quarta-feira, 25 de julho de 2012

FLAMENGO



Técnico terá encontro com Zinho para acertar detalhes do contrato com Fla


Dorival Júnior técnico Inter (Foto: Tomás Hammes / GLOBOESPORTE.COM)Dorival Júnior deve ser anunciado nesta quarta
(Foto: Tomás Hammes / GLOBOESPORTE.COM)
Dorival Júnior chega ao Rio nesta quarta-feira e deve ser anunciado como novo técnico do Flamengo. O treinador, que se desligou oficialmente do Inter nesta terça, desembarca na capital carioca pronto para ficar e iniciar o novo trabalho. Assim que estiver na cidade, ele terá um encontro com o diretor de futebol Zinho para acertar os detalhes do contrato e assinar. Só algum fato fora do comum impedirá o acordo. É provável que o técnico vá ao treino da equipe no Ninho do Urubu na parte da tarde, às 15h.

Dorival, que tem 50 anos, é um desejo de Zinho. A comissão técnica dele é composta por dois auxiliares (Lucas Silvestre e Ivan Izzo) e um preparador físico (Celso de Rezende). Especulou-se que toda a equipe custará ao Flamengo R$ 800 mil por mês, mas o treinador e o diretor negaram.
O Flamengo enfrenta a Portuguesa nesta quinta-feira, pela 12ª rodada do Brasileirão, no Engenhão. O auxiliar Jaime de Almeida tem coordenado os treinos da equipe, mas a vontade de Dorival é assumir de imediato. A partida será às 21h (de Brasília).
Em entrevista coletiva concedida nesta terça, Zinho confirmou o interesse no técnico e o elogiou.
- Eu tenho interesse no Dorival. Eu quero. Eu quero o quanto antes poder conversar com ele também. É um nome muito bom. Espero que a gente tenha uma conversa – disse o dirigente, que enxerga no treinador o profissional moderno que ele procura para o atual momento do Rubro-Negro.

O interesse é mútuo. Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, o treinador mostrou-se empolgado.

- Quem não gostaria de conversar sobre a possibilidade de trabalhar no Flamengo? - afirmou.
Histórico recente é de altos e baixos
Dorival Júnior foi demitido pelo Inter na última sexta-feira. O treinador sofria fortes contestações da torcida. A situação piorou após a derrota por 3 a 1 para o Atlético-MG, em Belo Horizonte. Contratado em agosto de 2011, treinou o time gaúcho em 63 partidas, com 33 vitórias, 12 derrotas e 18 empates e 61,9% de aproveitamento. Conquistou o título da Recopa Sul-Americana e o Gauchão deste ano. Não resistiu, porém, ao fraco desempenho durante a atual temporada. Na Libertadores, o Inter se classificou para a segunda fase como pior segundo colocado.
Eu tenho interesse no Dorival. Eu quero. Eu quero o quanto antes poder conversar com ele também. É um nome muito bom"
Zinho
O técnico deixou o time na oitava colocação no Brasileirão, com 16 pontos. Foram quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas. A direção entendeu que a campanha poderia ser melhor no nacional, mesmo com todos os desfalques, como Oscar e Leandro Damião - cedidos para a Seleção que disputa os Jogos Olímpicos de Londres.
Antes do Colorado, o treinador trabalhou no Atlético-MG. Chegou ao clube no fim de setembro de 2010. Naquele momento, faltavam 14 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, e o Galo estava na zona de rebaixamento. Com um aproveitamento de 57% dos pontos, Dorival teve sete vitórias, três empates e quatro derrotas, números que livraram o time da degola e ainda deram vaga na Copa Sul-Americana da temporada seguinte.
Em 2011, no entanto, o desempenho caiu. O Galo foi eliminado na Copa do Brasil pelo Grêmio Prudente (atual Grêmio Barueri) e perdeu a final do Mineiro para o rival Cruzeiro. No total, comandou o Atlético-MG em 50 jogos, com 25 vitórias, dez empates e 15 derrotas.
Dorival também conduziu o Santos na conquista do Paulistão e da Copa do Brasil de 2010. O treinador deixou o clube depois de um desentendimento com o atacante Neymar. Em 2009, o treinador ajudou a reconduzir o Vasco à elite do Brasileiro com a conquista da Série B
.

LONDRES 2012



Quando menina, desafiava amigo: 'Bate forte!'. Assim aprendeu a defender, trocou futebol por vôlei, vibrou com outro Marcelo, o Negrão, e ganhou ouro


Quase xará de um campeão olímpico, Marcelo Negão era o maioral do vôlei no condomínio Parque Novo do Irajá no começo dos anos 90. Fosse com o sol rachando a quadra ou o mormaço invadindo o bairro cortado pela Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o adolescente, mais forte e mais alto da turma, subia como uma águia para a cortada rasante e indefensável. Era ponto certo. Todo garoto queria ser como ele. Soberano. Um dia, uma menina lourinha, magrinha, habilidosa com a bola nos pés e nas mãos - jogava futebol, basquete e o concorrido voleibol -, começou a aprontar.
Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabizinha, no início marcava o placar dos garotos. Até que uma vez ganhou uma chance. E não tinha medo das pancadas. Ralava-se no chão para fazer a defesa como se ali estivesse em jogo a medalha de ouro. Sempre com uma manchete ou um mergulho, puxava contra-ataque mortal para o seu parceiro em dupla. Passe para o ponto. Ou então, um bloqueio consagrador. Não tinha jeito. Marcelo Negão começava a perder ali o reinado.
fabi vôlei especial (Foto: Arquivo Pessoal)Foi dessa janela que Fabi começou a olhar os
meninos jogando vôlei (Foto: Arquivo Pessoal)
A menina passou a ser a sensação do condomínio. Já era a dona do par ou ímpar para escolher o time. Para desespero de sua mãe, dona Vera, na época radicalmente contra. As surras não adiantavam. Fabizinha continuava sem medo das pancadas. E o vôlei virou obsessão. Após os jogos de duplas, ficava até tarde treinando defesa. O próprio Marcelo Negão virou "sparring". Ele cortava com toda força, de todos os lados. Fabizinha cada vez se saía melhor. E ainda desafiava. Pedia para o amigo mandar mais forte.
- Marcelo Negão chegou a quase profissional. Batia com mais vontade ainda em cima dela. E a Fabiana ainda provocava. Falava: "Bate com mais força, bate que nem homem!". Você vê, com aquele tamanho todo ela já tinha liderança. Depois no Rio de Janeiro, ela dando bronca em gigante... Eu falo sempre: tu ainda vai apanhar - disse o irmão e fá número 1, Maurílio Alvim, hoje dentista em Duque de Caxias.
A essa altura, o ídolo Zico, que a menina tentava imitar nas peladas de futebol com os garotos, perdia um pouco de espaço para os astros de vôlei. Nas Olimpíadas de 1992, já com 12 anos, grudada na TV em todas as partidas do time masculino, Fabi já vibrava com Giovane, Tande. E com as cortadas de Marcelo. Mas o Marcelo Negrão.
- Levava muito a Fabiana ao Maracanã, o ídolo dela sempre foi o Zico. No vôlei, Tande, Marcelo Negrão e todos aqueles. Eu trazia autógrafo para ela naquela época, em 92. Aí ela passou a gostar mais de vôlei - afirmou o pai, o bem-humorado taxista João Maurílio, na época motorista de jornalismo da TV Bandeirantes.
O ouro conquistado em Barcelona reluziu forte em Irajá. Fabizinha passou a ser destaque também do time do colégio, o Tarsila do Amaral. Foi vista por um treinador e indicada para o Grêmio Recreativo de Vista Alegre. De lá partiu para o Flamengo, time de coração. Das quadras do subúrbio ao duro caminho diário rumo à Gávea, nascia mais uma campeã. Fabizinha, a Fabi. Com a pronúncia Fabí , tônica na letra "i". Dando mais força à menina, que ao desafiar a fera da patota aprendeu a defender. E, ao desafiar o desejo dos pais, mostrou personalidade. Assim trocou o futebol pelo vôlei. Assim virou referência, descobriu o caminho do ouro em Pequim em 2008. E agora, a líbero do Rio de Janeiro volta a sonhar com o olimpo em Londres.
A escalada de Fabi é a quarta história da série "Como Nascem os Campeões", que começou domingo, com Cesar Cielo. Depois, continuou com Maurren Maggi e Robert Scheidt. Na quinta-feira, termina com o ginasta Diego Hypolito.
Das surras à Gávea
Antes do duro caminho diário de Fabi rumo à Gávea para os treinos, nada foi fácil para Fabi. A começar dentro de casa. O pai, João Maurílio, e a mãe, Vera, manicure na época, eram radicalmente contra a menina no meio dos garotos jogando futebol e vôlei. Queriam que ela estudasse, seguisse uma carreira. Fabiana bem que tentou. Mas a bola era sua paixão.
- Eu trabalhava como manicure das sete da manhã à meia-noite. Dava muito duro. Ela chegava do colégio e já corria para a quadra. Eu gritava: "Fabiana, vai estudar!" Pegava o chinelo e ia atrás dela, que pedia: "Mãe, para de me fazer passar vergonha!". Eu tinha bronca do Marcelo Negão, ele incentivava a Fabi a jogar võlei. Ainda por cima, tinha o outro que cismava de jogar baralho com ela. Eu dizia: "Isso é coisa de homem!" Uma vez, falei: "Um dia vou quebrar o cabo da vassoura e dar em você, Fabiana." Eu batia, mas ela não chorava na rua. Só dentro de casa.  Um dia, ela me disse: "Não adianta, você pode me bater até me matar, mas não vou deixar de jogar vôlei. Ainda botei dois meses no balé, mas teve jeito. Aí, desisti e aceitei" - disse Vera.
HQ Fabi (Foto: arte esporte / cláudio roberto)
A mãe, que hoje mora em Matias Barbosa, cidade mineira a 180km do Rio de Janeiro, passou a ser, aos poucos, a grande aliada de Fabi. Após uma partida de vôlei no colégio Tarsila do Amaral, a garota despertou o interesse do treinador Eduardo Monteiro. Ele a levou para o Grêmio Recreativo de Vista Alegre e garantiu a Dona Vera que teria futuro no esporte. Mas foi só após uma conquista da filha no Intercolegial, no Shopping Carioca, que o coração de mãe foi definitivamente convencido.
- Lembro como se fosse ontem. Ela chegou com a medalha no peito e avisou: "Mãe, olha bem pra isso aqui! Você ainda vai me ver na televisão, dando entrevista!" Ela sempre foi determinada e confiante. A partir dali, passei a acreditar também.
Quando ela perdia, o rosto ficava vermelho de raiva. Ficava reclamando: 'Você deu mole, fez isso, fez aquilo.'"
Rodrigo Safaday
A confiança aumentou mais quando Eduardo a levou para o Flamengo. A família entrou em transe. Todos em casa sempre foram rubro-negros. Mas o caminho era longo. Dois ônibus, quase duas horas. Para ir e voltar. Não era fácil. Fabi precisava ter paciência, perseverança. Os pais davam duro para conseguir as moedas da passagem. O irmão, Maurílio, era um dos maiores fãs e incentivadores.
- Lembro bem da determinação dela, saía de Irajá para pegar dois ônibus para treinar, sem condições financeiras, nossa família era bastante pobre... Ela era assaltada às vezes no caminho, chegava em casa altas horas chorando que tinha perdido o relógio... Depois, comecei na faculdade, às vezes saía após uma prova e ia buscá-la. A Gávea fechava 10 horas da noite, ela ficava do lado de fora com os amigos no portão esperando eu chegar. Foi bem sofrido. Digo que hoje ela colhe os frutos do trabalho de uma sementinha que plantou no passado.
Outra testemunha da disposição de Fabi em treinar é a professora Jurema da Silva, do Colégio Tarsila do Amaral, em Irajá. Olhando o razoável boletim da aluna - a nota C imperava -, dava para perceber: a cabeça estava mais na bola do que na sala de aula.
- Ela gostava demais de ir para o treino. Era engraçado... Quando era para ir para casa, dizia que queria ficar comigo, na minha casa. Entrava no armário... Mas quando saía daqui e tinha que ir para o treino, não se escondia não. Tinha que descer para ir embora rápido - afirmou Jurema, elogiando o comportamento da aluna.
Duro caminho
Se no começo o trajeto para o sonho de Fabi parecia pesadelo, pouco depois as coisas começaram a melhorar. Principalmente quando Rogério Lourenço, ex-zagueiro do Flamengo nos anos 90, hoje treinador no mundo árabe, passou a lhe dar carona na volta, à noite.
- Quando os horários combinavam, eu dava carona para ela na volta, à noite. Mas isso não foi nada, ela faria o mesmo por mim. Tínhamos uma convivência ótima, ela era praticamente uma irmã. Nossas famílias sempre foram muito próximas, os pais da Fabi compraram o apartamento dos meus pais, lá em Irajá. Jogávamos bola juntos, vôlei, tudo.
Rogério pode falar com autoridade sobre as qualidades e a determinação da amiga. Afinal, ele também percorreu o duro caminho de Irajá até a Gávea para se tornar atleta.
- Eu tenho 41 anos. Sou nove anos mais velho do que ela. O Marcelo Negão ainda é mais velho do que eu. Imagina, ele tinha todo jeito de que seria jogador de vôlei profissional. Largava a bola mesmo, sem piedade. Imagina uma garotinha ali pegando aquelas pancadas. Ela mostrou logo jeito para a coisa, se destacava no grupo cheio de meninos. No futebol, então, entrava no meio dos garotos e dava show. Tenho moral para falar sobre isso, né? Virei jogador do Flamengo....
Outro amigo dos tempos de Irajá, Rodrigo Lima, o Safaday, que ainda mora no condomínio, é outro que garante: se a escolha tivesse sido para o futebol, Fabi também faria sucesso.
- A Fabizinha jogava uma bola danada. Dava lençol, carrinho, a quadra era rala-coco. Tinha talento para futebol e vôlei. Fazia só golaço. A gente jogava salão, ela era mais ala. Tomei gol dela... Aí, quando fomos pro vôlei, finzinho da tarde... Marcelo Negão era um monstro cortando. Ela bloqueava, cortava direitinho, tomava medalhão... A diferença era de uns cinco, seis anos de idade. Devia ter uns 12 anos.... O pessoal abraçou a Fabiana. Quando ela perdia, o rosto ficava vermelho de raiva. Ficava reclamando: "Você deu mole, fez isso, fez aquilo." Ela cobrava. "Por que não bloqueou?" De umas 10 partidas, saía umas duas vezes. O resto da turma era rodízio.
vôlei fabi pequim 2008 (Foto: Agência EFE)Perfeita na defesa e no passe, Fabi é uma das melhores jogadoras do mundo (Foto: Agência EFE)
Líbero de ouro
Marcelo Negão não seguiu carreira no voleibol e deu uma sumida da área. Fabi aparece de vez em quando nos churrascos de fim de ano em Irajá. E deu uma sequência à carreira de orgulhar os amigos. Ainda no Flamengo, a então atacante foi agraciada com as mudanças no regulamento. Entre elas, foi criada a função de líbero. Notícia melhor não podia ter acontecido.
- Ela começou como atacante. Mas como uma menina de um metro e setenta vai ser atacante? Aí surgiu a posição de líbero. Ela se encaixou. Até hoje fala que queria saber quem inventou essa posição - disse o pai, João Maurílio, que ganhou da filha um apartamento em Botafogo, onde fica durante a semana até ir ao encontro de Vera em Matias Barbosa.
Custei a perceber a dimensão de tudo isso"
Vera Alvimi
Depois da criação da posição de líbero, a carreira de Fabi engrenou de vez. Do Flamengo, foi para o Macaé em 1998. Uma temporada depois, o Rubro-Negro a pegou de volta. Mas Isabel a levou logo para o Vasco, onde conquistou o título carioca de 2000 e começou a aparecer mais. Até que o Campos lhe fez uma proposta. Lá, treinada por Luizomar Moura, jogou até 2005 e foi tricampeã estadual em 2001-02-03.
- Isabel foi muito importante na carreira da Fabi. Pessoa fundamental. Ficamos amigas. Depois, o Luizomar também. Fui a uma partida no Tijuca Tênis Clube. Era Campos x Rio de Janeiro. Vi um lance que me deixou impressionada, arrepiada. Ela defendeu a bola com o pé! Foi uma defesa espetacular. Aí eu me perguntei: será que esta menina vai mesmo longe? - disse Vera, que é o braço direito da filha e cuida de tudo, até de compra de apartamento.
Na verdade, a emoção de Vera ao ver Fabi defendendo com o pé foi recorrente das quadras de Irajá. A habilidade com o futebol ajudou muito. Como profissional, Fabi se aprimorou. Os fundamentos para ser líbero beiravam a perfeição. O passe também. Àquela altura, se tornava uma jogadora completa. A ida para o Rio de Janeiro, em 2005, selou a fase de ouro. Na seleção brasileira, viveu a glória. Tetracampeã do Grand Prix (2005, 2006, 2008 e 2009), penta sul-americana (2003, 2005, 2007, 2009 e 2011). E, o melhor, o ouro olímpico em Pequim. Ainda por cima, sendo eleita a melhor líbero - antes, tinha sido MVP no Sul-Americano em 2009. O voleibol de Fabi virou referência no mundo. Mas no meio disso tudo, houve decepções.
MONTAGEM vÔlei fabi (Foto: Editoria de arte / Globoesporte.com)De Irajá para o mundo, a trajetória de Fabi no álbum de família (Foto: Editoria de arte / Globoesporte.com)
- O que marcou negativamente foi o primeiro corte. Na Pré-Olimpíada, oito anos atrás (Atenas-2004), ela e Leila foram cortadas na véspera das Olimpíadas. Isso deu um trauma na família muito grande. Depois, veio aquela derrota para a Rússia, depois de uma vantagem por 24 a 19 quando ia fechar o terceiro set, e o Brasil deixou virar. Aí, no ano seguinte, de novo, na véspera do corte, pensei: "Não é possível, jogando o filé que estava jogando..." Mas aí ela foi convocada, e  coroada com a medalha de ouro. Agora bateu ansiedade de novo, véspera de convocação... O topo dela foi quando se consagrou campeã olímpica - disse Maurílio, emocionado.
A imagem da vibração final, com a narração de Galvão Bueno no ouro olímpico, a mãe entrando ao vivo no ar, não lhe sai da cabeça. João Maurílio, o pai, lembra também os tempos das vacas magras. Ao visitar o condomínio de Irajá, olhou para a janela de onde espiava, com Fabi, as peladas da garotada. Foi ali que a menina viu o sonho começar. Foi só descer a escada para começar a realizá-lo.
- Você sabe que até hoje não assisti ao DVD do ouro em Pequim? Não quis rever ainda. Acho que vou fazer isso se vier outra medalha de ouro. Custei a perceber a dimensão de tudo isso. Naquele dia, estava cega, surda e muda. Agora, não sei se virá um ouro. Mas uma medalhinha acho que teremos. O que mais importa é que minha filha está feliz - afirmou a mãe Vera, sonhando com outros dias felizes.  E o Brasil agradece à família Alvim de Oliveira.
vôlei festa brasil feminino campeão medalha de ouro pequim 2008 (Foto: Agência Reuters)A festa após a conquista do ouro em Pequim-2008: o sonho estava realizado (Foto: Agência Reuters
)

terça-feira, 24 de julho de 2012

CORINTHIANS



Volante e zagueiro tinham ficado fora do treino na segunda por conta do desgaste, mas estão confirmados no time. Paolo Guerrero pode estrear

O Corinthians está definido para o confronto desta quarta-feira, contra o Cruzeiro, às 21h50, no estádio do Pacaembu, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com Chicão e Paulinho de volta (os dois não treinaram na última segunda-feira), Tite terá apenas o desfalque de Douglas, suspenso. Nesta terça-feira, como de costume, o técnico comandou um treino fantasma, com os 11 titulares em campo sem adversário do outro  lado.

No trabalho, ele armou a equipe com quatro jogadores na frente. Danilo, Emerson, Romarinho e Jorge Henrique. Com a bola nos pés, Danilo e Emerson adiantavam mais e os outros atacantes abriam pelas pontas. Paulinho se aproximava do grupo da frente. Já sem a bola, o esquema mudava um pouco e os quatro recuavam para ajudar na marcação, formando um 4-2-4.
Treino do Corinthians (Foto: Gustavo Serbonchini / Globoesporte.com)Tite conversa com os jogadores titulares antes do treino (Foto: Gustavo Serbonchini / Globoesporte.com)
Este é o esquema que Tite usa desde que Liedson caiu de rendimento e perdeu espaço no time titular. A única diferença é que, anteriormente, Alex fazia o mesmo papel que vem sendo realizado por Romarinho. Ele, por sinal, foi um dos cobradores de falta na atividade. Tite trabalhou as bolas aéreas ofensivas e o atacante foi o responsável pelos cruzamentos.
Assim, a provável escalação do Timão para pegar a Raposa deve ser: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Jorge Henrique, Emerson Sheik e Romarinho.

Na reserva, Tite levará o recém-contratado Paolo Guerrero. O peruano teve sua situação regularizada na CBF e será opção para o ataque. Ele vai para o banco com a camisa 9, que era de Liedson. O Levezinho está afastado do grupo principal enquanto aguarda o término de seu contrato. O fim do vínculo será no dia 31 e ele já tem seis partidas no Brasileirão. Caso faça mais uma, fica impedido de jogar por outro clube da Série A nesta temporada.

Juan Manuel Martínez, que também foi contratado nesta janela de transferências, segue aperfeiçoando a forma física. O argentino realizou juntamente com o restante do grupo o aquecimento e o rachão. Enquanto Tite trabalhou os titulares, ele e os reservas fizeram um treino em campo reduzido. O atacante ainda aguarda a liberação da CBF para ter condições de estrear
.

VASCO



Meia diz que é amigo de Zinho, diretor de futebol do Rubro-Negro, mas não recebeu proposta. Cristóvão desmente o jogador


Felipe no treino do Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Site Oficial do Vasco da Gama)Apesar de incomodado, Felipe permanece no
clube  (Foto: Marcelo Sadio / Site Oficial do Vasco)
Depois da notícia do interesse do Flamengo em ter Felipe, do Vasco, o jogador deu entrevista depois de participar do treino desta terça-feira, em São Januário, e negou a possibilidade de defender o Rubro-Negro. A diretoria do arquirrival teria oferecido um salário de R$ 500 mil ao atleta, de 34 anos, na tentativa de contratá-lo.
O Fla já levou um "não" de outros jogadores que tentou para a posição, como Diego, do Wolfsburg, e Riquelme, do Boca Juniors. Felipe, no entanto, disse que não chegou a receber uma proposta.
- Não houve proposta nenhuma. O Zinho é um amigo particular, mas não encontrei com ele. Tenho contrato com o Vasco e não pretendo sair do clube. Até fico impressionado com a criatividade das pessoas. Estou buscando meu lugar, como vou sair? Nunca pensei em sair. Ampliei meu contrato (até o fim de 2013) e quero encerrar a carreira no Vasco. Estou com a cabeça tranquila, nunca pensei em sair, mas como existem pessoas que querem tentar me prejudicar, acabam inventando alguma especulação - afirmou o meia, sem citar nomes.
É verdade, existiu. Mas ele é jogador do Vasco, tanto que renovou contrato há pouco tempo"
Cristóvão Borges
O técnico Cristóvão, entretanto, o desmentiu. Ele disse que Felipe contou sobre a proposta do Flamengo. O comandante cruz-maltino afirmou que considera o jogador uma "peça importantíssima" e não deseja sua saída.
- Hoje (terça) conversei um pouco com o Felipe sobre isso. É verdade, existiu. Mas ele é jogador do Vasco, tanto que renovou contrato há pouco tempo. Essa é uma carência do Flamengo, que não conseguiu um jogador com o perfil dele até o fechamento da janela. Mas da nossa parte não existe qualquer interesse em nos desfazer do Felipe. É uma peça importantíssima e vai continuar com a gente. Ele está relacionado para o jogo contra o Botafogo.
Do lado rubro-negro, Zinho disse que, por respeito ao Vasco e ao presidente Roberto Dinamite, não fez contato com Felipe. O diretor do Fla disse que o meia tem que resolver os problemas dele com o time da Colina.

- Felipe é meu amigo, joguei com ele no Flamengo, fomos campeões juntos, mas é jogador do Vasco, com contrato com o Vasco, não tenho contato nenhum com ele nesse sentido. Nos encontramos muito pouco nessa minha volta ao Brasil, não quero nenhum tipo de problema. Ele que resolva o problema dele com o Vasco. Felipe é jogador do Vasco e respeito principalmente o Roberto Dinamite (presidente). Se ele não quer ficar no Vasco, li que não quer mais jogar, enfim... É um cara profissional, sério, o problema é dele com o Vasco da Gama. Nem vou comentar um negócio desse. É bom jogador? Excelente. Mas é jogador do Vasco. Se não joga no Vasco, aí é outra situação - disse Zinho.
Nesta quarta-feira, no clássico com o Botafogo, no Engenhão, Felipe estará entre os relacionados. O jogador não escondeu que está incomodado com o fato de não ser titular, algo incomum durante sua carreira.
- Devo ficar no banco. Não estou preocupado se tenho seis ou sete jogos. Todo mundo quer jogar, isso é normal. Mas infelizmente só jogam 11. Para quem está começando já é complicada esta situação, e para mim é uma novidade. Sempre fui titular, esta é uma situação nova. Depois de velho tenho que me acostumar
.

LONDRES 2012



Treinador admite que seria melhor que Neto estivesse atuando com mais constância na Fiorentina, mas acredita em bom desempenho nesta sexta


Rafael Cabral foi titular em toda a preparação da Seleção olímpica. Porém, faltando quatro dias para a estreia nos Jogos de Londres, contra o Egito, na próxima sexta-feira, às 15h45m (de Brasília), em Cardiff, no País de Gales, o goleiro sofreu uma contusão no cotovelo e acabou cortado. Com isso, Neto, ex-Atlético-PR e atualmente na Fiorentina, se tornou o titular de Mano Menezes. Nesta terça-feira, no mesmo dia em que o anúncio do corte foi confirmado, Mano fez questão de dar total confiança ao substituto.
- Estar preparado significa que já temos um novo goleiro titular. Ele vai fazer o jogo de estreia. Temos plena confiança. O fato de não ter jogado é circunstancial. Rafael há bem pouco tempo não tinha jogado. A opção por ele aconteceu porque ele vinha atuando no Santos e o ritmo favorecia. Neto está habituado à Seleção, tem sido chamado desde as primeiras convocações e está preparado para desempenhar a função. Temos confiança em sua capacidade.
Mano Menezes na coletiva em Londres olimpíadas (Foto: AP)Mano Menezes durante a entrevista coletiva nesta terça em Cardiff, no País de Gales (Foto: AP)
O treinador afirmou também que a mudança de goleiro não fará diferença na disposição da equipe em campo no jogo de estreia.
- Não temos uma mudança de característica significativa a ponto de fazer uma alteração no estilo de jogo. Os nossos goleiros se encontram em um nível parecido. Tanto o Neto, como o Gabriel. Os dois têm a nossa confiança e não tenho nenhum tipo de preocupação quanto a isso. Vamos dar apoio aos dois e serão os dois atletas que vão representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.
Nesta quarta-feira, às 13h (de Brasília), a Seleção vai realizar uma atividade na Cardiff University, O confronto entre Brasil e Egito será transmitido ao vivo pelo Sport e em Tempo Real pelo GLOBOESPORTE.COM
.

CORINTHIANS



Corinthians tem levado 22 mil torcedores por jogo. 'É incrível', diz Paulo André

A torcida do Corinthians tem marcado presença em todos os jogos nesta temporada. Valendo alguma coisa ou não. Na partida do último sábado, por exemplo, os alvinegros lotaram as arquibancadas do Pacaembu com mais de 31 mil pessoas para assistir ao confronto contra a Portuguesa, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para o zagueiro Paulo André, todo este apoio é fundamental para a equipe crescer no nacional e chegar bem no fim do ano à disputa do Mundial de Clubes, no Japão.
torcida Corinthians final Libertadores (Foto: EFE)Torcida do Corinthians faz a festa no tobogã do Pacaembu (Foto: EFE)
Até o momento, o Timão aparece apenas na 12º colocação no Brasileiro, com 12 pontos, 16 a menos que o líder Atlético-MG. Esta é a melhor posição da equipe na competição desde o início.
– A torcida do Corinthians é incrível. Apoia, comemora, cobra… Independentemente da campanha do time, comparece ao estádio. Ainda é reflexo da conquista da Libertadores e do que fizemos neste ano. Esperamos corresponder em campo – disse o zagueiro.
Por mais que tenha privilegiado a participação na Taça Libertadores e deixado de lado o Brasileirão, o Corinthians é a equipe que leva o maior número de torcedores para o estádio. São mais de 22 mil torcedores por partida. O segundo colocado, Sport, leva pouco mais de 19 mil, em média.
Durante a Libertadores, o público do Corinthians chamou a atenção. O estádio esteve sempre cheio e em alguns jogos os ingressos se esgotaram em poucos minutos, caso da finalíssima, contra o Boca Juniors, e da semifinal, diante do Santos.
Mas Paulo André sabe que a torcida não vai aturar rendimentos abaixo do esperado. Ele acredita que os mais de 31 mil de sábado, que não deixaram de apoiar um minuto sequer a equipe, vão deixar de comparecer caso o Corinthians caia de rendimento.
– Só vai encher o estádio se (a gente) cativar a torcida. Todo mundo quer ver o campeão da América, mas se não jogar bem dois jogos seguidos, por exemplo, não vai ter apoio – explicou o zagueiro.
O empate em 1 a 1 contra a Portuguesa quebrou uma série de duas vitórias do Timão – 2 a 1 contra o Náutico e 3 a 0 diante do Flamengo. O Corinthians ainda não conseguiu vencer três jogos seguidos no Brasileiro. O time oscilou no começo por conta da Libertadores e demorou alguns jogos para engrenar após a conquista do título inédito.
Nesta quarta-feira, o Corinthians terá, ao que tudo indica, um bom público para o confronto contra o Cruzeiro, no Pacaembu. Mais de 11.500 ingressos foram vendidos de forma antecipada. A comercialização segue até o início do jogo, que começa às 21h50m
.

LONDRES 2012



Obstinação do velejador em treinamentos terrestres explica sucesso aquático dele. Relação com o esporte vem desde a infância


Robert Scheidt
 precisou da terra para mandar na água. Não tivesse uma alma de anfíbio, os bichos que se adaptam aos dois ambientes, não teria garimpado tantos metais em Olimpíadas: ouro em Atlanta, ouro em Atenas, prata em Sydney, prata em Pequim. O fenômeno da vela mundial é o fruto mais nutritivo da onda de talentos saída das represas e mares brasileiros. Suas façanhas são explicadas um pouco pela influência da família, um pouco pelo talento natural, um pouco pelo ambiente propício à evolução e um tanto pelo esforço sobrenatural, diferenciado, para atingir a perfeição.
Robert Scheidt infância vela  (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)Alegria na água: Scheidt se sentia em casa ali desde criança (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)
Robert começou a velejar ainda criança, porque outros integrantes da família Scheidt já velejavam. Desde o início, esteve entre os melhores, mesmo competindo com atletas mais velhos. Assim que começou a treinar, foi comandado por um ótimo professor e dividiu águas com atletas de altíssimo nível. E, acima de tudo, ofereceu à vela uma dedicação que nenhum outro atleta teve.
Assim nasceu um campeão. Um, não: um dos maiores. Além dos feitos olímpicos, tem 11 conquistas mundiais.
A história de Scheidt é a terceira da série "Como Nascem os Campeões". Domingo, o especial começou com Cesar Cielo. Na segunda-feira, a personagem foi Maurren Maggi. Na quarta-feira, seguirá com Fabi, do vôlei. Na quinta, Diego Hypolito, da ginástica olímpica, é o último.
A água como habitat natural
Robert Scheidt infância vela  (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)Scheidt com apenas dois anos já velejava com o 
pai (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)
As águas eram um habitat tão natural para Robert, quando criança, quanto a casa dele. O menino de cabelos claros, quase brancos, nasceu em uma família de velejadores. Era uma paixão que o pai dele, Fritz, já tinha passado a seus dois irmãos, Thomas e Carla.
Com dois anos, Scheidt já acompanhava a família em incursões na água. Primeiro, usava boias nos braços. Depois, nadava com naturalidade. Adorava aquela rotina - desde pequeno, tem a pele bronzeada como um traço físico inconfundível.
Mas ele começou a velejar mesmo aos nove anos, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Sua atividade, porém, ficou muito pouco tempo restrita àquele espaço. Ele logo rumou para o YCSA (Yacht Club Santo Amaro), na capital paulista. Foi ali que encontrou seu desenvolvimento, sua base. Foi ali que começou a construir suas medalhas.
A turma era das boas. O treinador dele foi Dudu Melchert, o mentor de boa parte dos velejadores brasileiros. Entre os colegas, estava Bruno Prada, que hoje é dupla dele na classe Star (estarão juntos nas Olimpíadas de Londres), além de outros meninos que depois teriam bons resultados - caso de Felipe Echenique e Lars Reibel. Nascia uma era de grandes conquistas para a vela brasileira.
Ao mar
Robert Scheidt infância vela  (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)Scheidt (C) aprende a dar nós na aula de Dudu
Melchert (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)
Dudu Melchert começou a dar aulas de vela, na classe Optimist (exclusiva para meninos até 15 anos), em 1982. A ideia era reunir uma garotada que tivesse talento e vontade e dar a ela uma orientação até então rara no esporte. Robert Scheidt fez parte disso.
Foi uma base essencial. O conhecimento deles partia do zero. A garotada velejava quase por instinto.
- O Dudu Melchert foi o primeiro técnico que todos nós tivemos. A classe Optimist em São Paulo, em 85, 84, era muito forte, mas não tinha estrutura de técnico. Para o Brasileiro de 85, em São Paulo, o Dudu chamou todo mundo e deu uma clínica para a gente. Foi o primeiro técnico que um monte de gente teve. Estavam lá o Robert, o Bruno (Prada), todo mundo. A gente tinha 11 anos. O Dudu foi uma peça muito importante no desenvolvimento de toda essa geração em São Paulo - comenta Felipe Echenique.
Era impossível saber que ali estavam futuros campeões e um futuro colecionador de medalhas olímpicas. Para o crescimento dos garotos na vela, Dudu teve uma decisão certeira: mesclou as águas calmas da represa de Guarapiranga com a agitação do mar. Para ele, foi ali que houve o estalo que mudou uma geração inteira - e Scheidt, em especial.
- Em pouco tempo este grupo foi melhorando, e fui o primeiro treinador a levar este time para o mar em São Sebastião. Com esse mix de mar e represa, ou seja, ventos variáveis com condições fortes de mar e onda, começamos a formar uma geração de grandes velejadores. Até hoje esse é o nosso segredo para formar tantos campeões - observa o treinador.
Scheidt era mais novo do que muitos dos garotos com quem competia. E não era o melhor. Echenique, por exemplo, foi três vezes campeão paulista e duas vezes campeão brasileiro, com o futuro bicampeão olímpico sempre como vice dele.
- Ele ia muito bem, mas era junto de uma turma top. Não tinha um destaque absurdo. Era um cara top, mas como havia outros. De certa forma, dava para ver que era muito bom, porque os resultados eram muito bons, mas não era dominante - lembra Echenique.
Ainda na classe Optimist, Scheidt começou a chamar a atenção. Por exemplo: com 11 anos, foi campeão sul-americano no Chile. O gaúcho Alexandre Paradeda, também velejador, percebeu que havia algo de diferente ao ver que aquele garoto encarava adversários mais velhos.
- Conheci o Scheidt no meu primeiro campeonato brasileiro de Optimist. O cara já se mostrava diferente. Ele tinha 12 anos e competiu com caras de 14, 15. E foi vice - destaca Paradeda.
A classe Optimist foi um ensinamento para Scheidt até ele deixá-la, com 14 anos. Já estava grande demais para ela. Os resultados começaram a ser prejudicados por seu tamanho. Teve que migrar para as classes Snipe e Laser. Em 1990, foi vice na primeira e campeão brasileiro júnior na segunda. Começava a explosão dele. E a percepção de que precisava se entregar de corpo e alma àquilo. Especialmente de corpo...
O anfíbio
Robert Scheidt infância vela  (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)Bicicleta ajudou a formar a fortaleza física de
Scheidt (Foto: robertscheidt.com.br / divulgação)
Treinar forte na água era normal para Scheidt e para todos os outros. O diferencial nele foi a entrega obstinada às atividades em terra. Ele percebeu que precisava ser mais forte, mais ágil, mais preparado do que os outros.
E foi. Dudu Melchert lembra que ele não se satisfazia com a forte carga de treinos específicos. Assombrava a todos com a manutenção das atividades fora d'água.
- Velejar de Laser é uma atividade atlética para poucos. O cara tem que ter preparo, dedicação e diciplina para aguentar a batida de treinos na água e nas regatas. O Robert não só fazia de tudo na água, como chegava em terra, pegava a bicicleta e ia pedalar. Fazia isso de duas a três horas, aí chegava e ia nadar mais meia hora e depois parava. Ninguém acreditava que, depois de ter velejado aquilo tudo, o cara tinha gás para pedalar e nadar. Fez isso muitas e muitas vezes na Ilhabela para se preparar para grandes campeonatos. Isso deixava todo mundo de queixo caído - recorda Dudu.
Scheidt gostava de pedalar desde criança. E também gostava de tênis - chegou a titubear entre a raquete e a vela. Fez atividades de atletismo também. Assim, criou forte base física, algo preponderante no esporte que escolheu para o resto da vida.
- No Laser, com 16, 17 anos, ele começou com uma supremacia importante. Era muito treino. Quando você sai da Optimist, é lá com 15 anos, numa época complicada, o cara começa a namorar. O Robert foi um que continuou. Não teve nenhuma parada. Com 16 anos, já tinha tamanho para velejar bem de Laser - observa Echenique.
- Ele nunca negligenciou nenhuma parte da preparação. Ele sempre focou em tudo. É mais completo do que os outros. Ele nunca deixou nenhum ponto negligenciado. Ele focava no campeonato do ano e fazia tudo por ele. Nisso, ele é mais fenomenal ainda - completa Paradeda.
Claus Biekarck também treinou Scheidt. Trabalhou com ele de 1996 até 2005. E é mais um a destacar a entrega física como um dos elementos do sucesso do velejador.
- Acredito que os principais fatores são o talento nato para o esporte, o prazer em velejar, a disciplina, a dedicação, o preparo físico e autoconfiança - opina.
Com o tempo, muitos velejadores preferiram seguir outro caminho. Echenique, por exemplo, hoje é diretor do Banco Safra. Mas Scheidt insistiu.
A decisão e o ouro
Rrobert Scheidt vela 1996 (Foto: Divulgação)Rrobert Scheidt comemora ouro no YCSA em 96
(Foto: robertscheidt.com.br / Divulgação)
Velejadores geralmente pertencem a famílias bem constituídas financeiramente. Por isso, é comum que os atletas entrem em uma faculdade. E aí é o momento decisivo, a encruzilhada: encarar a profissão que os estudos oferecem ou seguir mergulhado na vela.
Scheidt seguiu o segundo caminho. A faculdade jamais distorceu sua rotina de treinos. Formou-se em administração em 1996. Mas manteve o foco nas águas.
- O Robert foi evoluindo muito. E foi focando no Laser, treinando. Mesmo que tivesse faculdade, não importava: era treino, treino, treino. E a parte física ia junto - explica Echenique.
No mesmo ano em que ganhou o diploma, Scheidt conquistou seu primeiro ouro olímpico. Foi vencedor em Atlanta. Recebeu o sinal definitivo de que era ali que deveria investir. O engordamento de seu currículo provaria que ele estava certo.
De bolhas e façanhas
Robert Scheidt, Olimpiadas 2004 (Foto: Agência Reuters)Robert Scheidt exibe ouro conquistado nas
Olimpíadas de 2004 (Foto: Agência Reuters)
O resto é vitória. Scheidt seguiu treinando cada vez mais - e ganhando cada vez mais. Deixou a quem o acompanhou exemplos de superação.
- Lembro de uma vez em que ele estava para ganhar um Mundial e, já na chegada, veio um juiz e deu uma bandeira amarela para ele. Ele estava para cruzar a linha. Ele tomou essa bandeira amarela e teve que sair da regata. Foi para a última regata do dia não podendo ir mal, contra um australiano que só precisava estragar a regata dele. Qualquer outro cara teria desistido. Aquilo virou uma empreitada. E o cara se recuperou... Foi em 15 ou 20 minutos. Ele ganhou o campeonato na última regata - lembra Paradeda.
Dudu Melchert, que tanto trabalhou com Scheidt, viu o resultado do esforço expresso em bolhas. Depois de um de seus vários títulos, o velejador abriu as mãos e mostrou ao treinador as provas carnais do sacrifício.
- Um fato muito gratificante para mim foi quando encontrei com ele no YCSA no dia seguinte à chegada dele do Mundial da África do Sul, em 1996. Foi seu segundo título mundial, e eu dei um grande abraço nele, orgulhoso do feito. Depois, ele me mostrou suas mãos, todas inchadas e arrebentadas depois de todo o vento que tinha dado na Cidade do Cabo. Aquilo era a mostra de uma vitória de um grande bravo. Neste dia eu tive a certeza de que ali estava um supercampeão. Logo depois, ele ganhou sua primeria medalha de ouro em Atlanta. Eu estava orgulhoso de ter treinado um cara como ele
.

CORINTHIANS

  Empresário admite propostas e revela que Corinthians recusou R$ 186 milhões por Yuri Alber to André Cury diz que atacante escolheu jogar n...