quinta-feira, 26 de julho de 2012

BRASILEIRAO 2012



Inter estraga estreia de Hélio dos Anjos e derrota o Figueirense

Colorado vence por 1 a 0 na noite desta quarta-feira. Dagoberto faz o único gol da partida, que mantém catarinenses na zona de rebaixamento

  • a decepção
    Loco Abreu
    Recuperado de lesão, o uruguaio retornou ao Figueira. Mas o maior nome do time quase não tocou na bola e só incomodou a defesa colorada em uma cabeçada.
  • o nome do jogo
    Fred
    Em seu segundo jogo seguido como titular colorado, o garoto de 19 anos mostrou qualidade. O camisa 35 se movimentou bem e cruzou para o gol de Dagoberto.
  • deu errado
    Jajá
    O meia-atacante do Inter teve a chance de matar o jogo aos 32 da segunda etapa. Porém, o camisa 17 chutou em cima de Ricardo e foi vaiado, e depois, substituído.
Na estreia de Hélio dos Anjos no Figueirense, o Internacional derrotou o time catarinense por 1 a 0, na noite desta quarta-feira, dentro do Orlando Scarpelli, em Florianópolis, pela 12ª rodada do Brasileirão. O gol da vitória colorada foi marcado por Dagoberto, ainda na primeira etapa. O camisa 20, como um centroavante, aproveitou cruzamento na medida de Fred – que emendou a segunda como titular - e cabeceou para baixo, sem chances para o goleiro Ricardo.

Com o resultado, o Inter chegou aos 22 pontos no Brasileirão e, pela primeira vez na competição, conquistou duas vitórias consecutivas, ambas sob o comando do ex-atacante e agora técnico Fernandão. Índio vibrou com o resultado e ressaltou o domínio colorado ao longo do confronto:

- Estamos de parabéns, estamos trabalhando com humildade e ouvindo o que o professor passou. O Figueirense não teve quase oportunidades aqui.

Enquanto isso, o Figueirense completou o 11º jogo sem vencer e segue no Z-4, com apenas oito pontos. Para o meia Almir, apesar da situação delicada, o grupo não pode se desesperar:

- Não estamos contentes com essa situação. É hora de manter a tranquilidade e lutar, vamos sair dessa só com muita luta.
Na próxima rodada, o Inter volta a campo para enfrentar o Vasco. A partida será disputada neste sábado, às 18h30m (de Brasília), no Beira-Rio. No mesmo dia, mas às 21h, o Figueirense jogará contra o Botafogo no Engenhão.
Jogo franco

A partida começou aberta. O Figueirense iniciou em cima do Inter e quase abriu o placar. Logo aos dois minutos, Guilherme Santos cruzou da esquerda para Loco Abreu. O camisa 13, que retornou após um estiramento na coxa, cabeceou sem marcação e acertou o travessão de Muriel. A resposta dos gaúchos apareceu três minutos depois, com D'Alessandro. O argentino, que cumpriu suspensão na partida contra o Atlético-GO no último domingo, cobrou falta da esquerda. A bola atravessou a área catarinense, mas ninguém de vermelho conseguiu complementar.
O Figueirense não se abalou com o descuido e seguiu no campo de ataque. Aos 13, Julio Cesar bateu falta da intermediária, obrigando Muriel a mandar a bola para escanteio. Tentando conter o ímpeto catarinense, o Inter apresentava muitas dificuldades em construir jogadas, ficando pouco tempo com a posse de bola.
Inter marca com Dagoberto
Figueirense x Internacional, Dagoberto (Foto: Antonio Carlos Mafalda / Agência Estado)Dagoberto comemora o gol colorado (Foto: Antonio Carlos Mafalda / Agência Estado)
Aos poucos, os gaúchos começaram a avançar a marcação e trocar mais passes. E, aos 24, abriram o placar. Fred avançou pela esquerda e cruzou na cabeça de Dagoberto. O atacante colorado, mesmo com o defensor do Figueirense próximo, só teve o trabalho de mandar para as redes de Ricardo.
Atrás do placar, o Figueirense seguiu trocando passes. Entretanto, não conseguia penetrar na área colorada. Seus principais lances nasciam com Julio Cesar, geralmente com a bola parada. Aos 30, ele bateu falta por cima do gol de Muriel. Mais calmo, o Inter corrigiu o posicionamento e só aguardava o erro dos comandados de Hélio dos Anjos para sair no contra-ataque. Bem acionado, D'Ale cadenciava o jogo e distribuía os passes aos companheiros, gastando tempo. Seis minutos depois, os colorados quase ampliaram em um cabeceio com Índio.
No último lance de perigo antes do intervalo, aos 43, foi a vez de Jajá desperdiçar a oportunidade de anotar o segundo gol. Conhecido pelo chute forte, o meia-atacante dominou e arrematou da intermediária. Por capricho, a bola explodiu no travessão. Um minuto depois, o árbitro Elmo Alves Resende poderia ter expulsado Julio Cesar. O atacante do Figueirense deu um carrinho no tornozelo esquerdo de D'Alessandro, mas só foi advertido com o cartão amarelo.

Inter dono da segunda etapa
Assim como terminou o primeiro tempo, o Inter iniciou melhor a segunda etapa. Logo aos dois minutos, Dagoberto recebeu na área. Quando tentou dominar, o atacante foi interceptado por Ricardo, que saiu de carrinho e afastou o perigo. No minuto seguinte, Elton cruzou para Jajá, mas o camisa 17 não conseguiu reter a bola.

Os gaúchos eram donos das ações. Aos seis, Fred fez bela jogada e, na entrada da área, arriscou. Ricardo salvou o segundo gol colorado, mandando para escanteio. D’Ale cobrou da esquerda e colocou na cabeça de Índio, mas o zagueiro acertou o travessão. A atuação convincente fez o Orlando Scarpelli parecer o Beira-Rio. Eram os torcedores colorados que cantavam nas arquibancadas do estádio do Figueirense.
Figueirense x Internacional, Edson Ratinho (Foto: Antonio Carlos Mafalda / Futura Press)Inter conquistou a segunda vitória consecutiva no Brasileirão (Foto: Antonio Carlos Mafalda / Futura Press)
Grande nome do time catarinense, Loco Abreu nem era notado em campo. O centroavante não recebia a bola. Mesmo em desvantagem, os catarinenses não incomodavam o setor defensivo colorado. A primeira chance dos mandantes ocorreu aos 18. Após cobrança de escanteio, Canuto cabeceou por cima do gol de Muriel.

Enquanto o Inter administrava o resultado, o Figueirense buscava o gol de empate, mas atacava desordenadamente. Aos 32, Jajá podia ter matado o jogo. O camisa 17 recebeu dentro da área. No entanto, chutou em cima de Ricardo. O lance irritou a torcida colorada, que pediu para o meia-atacante ser substituído. Pouco depois, Fernandão sacou o jogador para a entrada de Maurides.

Os últimos minutos da partida não mudaram em nada o panorama do jogo. O Figueira buscando o gol sem organização e o Inter fechado, saindo para o ataque com tranquilidade. No final, D'Ale ainda sofreu entrada de Guilherme Santos, mas o árbitro nem falta marcou. Aos 45, Ronny caiu na área e pediu pênalti, mas Elmo Alves Resende Cunha mandou o jogo seguir.

Hélio dos Anjos terá trabalho para tirar os catarinenses da delicada situação no Brasileirão. Por outro lado, Fernandão reestabelece a tranquilidade e coloca o Inter novamente na briga pelo G-4.

 

NOTICIAS



Imprensa inglesa crava £ 25 milhões (cerca de R$ 79 milhões) pagos 
pelo Chelsea ao Internacional. Cifras superam as de Robinho e Denílson


Nem Internacional, tampouco Chelsea se pronunciaram oficialmente, mas é senso comum entre a imprensa inglesa que o meia Oscar foi negociado por £ 25 milhões (cerca de R$ 79 milhões). A quantia não chega a ser assustadora, pois o jogador de apenas 20 anos é visto como o camisa 10 da Seleção brasileira por anos. As cifras, no entanto, representam muito mais do que outra transação envolvendo uma jovem realidade. Com o perdão do trocadilho, Oscar é agora dono do Oscar de venda mais cara da história do futebol brasileiro.
Oscar comemora gol do Brasil contra a Argentina (Foto: Mowa Press)Aos 20 anos, Oscar já é a maior venda da história do futebol brasileiro (Foto: Mowa Press)
O GLOBOESPORTE.COM foi atrás do histórico e estabeleceu dois critérios. Como valores envolvem diferentes moedas (há dólares, euros e libras), o jeito foi levar em consideração as transferências realizadas em duas condições: a cotação da época em que aconteceram e a atual. Oscar lidera ambas as listas (veja abaixo).
Robinho e Denílson para trás
A primeira computa os números de quando os negócios foram selados. Robinho, vendido pelo Santos ao Real Madrid, em 2005, é o segundo, com R$ 72 milhões (US$ 30 milhões). Vale ressaltar que ele abdicou na época dos US$ 20 milhões restantes que lhe cabiam para agilizar a transação.
Nilmar, beneficiado pela alta do euro, assumiu a terceira posição com a sua ida para o Villarreal, em 2009, por € 16,5 milhões (R$ 44,43 milhões). Geovanni, ex-Cruzeiro e atualmente no Vitória, foi para o Barcelona em 2001 por R$ 39,6 milhões. Ele é o quarto, pouco à frente de Alexandre Pato, vendido por R$ 39 milhões (US$ 20 milhões) pelo próprio Inter para o Milan, em 2007.
As cinco maiores transações do futebol brasileiro (com a cotação do ano em que aconteceram)
JogadorValor na épocaCotação na épocaClubesAno
OscarR$ 79 milhões (£ 25 milhões)R$ 3,16Chelsea (Internacional)2012
RobinhoR$ 72 milhões (US$ 30 milhões)R$ 2,4Real Madrid (Santos)2005
NilmarR$ 44,43 milhões (€ 16,5 milhões)R$ 2,69Villarreal (Internacional)2009
GeovanniR$ 39,6 milhões (US$ 18 milhões)R$ 2,20Barcelona (Cruzeiro)2001
Alexandre PatoR$ 39 milhões (US$ 20 milhões)R$ 1,95Milan (Internacional)2007
Robinho no Santos 2005 (Foto: Agência Reuters)Robinho em ação pelo Santos, em 2005 (Reuters)
Nomes novos aparecem em um top 5 com os valores atuais. Logo atrás de Oscar está Denílson, ex-São Paulo e já aposentado. Em 1998, ele foi vendido ao Real Betis, da Espanha, por US$ 32 milhões (R$ 64,9 milhões), o que o deixa acima de Robinho. Lucas Severino, que deixou o Atlético-PR rumo ao Rennes, da França, por US$ 21 milhões (R$ 42,6 milhões), em 2000, é o quarto. Nilmar, agora com R$ 40,8 milhões, perdeu duas colocações.
Para o comentarista Lédio Carmona, do SporTV, o negócio foi excelente para o Chelsea.
- É um jogador novo, talentoso, moderno e tem tudo para se adaptar, ainda mais no estilo do futebol inglês. É um investimento seguro, não tem como dar errado. Saiu até barato, pois em um ano o mercado dele será outro. Isso se o Di Matteo (técnico) aproveitá-lo - disse.
Denilson, São Paulo 1998 (Foto: Edu Garcia / Agência Estado)Denilson deixou o São Paulo por US$ 32 milhões em 1998 (Foto: Edu Garcia / Agência Estado)
As cinco maiores transações do futebol brasileiro (com as cotações de 2012)
JogadorValor atualCotação atualClubesAno
OscarR$ 79 milhões (£ 25 milhões)R$ 3,15Chelsea (Internacional)2012
DenílsonR$ 64,9 milhões (US$ 32 milhões)R$ 2,03Real Betis (São Paulo)1998
RobinhoR$ 60,9 milhões (US$ 30 milhões)R$ 2,03Real Madrid (Santos)2005
Lucas SeverinoR$ 42,6 milhões (US$ 21 milhões)R$ 2,03Rennes (Atlético-PR)2000
NilmarR$ 40,8 milhões (€ 16,5 milhões)R$ 2,47Villarreal (Internacional)2009
Briga pela titularidade até o Mundial
Concorrência ele terá. Oscar chega para uma posição recheada de opções. Desde o experiente Lampard, que poderia ser recuado, até o também jovem Eden Hazard, contratado por quase R$ 100 milhões. O treinador ainda conta como alternativas ofensivas no meio o brasileiro Ramires, o espanhol Juan Mata, o alemão Marko Marin, o belga Kevin De Bruyne, o francês Florent Malouda e o inglês Josh McEachran.
Hazard, Chelsea (Foto: Reprodução / Site oficial do Chelsea)Contratado por R$ 100 milhões, belga Hazard é um
dos candidatos à posição de Oscar (Site Oficial)
- Com essa grana toda ele chega para jogar. Vai perder a pré-temporada, talvez demore um pouco para entrar no time. Mas é um garoto de personalidade forte e que deverá assumir o seu papel. Sem o Neymar, ele passará a ser a referência ofensiva do Brasil na Europa. Joga sempre em linha reta, voltado para o gol. E isso na Europa é meio caminho andado. Só precisa ganhar um pouquinho de massa muscular - afirmou Lédio.
A expectativa geral é que Oscar se consolide até dezembro para que o Brasil possa vê-lo em ação no Mundial de Clubes, no Japão. O Corinthians, rival desde os tempos de base do São Paulo, é o provável adversário em uma final ideal.
Lucas: o futuro dono do trono?
As próximas semanas, porém, podem definir uma substituição de trono. Lucas, curiosamente companheiro de Oscar na Seleção que disputa as Olimpíadas de Londres, poderá ser seu rival se assinar com o Manchester United.
O São Paulo anunciou ter recusado duas propostas dos Diabos Vermelhos que já seriam suficientes para colocá-lo no topo: € 33 milhões (R$ 82,4 milhões) e € 38 milhões (R$ 93,5 milhões). O Tricolor Paulista espera agora por uma investida final de € 40 milhões (R$ 99 milhões). Prova de que não basta apenas um jogador talentoso para fazer dinheiro. É preciso também contar com uma ajudinha da economia e uma dose de paciência.
lucas são paulo x santos (Foto: José Patricio/Agência Estado)Lucas pode deixar o São Paulo por R$ 99 milhões e superar o amigo Oscar (José Patricio/Agência Estado
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LONDRES 2012



Pressionada por conquista inédita, Seleção de Mano Menezes estreia na competição contra o Egito, no Millenium Stadium, em Cardiff, País de Gales

A preparação foi intensa. Foram quatro amistosos na Alemanha e nos Estados Unidos. Quase 20 dias de treinos. Nomes de peso na lista de atletas acima dos 23 anos, entre eles Thiago Silva, do Paris Saint-Germain, e Marcelo, do Real Madrid. Uma estrela de apenas 20 anos no comando da equipe, o atacante Neymar. E nesta quinta-feira, às 15h45m (de Brasília), chegou a hora de o torcedor brasileiro ver o resultado. A Seleção de Mano Menezes vai estrear nas Olimpíadas, contra o Egito, em Cardiff, no País de Gales, em jogo válido pelo Grupo C do torneio.

O jogo será transmitido ao vivo pelo Sportv e em Tempo Real pelo GLOBOESPORTE.COM.
neymar seleção brasileira londres 2012 olimpiadas (Foto: Mowa Press)Neymar é a grande esperança da seleção brasileira pela busca do inédito ouro olímpico (Foto: Mowa Press)
O caminho até a estreia não foi fácil. Na preparação, o time ideal foi encontrado por Mano. Foram três vitórias (Dinamarca, Estados Unidos e Grã-Bretanha) e duas derrotas (México e Argentina) nos jogos de preparação. E é justamente nesse ajuste ideal que o comandante espera superar os rivais e conquistar a inédita medalha de ouro para o futebol brasileiro.

- Penso que na preparação foi possível fazer uma sequência maior (de jogos) e isso aumentou a confiança da Seleção e a nossa, que a dirigimos. Tenho certeza que isso vai se refletir na produção dentro de campo.
Mano Menezes no treino da Seleção Brasileira (Foto: Mowa Press)Mano Menezes acha que a seleção brasileira está
com a confiança elevada (Foto: Mowa Press)
Vale lembrar que no meio do caminho, Mano perdeu o goleiro titular. Rafael Cabral sofreu um trauma no cotovelo direito e acabou cortado. Neto, ex-Atlético-PR e atualmente na Fiorentina, ganhou a posição. Gabriel foi inscrito como reserva imediato do time canarinho, e Renan Ribeiro como terceira opção, caso um novo contratempo aconteça com atletas da posição.

Com a equipe na ponta da língua

Desde os amistosos da Seleção Olímpica já era possível escalar a equipe brasileira do goleiro ao ponta-esquerda. Nesta quarta-feira, após finalizar a semana de treinos, o time canarinho está mais do que definido: Neto, Rafael, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Sandro, Romulo e Oscar; Neymar, Hulk e Leandro Damião.

Além da aposta no lado coletivo, Mano sabe que tem peças que podem decidir a partida a qualquer momento. É o caso de Neymar. Convocado para a Seleção pela primeira vez com o atual comandante, o atacante do Santos já marcou dez vezes com a camisa amarelinha e a principal referência do ataque canarinho.

O volante Sandro, por exemplo, elogiou os homens de frente da Seleção.

- Temos jogadores de qualidade lá na frente que podem resolver para a nossa equipe. Além disso, nós trabalhamos outras situações que podem nos ajudar.

Presidente da CBF passa tranquilidade ao comandante
Por muitas vezes pressionado por conta da falta do título, Mano Menezes ouviu palavras de apoio às vésperas da estreia.

O presidente da CBF, José Maria Marin, mostrou estar confiante em uma boa participação da Seleção nos Jogos de Londres.
Não existe pressão sobre o Mano. Todos que estão aqui se preparam
José Maria Marin, presidente da CBF
- Não existe pressão sobre o Mano. Disputa é disputa, principalmente no campo esportivo. Todos que estão aqui se preparam. Estamos confiantes e passamos essa tranquilidade à nossa comissão, ao nosso diretor Andrés Sanches. Disputa esportiva nós temos que levar na esportiva. O principal é que tenhamos um bom desempenho, que o Brasil faça um bom papel em todos os esportes. Vamos torcer de uma maneira geral.
Egito aposta em garotada da sub-20 nas Olimpíadas

O Egito chegou aos Jogos de Londres com um time jovem. Vale lembrar que oito dos 18 convocados estiveram no Mundial sub-20, disputado no ano passado, na Colômbia. Naquela ocasião, a equipe africana foi eliminada nas quartas de final.

Do elenco que conquistou a classificação na Colômbia atrás apenas do Brasil, os seguintes atletas vão atuar nas Olimpíadas: o goleiro Elshenawy, os zagueiros Eldin, Fathy, Garber e Hegazi, os apoiadores Gomaa e Saleh e o atacante Neny.

Dos jogadores acima dos 23 anos, o técnico Hany Ramzy relacionou os zagueiros Aboutrika, de 33, e Fathi, de 27, e o atacante Emad, de 29.
BRASIL X EGITO
Neto, Rafael, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Sandro, Rômulo e Oscar; Neymar, Hulk e Leandro Damião.Elshenawy, Eldin, Aboutrika, Fathi e Gaber; Gomaa, Saleh, Hossan e El Neny; Emad e Mohsen.
Técnico: Mano Menezes.Técnico: Hany Ramzy
Local: Millenium Stadium, em Cardiff, no País de Gales. Horário: 15h45m (de Brasília),
Árbitro: Gianluca Rocchi (Itália)
Auxiliares: Elenito di Liberatore (Itália) e Gianluca Cariolato (Itália)
Tramsmissão: assista ao vivo no Sportv e em Tempo Real no GLOBOESPORTE.COM

LONDRES 2012


Bicampeão mundial de ginástica artística caiu na infância, como em Pequim, mas teve direito a uma segunda chance. E arrancou aplausos do público

 Nem toda garotada de Ipanema pensava dia e noite em praia e sol. No Colégio Pinheiro Guimarães, em junho, meados dos anos 90, o burburinho girava em torno de uma apresentação de festa junina. A farra seria no Clube de Regatas do Flamengo. Uma das professoras buscava um palhaço acrobático para fazer piruetas durante a brincadeira.  Durante a semana, soube nas reuniões de classe que um dos alunos, com menos de 10 anos, tinha se tornado centro das atenções após dar cambalhotas nas salas de aula e no pátio, no recreio. Seu nome? Diego Hypolito, irmão de Danielle, atleta de ginástica artística do próprio clube rubro-negro.
O sorridente menino, que já fazia ginástica em Santo André, no Sesi, antes de vir para o Rio e sonhava seguir os passos da irmã no Flamengo, era a alegria das crianças e adorou a ideia. No dia da apresentação, um infortúnio por pouco não estragou a festa. Devido a uma goteira, a quadra da Gávea estava molhada após uma chuva. Na primeira intervenção, Diego escorregou e caiu. O constrangimento tomou conta do público. O garoto começou a chorar. Mas pediu à professora para voltar. Queria repetir corretamente a série. A partir dali, deu tudo certo. No fim, palmas para ele. Era como se o apresentador dissesse: "Com vocês, o artista do espetáculo."
Diego cresceu, virou atleta, mas não qualquer atleta. Num esporte até então pouco comum aos brasileiros como a ginástica artística, fez romenos, russos, americanos e chineses tremerem. O pódio passou a virar quase uma residência. Temido, bicampeão mundial em 2005 e 2007, chegou aos Jogos de Pequim como favorito no solo. Mais uma vez, o destino aprontou. E olha que o brasileiro fazia uma apresentação impecável. Mas, no fim, perdeu o equilíbrio depois do seu último salto. Caiu. Perdeu 800 pontos na contagem e o ouro. Nada também de prata ou bronze. Ganhou o sexto lugar e um pesadelo. Um longo pesadelo.
queda diego hypolito treino (Foto: Agência Reuters)Em Pequim, a história da infância se repete, mas sem direito a uma segunda chance: Diego Hypolito cai e deixa o ouro escapar. Agora, em Londres, tem a chance de superar derrota  (Foto: Agência Reuters)
O atleta sofreu. A família sofreu. Mas o sobrenome Matias Hypolito é sinônimo de DNA desbravador, bem-sucedido. Sem a segunda chance que teve no Pinheiro Guimarães, quando menino, mesmo assim Diego se levantou. No mesmo ano, em dezembro, fez o Natal ficar menos triste: cravou ouro em solo, novamente, na final da Copa do Mundo em Madri. De lá para cá, caiu, voltou de novo a ficar de pé e vive agora, aos 26 anos, em Londres a ansiedade de ter a segunda chance em Olimpíadas. E, para Diego e o torcedor brasileiro, é como se o apresentador voltasse a dizer: "Com vocês, o artista do espetáculo."
- Em todas as apresentações de festa junina ou fim de ano, sempre fomos assistir. E é sempre muito lindo. Ali no colégio Diego já estava mostrando a determinação dele. E o Diego e a Dani aprenderam que você pode cair, porque os obstáculos são colocados em nossas vidas para serem superados. É um guerreiro. Errou? Ele vai retornar, lutar para fazer melhor do que já tinha feito. Acho que veio com ele esse espírito guerreiro, essa paixão, essa vontade de vencer, vencer lutando, não fica esperando que as coisas aconteçam - disse, emocionada, a mãe, Geni, quando ainda arrumava as malas para Londres.
A saga de Diego, com as quedas e superações que fizeram sua história na ginástica artística, fecham a série "Como Nascem os Campeões", que teve ainda Cesar Cielo, Maurren Maggi, Robert Scheidt e Fabi.
HQ Hypolito (Foto: arte esporte / cláudio roberto)
Gratidão
Geni já está em Londres com o marido, Vágner, pai de Diego, e Édson, o irmão mais velho do ginasta, que chegou a seguir a mesma carreira mas não suportou as obrigações que o esporte impõe, como abrir mão em demasiado da vida pessoal para seguir a dura rotina de treinos. A família está toda reunida à espera da apresentação de Diego e Danielle. Quatro anos depois, a ausência em Pequim ainda deixou marcas.
- Foi muito difícil. Nós não fomos, por alguns motivos, e sofri muito com ele. Quando caiu lá, caí de joelhos e disse a Deus: "Não, Senhor, não pode." Eu não acreditava. Mas em nenhum momento contestamos. Ali, achei que foi sobrenatural ele ter caído, jamais caiu nessa passada. Acho que é para ele se tornar melhor. O imprevisto aconteceu, mas você se torna muito forte na derrota. Agora, foi muito sofrimento, sim. Se estivesse lá, talvez  tivesse gritado antes, talvez... Não sei, é coisa de mãe... Ele não teria caído. Queria muito a medalha. Não é só para ele. Queria mostrar, entregar para o Brasil. A gente teve que ter forças, porque logo em seguida ele tinha a grande final do Mundial. E foi campeão nesse mesmo ano. Deus sabe o que faz - afirmou Vera.
No colégio Pinheiro Guimarães, os professores que viram as primeiras piruetas de Diego Hypolito estão sempre grudados na TV quando ele disputa competição importante. Ana Lúcia Viana, a professora que convidou Diego para ser o palhaço acrobata na festa junina, lembrou logo do episódio quando viu a queda em Pequim.
- Só que em Olimpíadas não dá para ele fazer de novo, né? Agora ele deve estar se preparando muito para não errar mais. Naquele episódio do colégio, não seria comum um menino pedir para repetir depois de errar. A maioria das crianças no lugar dele ia morrer de vergonha e querer sair dali. Ele não, nunca teve vergonha de estar em público, sendo o centro das atenções. Tanto que fazia no recreio para as pessoas verem. É bem dele mesmo. O erro deu mais gás para tentar acertar, mostrar o que sabia fazer. Tinha que ser o Diego mesmo - disse Ana Lúcia, hoje coordenadora da turma da manhã do ensino médio e fundamental do Pinheiro Guimarães.
O pai, Vágner, lembra que o filho, desde pequeno, sempre se espelhou na irmã. Daniele Hypolito abriu as portas não só para Diego como para a ginástica brasileira. Quando saiu de Santo André e foi para o Rio em 1994, com 10 anos, para atuar no Flamengo, levou na bagagem para o Rio toda a família. O pai era motorista. A mãe, costureira. Os dois do Paraná. O clube deu salário, moradia, no prédio da antiga sede do Morro da Viúva, e escola para os irmãos. Em 1997, Daniele escapou do acidente de ônibus com toda a delegação rubro-negra que vitimou seis pessoas e deixou paraplégica sua técnica e descobridora, Georgete Vidor. Depois, começou a colher os louros e se tornou a primeira ginasta brasileira a conquistar medalha: foi prata em 2001, no Mundial de Gent, na Bélgica. E já vai para a quarta participação em Olimpíadas - foi a Sydney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008).
- Ele tem a maior gratidão por ela. Fala que tem a Daniele como um ídolo. Se precisar, vai defendê-la, e ela também o defende no que for preciso. Os dois são muito carne e unha. Ela sempre falava: "Diego, você tem que fazer ginástica. Nós viajamos juntos, vamos para o mesmo lugar, competir no mesmo dia." Aí ele fez esse teste na ginástica, gostou e está até hoje. Diego foi muito arteiro, nossa... (risos).  Hoje é um campeão. Tem muita coisa ainda para apresentar. As Olimpíadas no Rio. Vai participar, com certeza, com a graça de Deus. E a Daniele, se encerrar cinco Olimpíadas no Rio? Seria um presentão. Sinto orgulho dos dois - disse Vágner.
Garoto agitado
O pai, que no Rio já trabalhou na Suderj, no Maracanã, foi manobeiro em academia e está há 11 anos na CCR Nova Dutra, concessionária da Rodovia Presidente Dutra, lembrou: desde pequeno o menino era agitado e não parava em lugar nenhum. Geni contou que Édson, Dani e Diego aprontavam juntos em casa. Faziam ginástica no sofá, no chão, na cama, em todo lugar. No começo, Dani admirava Luisa Parente e outras atletas pioneiras no esporte. E foi levando a paixão a Diego, sempre hiperativo. No colégio, o garoto também não parava. Parecia precisar botar a energia para fora, segundo Carlos Eduardo Schmidt, o Cadu,  professor de português, literatura e inglês
- Eu estava no quadro, colocando alguma coisa, corrigindo algum exercício. Quando olhei, ele estava fazendo uma ponte perfeita. Falei: "Caramba, que legal, mas depois você copia o exercício, porque ponte na sala de aula... né?"... "Ah, tá, professor." Aí eu cheguei para ele, não sabia que era atleta ainda: "Você faz ginástica olímpica?" "É, eu sou o Diego Hypolito, irmão da Daniele". "Ah, tá, então tá". E aí outras vezes isso aconteceu, mas era comum, hábito dele, e tal. De repente ele se alongava um pouquinho, fazia alguma coisa assim, mas não era nada acintoso, era divertido. E as pessoas adoravam...
Quando viu pela primeira vez, Renato Marmeroli, professor de física e biologia, foi outro que se assustou com a "arte" do menino Diego.
MONTAGEM - mosaico diego hypolito  (Foto: Editoria de arte / Globoesporte.com)No sentido horário, momentos  de Diego: acima, à esquerda, o 1º Mundial, em Melbourne, em 2005. Depois, a Copa do Mundo em São Paulo, em 2006, e um dos ouros no Pan do Rio, em 2007. Na foto maior, entre o 2º e 3º colocados, o bi mundial em Stuttgart. Em 2008, força na chegada após a derrota em Pequim. No mesmo ano, 1º em Madri. Em 2011, bronze em Tóquio e ouro no Pan de Guadalajara  (Montagem sobre fotos)
- Eu me surpreendi na hora. Estava no intervalo, fui tomar um café na cantina. Aí quando cheguei na quadra, vi o Diego Hypolito dando as piruetas, os saltos mortais dele. Pensei: "Ele sabe fazer." Mas com tanta facilidade, parecia uma folha de papel. Eu mesmo passei a pedir para que ele fizesse, assim como outros professores e alunos em geral. Ele desafiava a física.
Desafios
Desafiar a física, o esporte... Diego sempre gostou disso. Com apenas três anos de idade, aprontou ao subir num caminhão carregado. O tio caminhoneiro acabara de chegar a Santo André, de passagem. Na distração, Vágner levou para dentro de casa com Geni o cunhado. Quando viu pela janela, já era tarde mais.
diego hypolito infância  (Foto: Thiago Correia / Globoesporte.com)Menino, Diego Hypolito mostra seu talento
(Reprodução arquivo pessoal / Globoesporte.com)
- Ele estava tentando descer pela corda. Eu saí correndo, mas não deu tempo. Quando fui chegando ao portão, ele escorregou e caiu no chão. Os óculos cortaram todos os cílios dele. Corri para o hospital. Como aquele menino foi parar lá no alto do caminhão? - disse Vágner.
- Eu fiquei socorrendo a Dani e o Édson, porque o Diego foi para o hospital, e o Édson teve um princípio de convulsão, de tanto que foi o susto - afirmou Geni..
- O Diego criança é a mesma coisa hoje. Ele é feliz. Isso define muito o que é, independentemente do que aconteça ou deixe de acontecer. Hoje, pode estar mais ou menos, fica no canto dele, mas cinco minutos depois bate na porta do quarto, entra, taca a roupa no chão, joga travesseiro, volta, te busca, te obriga a ver filme com ele, não gosta de ficar em casa. Isso desde pequeno, quando a gente morava em Santo André. A casa era pequena, mas o quintal era muito grande, tinha até um tio meu que faleceu, irmão da minha mãe. Ele colocava colchão, levava os móveis da minha mãe para fora, e a gente ficava pulando, brincando de saltos, esconde-esconde, de subir em árvore, pegar manga no pé no sítio... Coisas assim - contou, aos risos, o irmão, Édson.
E o menino Diego seguia desafiando. Ainda novo, desafiou a medicina ao receber o diagnóstico de doença de Scheuermann. A doença era um transtorno causado pela grande carga de peso imposta ao seu físico, ainda em fase de desenvolvimento. As consequências danosas iriam para a coluna vertebral. A maior? Má postura. O médico recomendou que largasse a ginástica. Nem o garoto nem a família aceitaram.
Diego Hypolito mundial ginástica (Foto: Reuters)Diego Hypolito repete as piruetas dos tempos de infância: agora valem pontos e medalhas (Foto: Reuters)
Triunfos
Bom para Diego, bom para o Brasil. O tratamento com um médico do Flamengo deu certo. O garoto cresceu com o esporte. Em 2004, já com 19 anos, após ver sua irmã ganhar prata em Gent, na Bélgica 2001, no solo, e Daiane dos Santos faturar ouro em Anaheim, nos EUA, em 2003, também no solo, venceu sua primeira etapa  da Copa do Mundo, no Rio. Daí em diante, abocanhou vários títulos. Ganhou o primeiro Mundial em Melbourne, na Austrália. Deixou para trás o canadense Brandon O'Neill e o húngaro Robert Gal, prata e bronze.
Dois anos depois, levou o bicampeonato, em Stuttgart, na Alemanha. Com 16,050 pontos no solo, conquistou a vaga para a final do aparelho. Na decisão, pontuou 16,150, e desbancou gente como o espanhol Gervasio Deferr e o japonês Hisashi Mizutori, segundo e terceiro lugares. Antes, no Rio, havia brilhado no Pan-Americano, com dois ouros no salto e no solo. Aí, superou o americano Guillermo Alvarez.
Nada emocionou mais a mãe de Diego do que a conquista do primeiro Mundial, em 2005. Ainda mais porque, naquele momento, o ginasta brasileiro vinha de seguidos problemas de lesão. Os dois estavam em Curitiba, e Geni, católica, já tinha levado o filho à igreja para rezar na quinta-feira.
Diego Hypolito na apresentação em Londres (Foto: Ivo Gonzalez / Agencia O Globo)Ginasta brasileiro espera trazer medalha de Londres
(Foto: Ivo Gonzalez / Agencia O Globo)
- Ele estava treinando e no sábado faria a avaliação para saber se iria ao Mundial. Aí eu falei: "Diego, nós vamos para a igreja." Cheguei, entramos no táxi, acho que o taxista lá de Curitiba lembra até hoje dessa história... O Diego falou: "Mãe, eu consegui!". E as lágrimas corriam. "Estou indo para o Mundial, mãe!" Só sei que ficamos muito tempo na igreja. Quando meu filho foi campeão, foi muito grande a minha emoção. Fiquei muito feliz e grata a Deus. Ninguém esperava que ele seria campeão mundial. Veio o Pan do Rio, foi show. A primeira medalha de ouro ofereceu para mim, no dia em que ele estava fazendo aniversário. Depois ganhou em Madri, teve o ouro do Pan em Guadalajara...
A mãe tem uma memória e tanto. Lembrou com carinho até da primeira viagem de Diego com a seleção brasileira, quando, em Cuba, sumiu de perto do grupo porque procurava desesperadamente por uma miniatura de Fidel Castro. A recordação valeu boas risadas.
Lesões
Mas nem tudo foi alegria. Desde o primeiro grande título, na final da Copa do Mundo de 2004, entre as conquistas e derrotas, o ginasta conviveu com lesões. Às vésperas de Pequim, se submeteu a uma artroscopia no joelho e foi diagnosticado com dengue. No ano seguinte, foi prejudicado na etapa de Londres por causa do ombro esquerdo lesionado. Ainda machucado, no mesmo ano conquistou o tetra inédito da Copa do Mundo em Osijek, na Croácia. Mas, em 2010, a lesão no pé esquerdo o levou a sua pior cirurgia e o tirou do Mundial de Roterdã. Este ano, operou novamente o pé, há dois meses. Nada que desanime a confiança para Londres. Édson lembra um dos pontos fortes do irmão, que aos 26 anos pode fazer o Brasil inteiro sorrir.
- Tem o atleta esforçado e o talentoso. Normalmente o talentoso é um pouco preguiçoso, porque ele sabe que se treinar um pouco, consegue superar o esforçado. Isso não é na ginástica, é no futebol, em qualquer outro lugar. Você vê o Neymar jogando... Ele joga porque brinca mesmo, está feliz ali. É exatamente assim que eu defino o Diego: feliz no que faz. É um dos poucos atletas que se mantêm hoje no mundo, como o Dragulescu (romeno), em alto nível. Porque normalmente atleta vive muito de fase, principalmente na ginástica. Se ficar um mês parado, perde muita coisa. O Diego é impressionante. Ele operou, 30 dias depois voltou como se nada tivesse acontecido. Recupera-se muito rápido, é assíduo no que faz, muito determinado, acima da média. Não deixa a peteca cair.
diego hypolito museu (Foto: Ismar Ingber)Diego Hypolito posa como estátua em museu:  o 'artista' brasileiro vira uma obra de arte (Foto: Ismar Ingber
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