Atletas lamentam a derrota por 4 a 1 para o Atlético-MG, mas destacaram que o time precisa focar agora numa recuperação contra a Ponte
Após a contundente derrota por 4 a 1, para o Atlético-MG, neste sábado, na Ilha do Retiro, os jogadores do Sport tentaram não demonstrar o abatimento que tomou conta do grupo. Mesmo lamentando muito, o meio-campo Marquinhos Gabriel tentou amenizar os efeitos causados pelo péssimo resultado.
- Não podemos ficar abatidos. O campeonato é longo e temos que ter o pensamento de recuperar esses pontos em Campinas, contra a Ponte Preta. É hora de levantar a cabeça e jogar. O resultado não foi bom, mas vamos nos recuperar.
Mesmo demonstrando confiança na evolução da equipe, o meio-campo fez questão de alertar os companheiros para o restante da competição. Para Marquinhos Gabriel, o Sport precisa mostrar mais força quando atuar em casa.
- Não tem explicação para o que aconteceu. Não podemos perder pontos assim, quando jogamos em casa. Temos que ter mais vontade e nos entregarmos mais, para que possamos conseguir os resultados.
Marquinhos Gabriel quer o Sport pensando apenas na Ponte (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)
Quem também tentou aliviar os ânimos após a derrota contra o Galo foi o atacante Magno Alves, que ficou no banco de reservas. Experiente, o atleta evitou o pessimismo e garantiu que o foco do elenco deve ser o próximo jogo, contra a Ponte Preta.
- Não podemos perder esses pontos em casa, mas também não adianta ficar abatido. Temos que pensar no duelo contra a Ponte Preta e ir buscar o resultado. Tenho certeza que ainda iremos evoluir bem e vamos buscar reverter isso já no próximo jog o
Santos perdeu para o Vasco por 2 a 0 em São Januário
O Santos foi derrotado pelo Vasco por 2 a 0 pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, e se afastou ainda mais da luta pelo título e mesmo por vaga na próxima Taça Libertadores da América. Após a partida, os jogadores do Peixe admitiram que a atuação da equipe em São Januário foi ruim, principalmente na etapa inicial(veja os melhores momentos no vídeo ao lado).
- Perdemos o jogo no primeiro tempo. Estávamos bem, mas tomamos um gol que não esperávamos. Jogar fora de casa é complicado - resumiu o jovem Victor Andrade, 16 anos, que substituiu Miralles após o intervalo.
- No primeiro tempo, não conseguimos impor nosso jogo e acabamos tomamos um gol. Voltamos melhores e mais ofensivos na etapa final. Temos de manter isso (para os próximos jogos) - disse o meia Felipe Anderson, que participou dos 90 minutos da partida no Rio.
O resultado estacionou o Peixe nos dez pontos e, temporariamente, na 14ª posição do Brasileirão - dependendo dos demais resultados da rodada, o Alvinegro pode até cair para a zona de rebaixamento. O Santos volta a campo na quinta, às 21h, para enfrentar o líder Atlético-MG, no Independência.
Felipe Anderson, na perseguição a Eder Luis (Foto: Márcio Alves / O Globo )
Jogador rompe fronteiras da sua terra natal, faz estreia pelo Botafogo e começa nova fase da vitoriosa carreira no país que sempre admirou
Clarence Seedorf guarda no seu complexo esportivo, no Suriname, pinturas feitas à mão de seu rosto em diferentes fases da vida, com diferentes cortes de cabelo. Foram homenagens que ele recebeu. Em outra imagem, o jogador aparece em uma nota de 10 mil pesetas (moeda espanhola antes do Euro). Mas o valor do meia de 36 anos vai além das fases e do dinheiro. Herói nacional em Paramaribo, ele rompeu as fronteiras do seu país de origem, rodou o mundo e neste domingo dá o primeiro passo para começar sua história no futebol brasileiro. O camisa 10 do Botafogo faz sua estreia contra o Grêmio, às 18h30m, no Engenhão.
Em Paramaribo, bares se preparam para transmitir o jogo, que terá a audiência de surinameses e milhares de brasileiros residentes no país de Seedorf. O primeiro toque na bola com a camisa do Botafogo em solo brasileiro será apenas a continuação de uma relação estreita com o país, que envolve casamento com a brasileira Luviana e identificação sempre destacada nas declarações do camisa 10.
- Sempre me diziam que penso e jogo como um brasileiro - disse Seedorf, em entrevista antes da estreia pelo Botafogo.
As declarações são dadas em português claro. Luviana, sua mulher, foi criada em Realengo e era passista da Mocidade Independente de Padre Miguel. Os dois se encontraram quando ela foi com a escola de samba para uma temporada de shows em Roma, na Itália. O casal prima pela discrição e vida em família com os quatro filhos. O lugar escolhido para morar foi o bairro do Leblon, onde eles já tinham um apartamento.
Em seus gostos pessoais, Seedorf gosta de leituras sobre espiritualidade, psicologia e desenvolvimento pessoal, diz que curte todos os ritmos musicais, com exceção do techno. A batida do jogador é no ritmo da família.
- Gosto de passar tempo de qualidade com minha esposa e filhos. Eu gosto das oportunidades que temos para compartilhar o tempo juntos - descreveu o jogador.
No seu site oficial, revela ainda o gosto pelo calor ao falar sobre viagem de férias:
- Tudo o que importa para mim é que esteja pelo menos 28 graus. Eu adoro viajar.
No Rio, então, Seedorf está em casa, seja pela temperatura mas também pelo calor humano. De origem humilde, o jogador conquistou sua independência financeira, mas nunca deixou de lado as crianças do Suriname e de outros cantos do mundo.
- Ele é uma grande pessoa, não só como jogador, mas como ser humano - declarou o jornalista Desney Romeo, do Suriname.
Admirador do líder sul-africano Nelson Mandela, Seedorf é um herói nacional no Suriname. Crianças sonham ser como o ídolo.
- Quero ser Clarence - repetem as crianças do Suriname.
De Paramaribo para o Rio de Janeiro, o homem de várias faces está pronto para ouvir dos meninos brasileiros em português claro:
- Quero ser Seedorf.
Momentos importantes na carreira de Seedorf:
29 de novembro de 1992: Faz sua estreia profissional pelo Ajax (contra o Groningen), com apenas 16 anos.
14 de dezembro de 1994: Faz um gol na sua estreia pela seleção da Holanda, contra Luxemburgo.
24 de maio de 1995: Ganha a Liga dos Campeões pela primeira vez, com o Ajax, quando derrotou o Milan por 1 a 0.
20 maio de 1998: Ganha seu segundo título da Liga dos Campeões, quando o Real Madrid venceu a Juventus por 1 a 0.
28 de maio de 2003: Pela terceira vez, conquista o título da Liga dos Campeões, desta vez com o Milan, quando derrotou a Juventus na final, em decisão por pênaltis.
23 de maio de 2007: Conquista o quarto título da Liga dos Campeões, o segundo pelo Milan: vitória por 2 a 1 sobre o Liverpool.
30 de agosto de 2007: Eleito o melhor meia da Europa em prêmio concedido pela UEFA. 07 de dezembro de 2007: Jogo de número 100 na Liga dos Campeões, contra o Celtic.
22 de julho de 2012: Faz sua estreia com a camisa 10 do Botafogo diante do Grêmio .
Suborno paterno, rebeldia contra os andares inferiores do pódio, estudos precoces sobre Popov: a história de um fenômeno até a glória olímpica
Nada, Cesão: água é habitat dele desde criança (Foto: Fundação Romi / Santa Bárbara D'Oeste)
O corpo, mesmo de criança, já é esguio, longilíneo. A água já é seu habitat natural. Nos olhos posicionados abaixo dos cabelos louros, já reside a obsessão por vencer - aconteça o que acontecer, vencer. O sinal da largada é acompanhado pelo salto na piscina. Cesar espicha um braço, espicha outro, bate as pernas. Precisa vencer - aconteça o que acontecer, vencer. E perde. O corpo esguio, longilíneo, passa a se contorcer em soluços. A água começa a se misturar com as lágrimas que caem daqueles olhos obcecados por vitórias. Cesar perdeu. Cesar Cielo, o futuro grande campeão olímpico, perdeu.
É uma cena da infância de Cesar, que depois viraria Cesão, que depois daria saltos de alegria em uma piscina chinesa, que socaria a água com o braço direito, que mergulharia a cabeça nela para driblar a própria incredulidade - que daria ao Brasil seu primeiro ouro olímpico na natação. Uma cena, não: várias. Mais de uma vez, o garoto não conseguiu vencer. E chorou. E até se negou a subir ao pódio. Era o primeiro lugar ou nada. Era vencer - acontecesse o que acontecesse, vencer.
Cara feia: Cesar Cielo, quem diria, nem sempre esteve no lugar mais alto do pódio. E se irritou com isso (Foto: Fundação Romi / Santa Bárbara d'Oeste / Divulgação)
O GLOBOESPORTE.COM começa a contar, neste domingo, a gênese de atletas que se tornaram campeões olímpicos ou mundiais em um país com atenções e investimentos centrados no futebol. Cesar Cielo, ouro nos 50m livre em Pequim-2008, abre a série, que também terá Maurren Maggi, Robert Scheidt, Diego Hypolito e Fabi, da seleção brasileira de vôlei. Cada qual com suas especificidades, são casos de talento, de abnegação, de insistência - até de heroísmo. E casos de esportistas que tentarão, em Londres, ser ainda mais vencedores.
Perder para ganhar
Foi a mais absoluta raiva pela derrota que transformou Cesar Cielo em um vencedor. Ele perdeu para depois ganhar. Perdeu pouco para depois ganhar muito. Entre todos que conviveram com o nadador na infância, em Santa Bárbara d'Oeste, interior paulista, a pergunta sobre a relação dele com o esporte foi respondida com o mesmo comentário: ele não suportava ser derrotado.
- Ele sempre gostou de ganhar. Mas não é que ele simplesmente gostava de ganhar: ele não suportava perder. Vários treinadores americanos dizem isso: que os bons nadadores gostam de ganhar, e os excepcionais não suportam perder. É o caso do Cesão - comenta Maria Inês Schultz, mãe do nadador André Schultz, que acompanhou de perto o crescimento de Cielo no esporte.
Histórias de lágrimas em derrotas, de revolta a ponto de não querer ir ao pódio, se sucedem. Vale observar que Cielo, desde sempre, era muito bom. Ganhava quase todas as provas. Mas não todas. E isso o transtornava.
- Lembro de uma ocasião, uma final de Paulista no Corinthians. Na final, o Cesão não ganhou. Ele saiu chorando, bravo, porque não tinha conseguido o primeiro lugar. Ficava contrariado. Isso chamava a atenção. Talvez esteja aí a diferença de um campeão - observa Amancio Rodrigues de Oliveira, outro que viu o surgimento de Cielo para o esporte em Santa Bárbara d'Oeste.
Amancio é pai de Jader Oliveira, que nadava junto com Cielo no interior paulista, no Esporte Clube Barbarense, quando ambos eram crianças. Ele também lembra epísódios parecidos.
- Começávamos as competições com festivais internos no clube. Os festivais eram muito grandes. E ele já mostrava uma gana por vitórias até doentia. Acredito que é o que o move hoje e sempre. Nunca foi rivalidade de briga, mas, na hora de competir, ele tinha que chegar na frente - relembra Jader.
Pai já nadava e levou filho para as piscinas (Foto: Fundação Romi / Santa Bárbara D'Oeste )
Cesar Cielo começou a nadar por influência esportiva da família. A mãe, Flávia, é professora de educação física. O pai, também Cesar, é médico, mas compartilhava o tempo com a natação - era dos bons. Foi assim, com o apoio de casa, que o futuro campeão olimpico começou a dar suas braçadas na água. Também se aventurou no judô, mas não era dos melhores. Como perdia, abandonou o tatame.
De início, Cielo começou a competir no nado costas. Em sua cidade, era hegemônico. Mas começou a ter problemas nas competições que envolviam toda a região de Campinas. Aí quem se destacava era Guilherme Guido, medalha de ouro pelo Brasil nos 4 x 100m medley no Pan de Guadalajara, em 2011. Guido vencia Cielo. E Cielo, para vencer, resolveu passar para o nado livre. O resto é ouro. E um ouro que custou R$ 2.
O suborno paterno
São raros os casos de crianças que colocam na cabeça que serão atletas e mantêm o pensamento fixo, sem licenças para desistência, sem titubear diante de percalços. Cesar Cielo, por melhor que fosse, titubeou. Pensou em parar de nadar. Mas acabou seduzido por uma cédula que representava uma fortuna para um menino: R$ 2.
A ideia partiu do pai dele. A família fazia questão que Cielo se envolvesse com um esporte. A mesada foi um incentivo. Para cada dia de treino, R$ 2. O pequeno Cesar nem sabia o que fazer com tanto dinheiro, lembra Jader.
- Lembro muito bem dele me dizendo que ia parar de nadar, mas os pais não queriam que ele parasse. Aí ele falou que o pai dele disse que daria R$ 2 para cada dia que ele fosse nadar. Lembro que ele disse: “Pô, dá pra comprar um monte de coisa bacana.” Um monte de coisa bacana, no caso, era lanche, essas coisas...
O primeiro salário de Cielo, um tanto modesto, deu resultado, e o menino seguiu no esporte. E mergulhou nele - não apenas literalmente. Passou a treinar cada vez mais. E a ganhar cada vez mais. Chegou um momento em que superar os adversários não bastava. Cesar tinha que superar a si próprio. Baixar tempos. Cravar recordes. Um treino de resultado fraco, por menor importância que tivesse, tirava o jovem esportista do sério. Despontou de vez nele o espírito vencedor: concentração máxima, exigência suprema, obsessão pelo resultado até o limite do aceitável.
Santa Bárbara ficou pequena para a explosão do nadador. Cielo primeiro foi treinar em Piracicaba, no Clube de Campo, e depois, aos 15 anos, migrou para São Paulo, onde treinou ao lado de seu ídolo, Gustavo Borges, no Pinheiros. Era provocado por ele. "Com esse bracinho, acha que vai ganhar?", escutava de Gustavo. Pois ganhou. E detonou as marcas do próprio Gustavo.
- Ele fez questão de bater todos aqueles que eram ídolos dele. O Gustavo foi o primeiro - lembra Maria Inês.
Precoce: com nove anos, vídeos de Popov
Cesar Augusto Cielo Filho nasceu em 10 de janeiro de 1987. Em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta, tinha nove anos. E já estudava, com obstinação de adulto, sua maior referência, o russo Alexander Popov - medalha de ouro nos 50m e nos 100m livre tanto em Barcelona-92 quanto em Atlanta.
O pai de Cesar gravou as provas das quais Popov participou. Cielo pegava a fita e ficava olhando o vídeo de trás para frente, dando pausas, voltando, repetindo. Vale martelar no detalhe: ele tinha nove anos naquelas Olimpíadas.
- Desde pequenininho, o Cesão foi perfeccionista. Nas Olimpíadas de 96, o César pai gravou todas as provas de natação. Lembro perfeitamente do Cesão, lá na sala, brincando com o André (Schultz). Ele colocava aquela fita e ficava olhando: “Olha, tia, olha como o Popov sai, olha como ele vira”. Ele via aquilo para a frente e para trás. Ele era absurdamente detalhista. E era uma criança, hein? Olhava a saída e a virada. Ele achava aquilo lindo. E tentava repetir - recorda Maria Inês.
Popov era fenomenal na largada e na virada, que depois, não por acaso, se tornariam dois pontos fortes de Cielo. Mas a inspiração não foi apenas técnica. Até os trejeitos do russo ele pegou.
- Todo grande atleta tem uma mania na hora da saída. O Popov levantava o pé esquerdo, passava a mão embaixo, e fazia o mesmo com o pé direito, limpando a sola. O César começou a fazer também... - conta Werner Schultz, marido de Maria Inês e pai de André Schultz.
- Ele imitava o Popov. O Popov tinha um lance de passar a mão no pé, e ele fazia também. Depois, quando foi para o Pinheiros, foi nadar junto com o Gustavo. Mas, de criança, a referência era o Popov - completa Jader Oliveira.
Tempos de natação
Para Cesar Cielo se tornar o primeiro brasileiro campeão olimpico na natação, foi preciso que várias pontas de um emaranhado de histórias se unissem. Sem o apoio familiar, não seria possível; sem o talento, também não; sem a obstinação dele, idem. Mas tudo começou quando um grupo resolveu se unir para fomentar a natação em Santa Bárbara d'Oeste. Ali esteve o berço do nadador.
O pai de Cesar se juntou a três amigos e formou uma turma responsável por organizar e incentivar o esporte no Clube Barbarense. Werner Schultz e Amancio Rodrigues de Oliveira também entraram no projeto, que ainda teve Vainer Penatti como um dos coordenadores. Eles passaram a criar competições e levar os meninos em viagens. Revezavam-se no uso de seus automóveis particulares.
Quando perceberam, havia 500 pessoas praticando natação no clube (a cidade, hoje, quase 20 anos depois do projeto, conta com menos de 200 mil habitantes). O nível era alto. E isso fez bem a Cesar. Como ele era obsessivo por vitórias, precisou se doar ao máximo para, num primeiro instante, vencer dentro do próprio clube - vale lembrar que dali saiu André Schultz, outro grande nadador.
- Às vezes, um atleta não vai para a frente porque falta referência a ele. Não tem com quem competir. Ninguém é páreo para ele. Aí ele perde a referência. E pode até ter uma decepção, porque cai num campeonato mais difícil e quebra a cara. A equipe, aqui no clube, era muito forte, e isso favoreceu o Cesar - opina Vainer.
Um belo dia, os pais resolveram criar uma planilha de competição entre os meninos. Cada medalha, de ouro, prata ou bronze, renderia uma pontuação, com valor diferente de acordo com a competição disputada. Vainer acrescentou ali campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos. Quando o pai de Cesar Cielo viu a tabela, tão ambiciosa, afirmou: "Que pontuação olímpica, que nada. Vocês estão malucos." Anos depois, o filho dele foi campeão olímpico.
Nome de Cielo é o último da planilha do Barbarense: a maior pontuação é dele, com André Schultz em segundo (Foto: Alexandre Alliatti / Globoesporte.com)
O incentivo à natação chegou a extremos. Werner e Maria Inês decidiram colocar uma piscina no pátio de casa. Mas não uma piscina qualquer. Foi uma com duas raias olímpicas mesmo. Ali, Cesar Cielo muito treinou quando criança - feliz com os bons resultados e enfurecido com as frustrações, enquanto olhava, a poucos metros da piscina, os vídeos de Popov.
15 de agosto de 2008: aconteça o que acontecer, vencer
Quando criança, Cielo perdeu e chorou. Quando adulto, Cielo venceu e chorou. O dia 15 de agosto de 2008, no Cubo d'Água, como foi batizado o centro aquático de Pequim, foi o núcleo de 34 braçadas históricas para a natação brasileira. Em 21s30, 34 braçadas: uma para a mãe, uma para o pai, uma para a irmã, uma para os amigos de infância, uma para o Barbarense, uma para cada um dos pais responsáveis pelo incentivo à natação na cidade, uma para Guido, uma para Gustavo Borges, uma para Alexander Popov, outras tantas para tantos outros que ajudaram a juntar as tais pontas do tal emaranhado de histórias que formam um campeão olímpico.
Cielo, de touca prata (aquela cor que ele não aceitava no pódio quando criança), chorou. É engraçado: quando ele olhou para o telão com o resultado, ficou tão eufórico, tão enlouquecido na piscina, que parecia que ia se afogar. Deu socos na água. E misturou suas lágrimas a ela. Desta vez, lágrimas de orgulho, as mesmas que ele derrubou no pódio, ao escutar o hino nacional, posicionado no ponto mais alto, no último degrau - reservado àqueles que precisam vencer. Aconteça o que acontecer, vencer.
Lágrimas, mas de alegria: o momento do ouro olímpico em Pequim (Foto: AFP)
Potiguar tem atuação eficiente e se torna o 11º brasileiro a ter um cinturão do UFC. Brasil tem, pela primeira vez, quatro campeões simultaneamente
A cidade de Calgary, no Canadá, viu, na madrugada deste domingo, um brasileiro ascender na hierarquia do MMA. De Barão, o brasileiro Renan Pegado foi alçado ao posto de rei dos pesos-galos, ao vencer o americano Urijah Faber na disputa do cinturão interino da categoria. Com uma atuação inteligente e muito eficiente, o brasileiro dominou o rival e conquistou a vitória por decisão unânime dos juízes (49-46, 50-45 e 49-46) após cinco rounds, se tornando o 11º brasileiro a conquistar um cinturão do UFC. Os demais foram Royce Gracie, Marco Ruas, Vitor Belfort, Murilo Bustamante, Rodrigo Minotauro, Lyoto Machida, Maurício Shogun, José Aldo, Anderson Silva e Júnior Cigano. O triunfo também fez Renan Barão aumentar sua série invicta para 32 lutas, sendo 31 vitórias, uma luta sem resultado e uma derrota em 33 combates.
Renan Barão acerta um chute em Urijah Faber na vitória pelo UFC 149, no Canadá (Foto: Getty Images)
Agora, o Brasil passa a ter, pela primeira vez na história, quatro detentores simultâneos do cinturão de campeão da entidade. Os outros são Anderson Silva (pesos-médios), José Aldo (pesos-penas) e Júnior Cigano (pesos-pesados), igualando os EUA. Os americanos também possuem quatro (Dominick Cruz, Benson Henderson, Carlos Condit (interino) e Jon Jones), enquanto o Canadá possui apenas um (Georges Saint-Pierre).
- Graças a Deus eu estava bem preparado para tudo. Sabia que o Faber era um grande atleta. Sabia que ele tinha golpes fortes, mas eu estava bem treinado. Meus técnicos me disseram para eu chutar a perna dele, e eu fiz isso, para diferenciar a combinação. Desculpe se eu não pude agradar a todos, mas vou voltar para fazer melhor. É nós, é as quintas - disse Barão após a luta.
O americano revelou que sentiu os golpes nas costelas, e parabenizou o brasileiro pela conquista.
- Eu sabia que ele muito bom e tinha uma boa envergadura. Foi difícil derrubá-lo. No início ele me deu uma joelhada e eu acho que quebrei a costela. Não foi nada comparado a Aldo, que destruiu a minha perna. Hoje não foi nada igual àquilo. Dou os parabéns a ele pelo cinturão interino - disse Urijah Faber.
A luta
O primeiro round começou com Renan Barão buscando os chutes altos, mantendo Faber longe. O brasileiro não permitia que o americano encurtasse a distância. Ambos arriscavam pouco, estudando os movimentos um do outro. Na metade do round, Barão acertou um belo chute rodado no rosto de Faber, seguido de um bom direto de direita. Os golpes intimidaram o californiano, que passou a se movimentar mais para evitar o maior alcance do brasileiro. Faber conseguiu acertar poucos golpes, ao entrar em velocidade no raio de ação do potiguar.
O segundo round trouxe Urijah Faber tentando distrair Renan Barão com gritos e movimentação pouco ortodoxa. O brasileiro não se abalou e manteve o foco no seu plano de luta e aplicar golpes longos, aproveitando o maior alcance. A três minutos do fim do round, Barão encurtou a distância e aplicou um bom golpe. Os chutes vinham sendo efetivos, e mantiveram Faber longe para evitar seus movimentos ofensivos e manter o brasileiro no controle da luta. Por duas vezes Barão quase acertou a cabeça do americano com chutes altos, levando muito perigo.
No terceiro round, Barão iniciou acertando uma joelhada e depois dos socos, que pegaram o americano, que tentou levar a luta para o chão, sem sucesso. No domínio da luta, o brasileiro seguia o que Dedé Pederneiras lhe dizia nos intervalos, e atacava a base de direita de Faber com chutes nas pernas. As tentativas de double leg do californiano eram afastadas com tranquilidade, mas a partir do minuto final do round, os chutes baixos do potiguar já não tinham o mesmo efeito. O americano conseguiu diminuir a differença para Barão, mas o brasileiro se mantinha tranquilo em seu plano de luta.
O quarto round mostrava um desgaste maior dos dois atletas, especialmente de Faber, que teve de se movimentar por não ter o domínio do centro do octógono. Renan Barão conectava golpes seguidos e pontuava sempre, enquanto o americano tinha mais dificuldade de acertar o brasileiro. Mesmo assim, Faber adotava com certa eficiência a estratégia de bater e sair rapidamente do raio de ação do brasileiro, pontuando com mais frequência. A menos de um minuto do fim do round, Barão acertou um bom soco no abdômen do americano, e dois bons diretos no rosto, fazendo o rival recuar, terminando o round em vantagem.
O quinto e decisivo round mostrou o americano mais agressivo no início, e o brasileiro controlando as suas ações, mais preocupado em não sofrer um golpe duro. Ambos soltavam jabs de direita, mas Barão acertava mais chutes, pontuando mais que Faber. Controlando as ações do americano e deixando o tempo passar, Renan Barão mantinha Urijah Faber à distância e acertava alguns socos que minavam a movimentação do rival. No fim, antes do anúncio oficial, o brasileiro já comemorava e mandava recados para a família, antecipando o que se conheceu após Bruce Buffer anunciar o novo campeão interino dos pesos-galos.
Presidente diz que mercado nacional é opção e reitera confiança em Zinho e no grupo do Fla: ‘Nosso time é extremamente capaz, bastante razoável’
Patricia Amorim em visita ao CT ao lado de Zinho (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)
Além do fraco desempenho do time no Campeonato Brasileiro, a gestão de Patricia Amorim tem sido criticada pela dificuldade nas contratações. Na última quinta-feira, após ser comunicada pelo diretor de futebol Zinho sobre o insucesso na tentativa de fechar com o meia Riquelme, a presidente mostrou-se desnorteada com o fracasso da negociação e tentou argumentar, dizendo até que o clube poderia abrir o cofre e aumentar a oferta. O dirigente, que havia cumprido todas as exigências do argentino, avisou que não adiantaria insistir.
Além da questão técnica, a chegada de um camisa 10 serviria também como trunfo político da presidente. Desde a saída conturbada de Ronaldinho Gaúcho, Patricia Amorim tenta dar uma resposta, tentando trazer um jogador de nome. A dirigente se aproximou do futebol nos últimos dias, alimentou esperança, mas acabou por amargar mais um "não". Além de Riquelme, o zagueiro Juan, que trocou o Roma-ITA pelo Inter, e o meia Diego, do Wolfsburg-ALE, foram tentativas frustradas.
- Me preocupo em fortalecer o trabalho do Zinho. Quem fala pelo futebol é o Zinho. A gente tem vice-presidentes que o acompanham, ele é um executivo atuante. Se as coisas não saíram, não era para sair mesmo. No caso do Riquelme, o Flamengo deu todas as garantias e fez todo o trabalho necessário. E a gente leu na imprensa hoje (sexta-feira) que o Boca (Juniors) só liberaria por empréstimo. Em relação ao trabalho com o agente dele foi tudo bem feito. No caso do Juan, a gente gostaria muito, mas temos um teto (salarial), temos uma realidade. Procuro passar essa segurança para o trabalho dele (Zinho), para que ele tenha autonomia e força para trabalhar. Não tem tragédia alguma, algo absurdo.
A avaliação que a presidente faz do elenco rubro-negro é positiva.
- Eu penso que o nosso time é extremamente capaz, um time bastante razoável. Temos jogadores experientes como o Léo Moura, Ibson, Vagner Love, o Cáceres chegou agora. E se quiser tem Adryan, Mattheus, Thomás. A gente tem peças de reposição. Está bom. Os resultados não vieram, por isso a gente tem que se preocupar. Temos sempre a intenção de reforçar o nosso time. Bons jogadores sempre interessam ao Flamengo. Pelo que o Zinho me passa, não tem nada fechado. Fechou a janela internacional, mas tem o mercado nacional – disse Patricia.
Não tem tragédia alguma, algo absurdo. Eu penso que o nosso time é extremamente capaz, um time bastante razoável. A gente tem peças de reposição. Está bom."
Patricia Amorim, presidente do Flamengo
No caso de atletas da Série A, o Flamengo pode contratar aqueles que ainda não passaram o limite de seis jogos por seus clubes, mas nomes de peso não estão disponíveis. Ao longo da sexta-feira, último dia da janela de transferências internacionais, os dirigentes tentaram contratar o meia Diego Morales, do Tigre-ARG. O vice de futebol Paulo César Coutinho foi a Buenos Aires, mas passou em branco. O zagueiro Sidnei, do Benfica-POR, também entrou na lista de possíveis reforços, mas não passou disso.
- Para jogar no Flamengo tem que de fato ter muita disposição. O Flamengo é sempre um clube muito visado. A gente não sabe o que acontece nos outros clubes, mas no Flamengo tudo é uma notícia, um acontecimento. Às vezes isso pode assustar alguns jogadores. Não assustou o Love, o Ibson. Estou tentando reproduzir palavras do próprio Zinho. Não é fácil. Ser presidente de um clube menor é mais fácil que ser presidente do Flamengo. A gente vai trabalhando, temos trabalhado. Ano passado foi um ano que ficamos um bom tempo invictos, chegamos à Libertadores. Esse ano está mais difícil, às vezes as coisas não fluem. Continuo muito confiante no grupo. Claro que sempre que chega mais uma peça soma. Às vezes o resultado não acontece, chega uma peça nova e traz um comportamento mais solto - comentou a presidente.
Assim como Zinho e o técnico Joel Santana, a mandatária aposta nos garotos revelados na base para a sequência da temporada.
- Se não vier ninguém, a gente vai jogar de igual para igual com todos os times com o grupo que temos, revelando os meninos, que são a marca do nosso trabalho. Do Paulo Victor ao Marllon, passando por Thomás, Negueba, Adryan, Mattheus, Diego Maurício, Muralha, Luiz Antonio. É um momento mais delicado, mais difícil. Vamos ver se o Flamengo joga bem contra o Cruzeiro e consegue trazer uma vitória para que a gente possa ter uma semana mais tranquila. Cada rodada é uma novela, uma emoção.
Patricia Amorim pediu licença da presidência do Flamengo e vai viajar na próxima quinta-feira para Londres para descansar e acompanhar a participação dos atletas rubro-negros nos Jogos Olímpicos. Ela ficará por lá até o dia 3 de agosto. Na ausência dela, o vice-presidente Hélio Paulo Ferraz assume.
O Flamengo enfrenta o Cruzeiro neste domingo, às 16h (de Brasília), no estádio Independência, em Belo Horizonte. O time tem 15 pontos e está em décimo .
Quatro anos após assombrar o mundo com oito ouros em Pequim, caçula da família mira o maior número de pódios da história antes do adeus
Londres-2012 será o fim da linha para Michael Phelps (Foto: Agência Getty Images)
Em Atlanta-2006, Debbie Davisson Phelps esteve perto de realizar o sonho de ver um dos seus filhos disputar os Jogos Olímpicos. Mas Whitney parou na final dos 200m borboleta da seletiva americana. A primogênita Hilary, também nadadora, nunca levou tão a sério o esporte para saciar as pretensões da mãe. Mal sabia ela que a "solução" estaria no caçula problemático. Apenas quatro anos depois, o adolescente Michael, aos 15 anos, resolveu “vingar” a irmã. Tomou gosto. Começava ali, em Sydney, a mais incrível história de um atleta olímpico. Já são três participações, 16 medalhas, 14 ouros e o recorde de vitórias em uma mesma edição: oito, em Pequim-2008. Cada conquista sempre celebrada com muitos beijos do caçula na mãe e nas suas duas fontes de inspiração. Para uma despedida à altura de sua biografia, em Londres, o xodó da família, de 27 anos, terá a chance de se jogar outras sete vezes nos braços do trio.
- Agora só resta definir qual o tamanho da cereja que eu quero colocar em cima do meu sundae - disse Phelps nesta semana.
O caso da família Phelps com a piscina começou cedo, com a filha mais velha. Hilary foi quem deu as primeiras braçadas do trio, na cidade de Baltimore. Chegou a quebrar recordes na fase escolar, mas sempre se viu dividida entre a dura carreira de uma atleta e a atraente vida social de uma adolescente. Whitney seguiu os mesmo passos da irmã mais velha e foi mais além. Com apenas 15 anos, foi bronze no Pan-Pacífico e esteve perto da classificação para os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996. Crônicas lesões, no entanto, prejudicaram e encurtaram a carreira profissional da filha do meio.
A mãe Debbie e as irmãs Whitney e Hilary sempre ao lado do xodó da família (Foto: Agência Getty Images)
Aos 11 anos, Michael já tinha iniciado sua trajetória na natação quando viu a irmã chegar tão perto do fascinante mundo das Olimpíadas. A frustração de Whitney virou a inspiração do caçula. O menino portador de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e que sofria com o divórcio dos pais passou a se concentrar em um só objetivo: ser um campeão olímpico. Em Sydney-2000, aos 15 anos, um quinto lugar nos mesmos 200m borboleta da irmã serviu como cartão de visitas.
Quatro anos mais tarde, Atenas recebeu um Michael completo, preparado. O corpo já tinha as medidas perfeitas para um nadador de sucesso. Os incríveis braços compridos, com envergadura de 2,01m, bem além de sua altura: 1,93m. Os pés, que calçam número 48, servem como bons pés-de-pato. Além disso, sempre teve uma enorme flexibilidade nos braços e pernas. Com a máquina pronta, impressionou o mundo ao colocar no peito, para orgulho de Debbie, Hilary e Whitney, seis medalhas de ouro e duas de bronze. Mas o melhor ainda estava por vir.
Phelps é recordista de ouros em uma mesma edição das Olimpíadas (Foto: Agência Getty Images)
Parecia impossível ir além. Não para ele. A paixão por novos desafios fez surgir uma nova marca histórica a superar: os sete ouros olímpicos do nadador Mark Spitz em Munique-1972. Determinado e predestinado, fez o que precisava nas cinco provas individuais e contou com a sorte e o talento dos amigos para garantir outros três ouros em Pequim-2008. Sempre torcendo na arquibancada do Cubo D’água entre as duas filhas, Dona Debbie colecionou flores, um mimo dado pelo caçula todas as vezes que subia ao pódio. Sem contar com o festival de beijos e abraços.
A mãe do maior atleta olímpico da história só não deve ter aprovado os rumos que Phelps deu para sua carreira depois de Pequim. Cansado da dura rotina de treinamento e sem objetivos para seguir buscando, se deu longas e intensas férias. Foi nesse período que foi flagrado consumindo maconha em uma festa. As doses de golfe, videogames, mulheres e noitadas ficavam cada vez mais intensas. As consequências da vida desregrada ele pôde conhecer no Mundial de Roma-2009, quando sentiu pela primeira vez o gostinho da derrota ao ser superado pelo alemão Paul Biedermann, nos 200m livre. A partir daí, passou a ter de dividir também o seu espaço com o amigo e compatriota Ryan Lochte, destaque do Mundial de Xangai-2011, com cinco ouros, e seu principal rival atualmente.
Em Xangai, a namorada Nicole entrou na 'disputa' pelo carinho do campeão (Foto: Agência AFP)
Ainda que aos trancos e barrancos, o fenômeno americano foi tomando as rédias de sua carreira. No Mundial da China, em 2011, levou quatro ouros (dois em provas individuais e dois em revezamentos) e duas pratas. Tudo sob os olhos atentos das mulheres de sua vida, que, desta vez, tiveram de se apertar um pouco mais na arquibancada para dar lugar à nova quarta integrante da torcida organizada: a bela namorada Nichole Johnson.
No mês passado, Phelps foi bem na seletiva dos EUA, se classificou em oito provas e acabou abrindo mão de uma delas: os 200m livre. Mas vai ficar devendo em Londres a sua versão velocista. Depois de Pequim, ele chegou a dizer que pretendia buscar novos desafios e disputar provas diferentes, como os 100m livre. Alguns testes não muito bem sucedidos, porém, lhe mostraram que era melhor não mexer em time que já ganhou tanto.
As provas na Inglaterra serão praticamente as mesmas de Pequim: 200m e 400m medley, 100m e 200m borboleta e os três revezamentos. A única diferença é justamente os 200m livre. Sete disputas em Londres são mais que suficientes para Phelps atingir outra incrível marca. Com 16 medalhas olímpicas (14 delas de ouro), só precisa de outras três para superar o recorde de pódios olímpicos da ginasta russa Larissa Latnynina, que somou 18 entre 1956 e 1964.
O título de maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos encerraria com categoria a carreira do nadador. Mas quem disse que Dona Debbie está satisfeita? Ela quer mais. No mês passado, em uma entrevista à imprensa americana, pediu para o filho esticar a carreira até 2016 para ela conhecer o Brasil, nem que fosse “para nadar só os 50m livre”. Afinal, sem medalhas, a mãe coruja não terá mais garantias de tantos beijos e flores distribuídos pelo filho caçula.
Depois de subir ao pódio para buscar mais uma medalha, Phelps sempre dribla a imprensa, sobe nas arquibancadas e se joga nos braços de suas maiores 'fãs' (Foto: Agência Getty Images )