uma cabeçada certeira e colocou os italianos na frente. O gol desestabilizou a então super confiante equipe de Joachim Löw que, ainda no primeiro tempo, sofreu outro golpe. Mais uma vez desferido por Mario Balotelli que, na celebração, tirou a camisa e fez pose de mal. No segundo tempo, o time de Cesare Prandelli teve a chance de golear, mas desperdiçou várias chances e, no final, levou um pequeno sufoco, mas acabou carimbando o passaporte para final.
Mario Balotelli comemora gol da Itália contra a Alemanha (Foto: Reuters)Comemoração do segundo gol de Balo sobre a Alemanha foi uma das imagens mais marcantes (Reuters)

CORINTHIANS

Três meses atrás, em visita à Arena Corinthians, comandante do Timão afirmou que trabalharia na construção se fosse campeão do torneio


Tite esteve, no último dia 30 de março, na obra da Arena Corinthians, em Itaquera, para dar uma “preleção” a mais de mil funcionários em uma das arquibancadas do futuro palco da abertura da Copa do Mundo de 2014. Depois, em entrevista à Rádio Estádio, que funciona 24 horas no canteiro, o técnico do Timão fez uma promessa.
À época, o Corinthians ainda disputava a fase de grupos da Taça Libertadores da América, mas desde então a expectativa pelo inédito título era grande. Então, em bate-papo com Almir Fontenele, um dos responsáveis pela rádio, o treinador alvinegro foi convocado para um pacto em caso de título.
– Vamos fazer um acordo aqui entre nós? Se você conseguir a Libertadores, você retorna aqui para darmos continuidade a esse papo? – questionou o entrevistador.
Ainda emocionado com o momento que viveu diante dos operários, Tite aceitou prontamente e fez uma promessa ousada: trabalhar por um dia na obra.
– Eu venho aqui no outro dia, coloco esse negócio (capacete), passo o dia inteiro na obra e vocês me mandam fazer o que quiserem aí – declarou o comandante. Segundo a assessoria de imprensa do treinador, por conta de compromissos com o clube, ele não teria como ir à Itaquera no dia seguinte, quinta-feira, mas confirmou que irá outro dia.
Tite Obra Corinthians (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)Tite amarra ferro no dia em que deu preleção a operários (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)
Mais de três meses se passaram, o Corinthians avançou bem e chegou à final da Libertadores. A um jogo da conquista inédita, os funcionários da Arena Corinthians aguardam ansiosamente pelo resultado positivo para que possam “cobrar” de Tite a presença no canteiro para ajudar na construção de mais um sonho alvinegro.
Tite entrevista Itaquera (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)Tite na entrevista na Rádio Estádio, em Itaquera
(Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)
Basílio, autor de um dos gols mais importantes da história do clube, o do título paulista de 1977, após jejum de 23 anos, também prometeu voltar à Arena Corinthians em caso de título na competição sul-americana.
A grande final da Libertadores, entre Corinthians e Boca Juniors, será nesta quarta-feira, às 21h50, no estádio do Pacaembu. Na primeira partida, brasileiros e argentinos empataram por 1 a 1, em La Bombonera. Agora, quem quiser ficar com a taça terá de vencer a partida na capital paulista.
Se o empate for novamente o resultado no tempo normal, a decisão vai para a prorrogação. Persistindo a igualdade, o título será definido nos pênaltis. A Rede Globo transmite a partida para todo o Brasil, e o GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real.
Tite na Arena Corinthians (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)Observado por mais de mil operários, Tite fala em Itaquera (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)

CLASSICOS

Paixão que começou com figurinhas pôs ídolo na história do clássico e deixou apenas um lamento: não ter virado personagem de Nelson Rodrigues


O nome é de santo: Benedito. Mas foi com o sobrenome que Assis escreveu algumas páginas marcantes da centenária história do Fla-Flu. Porque não há jogador no mundo que não sonhe fazer o gol do título em uma decisão diante do maior rival. Duas vezes seguidas, então, nem se fala. O toque sutil que tira o grito de gol da garanta aos 45 minutos do segundo tempo. A cabeçada perfeita para repetir a dose um ano depois diante do Maracanã lotado e extasiado. Lances que colocaram o ex-camisa 10 para sempre na lista de personagens históricos do clássico e foram até previstos antes das partidas pelo ex-jogador, que, curiosamente, foi comprado do Atlético-PR como contrapeso do amigo e eterno companheiro Washington. Santo para os tricolores, diabo para os rubro-negros, Assis nasceu Benedito e virou Carrasco.
assis fluminense especial fla-flu (Foto: Fernando Araújo / Globoesporte.com)Assis exibe as faixas de campeão carioca de 1983, o primeiro dos dois títulos sobre o Flamengo: ex-meia hoje trabalha em Xerém com as categorias de base do Tricolor (Foto: Fernando Araújo / Globoesporte.com)
- O mais engraçado é que todos os meus amigos me chamam de Carrasco. Ninguém fala Assis. Legal, né? É praticamente meu segundo nome. Eu gosto porque me marcou de uma forma positiva. É um carrasco legal, diferente. Lembro-me de ter perdido poucas vezes defendendo o Fluminense contra o Flamengo. Acho que só perdi uma vez (risos) - provocou Assis, que, na verdade, tem um retrospecto de cinco vitórias, seis empates, três derrotas e cinco gols em 14 jogos diante do Rubro-Negro.
- É um clássico agora centenário. E saber que eu faço parte disso é muito bom. Mas nada caiu no meu colo. Tinha o sonho de jogar no Maracanã, de defender o Fluminense... Consegui muito mais. Para mim, o Fla-Flu tem apenas um significado: Tricolor. Não fosse esse clube, eu não teria chegado à consagração, às vitórias, à idolatria, ao reconhecimento... É o maior clássico que já disputei. Ser idolatrado até hoje por essa torcida me deixa muito feliz.
Castelo da paixão tricolor
Uma história com três cores, dois gols decisivos e um personagem especial. Se a relação de sucesso contra o Flamengo não nasceu 40 minutos antes do nada (como Nelson Rodrigues se referia ao clássico) e só surgiu nas Laranjeiras, o amor pelo Fluminense veio bem antes. Paulistano de nascimento, Assis se apaixonou pelo clube colecionando figurinhas de futebol na infância. Segundo ele, a imagem de um castelo tricolor em um álbum lhe chamou a atenção. Do papel para a vida real, a distância atrapalhava. Sem televisão em casa, precisava se virar para ver a reprise das partidas. Em 1968, ele viveu a primeira ida ao estádio para ver o time jogar. No placar do amistoso, empate por 1 a 1 com o Palmeiras no Palestra Itália.
O mais engraçado é que todos os meus amigos me chamam de Carrasco. Ninguém fala Assis. Legal, né? É praticamente meu segundo nome. Eu gosto porque me marcou de uma forma positiva. É um carrasco legal, diferente".
Assis, o Carrasco
A carreira profissional pelo interior de São Paulo começou anos depois, em 1972. Fã de Escurinho (quinto jogador que mais vestiu a camisa tricolor, com 490 jogos), com quem divide o nome Benedito e, dizem nas Laranjeiras, o estilo de jogo, Assis nunca tinha marcado um gol contra o Flamengo até chegar ao Fluminense. Oportunidades, porém, não faltaram. Nas semifinais do Brasileiro de 1983, pouco antes de ser contratado pelo Tricolor, o meia viu o Atlético-PR ser eliminado pelo Rubro-Negro e passou em branco na segunda partida. Na primeira, estava suspenso. Uma decepção que o marcou, mas que seria devolvida meses depois com juros.
- Pelo São Paulo, os enfrentei logo na primeira partida. Era um amistoso para apresentar os reforços e entrei só no segundo tempo. Depois, foi em 83, já com a camisa do Atlético-PR. Nas quartas de final, eliminamos o São Paulo com duas vitórias: 2 a 1 em Curitiba e 1 a 0 no Morumbi. No segundo jogo, fiz até o gol da vitória. Mas o Wright (ex-árbitro José Roberto Wright) me deu cartão amarelo e fui suspenso da primeira partida contra o Flamengo pela semifinal. E o time sentiu minha falta. Eu estava em uma ótima fase. A bola batia na minha nuca e entrava. Acabamos perdendo por 3 a 0 no Rio. E depois só conseguimos vencer por 2 a 0 em Curitiba. Não marquei contra eles por outros clubes. Na verdade, deixei para fazer todos os gols pelo Flu (risos) – brincou Assis, que defendeu o clube entre 1983 e 1987, com 180 jogos e 57 gols.
De contrapeso a ídolo
A humildade e serenidade dos tempos de jogador seguem firme nos dias atuais. Assis garante: nunca pensou que faria história em um Fla-Flu decisivo. Sonhava, sim, defender o Tricolor e jogar no Maracanã. Quando via as partidas pela televisão, se pegava pensativo: "Um dia, quem sabe?". Mal sabia ele o que o destino lhe reservava. Quando o Fluminense anunciou em 1983 o desejo de buscar Washington no Atlético-PR, o sonho quase ruiu. O Furacão avisou que só aceitava vender a dupla, mas Assis se sentiu desprestigiado. Um verdadeiro contrapeso.

- Fiquei chateado com a situação, não nego. A minha vontade de jogar no Rio e defender o Fluminense estava desmoronando. Mas conversei com o Roberto Seabra, supervisor da época, e ele me tranquilizou. Disse que eu seria muito bem recebido e que ia gostar da cidade. E foi o que aconteceu. Quando cheguei, o diretor de futebol Nílton Graúna me deu muita força e acabei mudando de opinião. Deu no que deu – relembrou o ídolo tricolor, que atualmente trabalha em Xerém com as categorias de base do clube.
Cinco meses após ser contratado, Assis se via diante do Flamengo pela primeira vez com a camisa tricolor. Era 11 de dezembro de 1983. Depois de empatar com o Bangu na rodada inicial do triangular final que decidiria o Campeonato Carioca, o Fluminense precisava vencer para continuar sonhando com o título. Em um jogo truncado, com direito até a urubu dentro de campo nos minutos iniciais, o 0 a 0 persistiu até os 45 minutos e 30 segundos da etapa final. Após um erro da arbitragem, que marcou impedimento inexistente quando o rubro-negro Adílio entrava livre na cara de Paulo Victor, Deley acertou um lançamento perfeito para Assis. Com tranquilidade, o camisa 10 ainda teve tempo de levar a bola para a perna esquerda e tocar na saída do goleiro. Gol de craque, gol marcante, gol de título, gol previsto em uma brincadeira na concentração (veja o lance no vídeo acima).
ESPECIAL FLA-FLU gol assis  (Foto: Agência O Dia)Assis toca na saída de Raul, aos 45 minutos e 30 segundos do segundo tempo, para marcar o gol que viria a garantir o título carioca de 1983 ao Fluminense (Foto: Agência O Dia)
- O gol mais marcante foi o de 1983, no último minuto. Ali o Flamengo não teve mais chance de reação. Era meu primeiro ano no Fluminense e foi um dos dias mais importantes da minha vida. Meu parceiro de quarto na concentração era o Jandir. Antes do jogo, estávamos no hotel depois do lanche e senti que ele estava nervoso. Daí eu falei: "Tá com medo, Jandir? Se estiver, fala comigo, que eu te tranquilizo fazendo um gol na final." Depois, já no vestiário, passei pelo Newton Graúna, que era o diretor de futebol da época e foi uma pessoa que lutou muito pela minha contratação. Ele estava estranho e eu logo falei: "Alguém arruma um calmante pro Graúna? O cara está tremendo! Pode deixar que eu vou fazer o gol" - recordou.
Dito e feito. Assis não desperdiçou a chance que teve diante de Raul, após arrancada pela direita. Após o gol, Assis e o dirigente comemoraram loucamente.
- Pode até pegar as imagens e ver. Depois que a bola entra, ele sai pulando do banco e invade o campo para me abraçar. Eu não sabia nem o que estava acontecendo. Tanto que saí colocando a mão na cabeça sem saber o que fazer. Nunca tinha vibrado daquele jeito. Fiquei até preocupado com a saída de bola, em ter mais um ataque do Flamengo. Mas o jogo já tinha acabado. Acho que a ficha só começou a cair quando eu cheguei em casa.
Bastou esperar a última rodada, na qual o Flamengo derrotou o Bangu, para festejar o título. Em 1984, antes de encarar o Rubro-Negro novamente no triangular decisivo, Assis ajudou o Fluminense a conquistar o bicampeonato brasileiro. No Carioca, a situação era um pouco diferente do ano anterior. Depois de derrotarem o Vasco, Fla e Flu se enfrentaram dessa vez no último jogo da fase final. O vencedor seria o campeão estadual. Bola levantada na área pelo lateral-direito Aldo aos 30 minutos do segundo tempo. Salto perfeito, cabeçada no ângulo. Novo gol de Assis (veja no vídeo abaixo). Nova premonição. Nascia ali o Carrasco.
- No ano seguinte, teve outra história engraçada. O zagueiro Jaime, que jogou comigo no São Paulo e era um grande amigo, foi almoçar lá em casa no sábado antes da decisão. Eu avisei para ele que ia fazer o gol do título de novo. Até hoje me lembro dele falando que eu já tinha feito o gol no ano anterior e seria uma grande zebra fazer de novo. Falei só que ia dar o título ao Fluminense outra vez e ligava para ele na segunda para comemorar. O engraçado é que ele torcia pelo Flamengo. Perdeu, mas teve de comemorar comigo (risos). Fiz uma brincadeira e acertei de novo. Depois daquele jogo, a torcida começou a me chamar de Carrasco e não parou mais - frisou.
Só faltou a crônica de Nelson...
Já na história do Fluminense e do Fla-Flu, Assis teve apenas uma coisa a lamentar: sonhava ter seus gols decisivos narrados pelo dramaturgo Nelson Rodrigues em uma de suas famosas crônicas sobre futebol. Tricolor de coração, Nelson faleceu em 1980, três anos antes de o ex-jogador se contratado. Restaram a saudade e a amizade com Nelsinho, filho do ilustre torcedor.
(...) Acho que faltou isso. Poder ver um texto do Nelson Rodrigues sobre os meus gols. Gostaria muito que ele estivesse vivo para ver. Seria uma honra para mim".
Assis
- Nelson era dramaturgo dos bons. Tenho uma grande amizade com o Nelsinho, o filho dele. Aliás, vivia na casa do Nelsinho. Ele contava as histórias do pai. Eram sensacionais. Acho que faltou isso: poder ver um texto do Nelson Rodrigues sobre os meus gols. Gostaria muito que ele estivesse vivo para ver. Seria uma honra para mim.
Benedito de Assis Silva completa 60 anos em 2012. Assim como o Fla-Flu, que também chega a uma marca redonda este ano, a história do ex-meia se confunde com a do Tricolor. Coincidentemente, no dia de seu aniversário, 12 de novembro, é comemorado também o Dia do Fluminense. Números, fatos e gols que fazem de Assis um dos ídolos da centenária história do clube das Laranjeiras e do clássico mais charmoso do Brasil. No jogo festivo que antecederá o clássico do próximo domingo, o ex-jogador fará parte da comissão técnica tricolor. Fora de forma, não quer entrar em campo para fazer feio. Até porque sabe que a pressão dos tricolores por mais um gol sobre o rival seria grande.
assis fluminense especial fla-flu (Foto: Fernando Araújo / Globoesporte.com)Faixas, camisa, homenagens... Assis tem boas lembranças (Foto: Fernando Araújo / Globoesporte.com)
- Faz tempo que eu não jogo. Entrar e fazer feio não é legal. Posso ficar no banco e ser treinador. Porque se eu jogar, a torcida tricolor vai me cobrar um gol sobre o Flamengo como nos velhos tempos. Se na época de profissional já era difícil, imagina agora? (risos) - finalizou.

CORINTHIANS

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