domingo, 12 de agosto de 2012

BRASILEIRAO 2012



Atacante marca duas vezes no triunfo por 2 a 0, em Volta Redonda, e se iguala a Alecsandro e Fred como goleadores máximos, com oito gols

  • o nome do jogo
    Vagner Love
    O atacante conseguiu, pela primeira vez, marcar duas vezes em dois jogos seguidos pelo Flamengo. O segundo gol nasceu de uma roubada de bola sua.
  • deu errado
    Cléverson
    Substituto de Martinez, o meia teve atuação apagada: deu apenas três passes em 45 minutos. Foi substituído por Kim, que melhorou o Náutico.
  • escorregão
    Welinton
    O zagueiro escorregou e deixou a bola na zaga para Kim, que perdeu gol na cara de Felipe. Daí em diante, foi vaiado por parte da torcida.
O Flamengo conseguiu na noite deste sábado sua segunda vitória seguida na era Dorival Júnior. Depois de bater o Figueirense por 2 a 0 no meio de semana, o time recebeu, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, a valente equipe do Náutico e conseguiu triunfar, novamente pelo placar de 2 a 0. Vagner Love, outra vez, fez os dois gols da partida. É a primeira vez que o atacante, que até quarta-feira vinha de oito jogos sem gol, marca duas vezes em duas partidas consecutivas com a camisa do Fla. Ele passou a dividir a artilharia do Brasileirão com Alecsandro, do Vasco, e Fred, do Fluminense - todos somam oito gols.
Com o resultado, o Flamengo chegou a 22 pontos e assumiu a nona colocação do Campeonato Brasileiro. O Náutico, com 17 pontos, aparece na 12ª posição na tabela após 16 rodadas.
Liedson fez sua estreia, ao entrar no lugar de Thomás aos 21 minutos do segundo tempo. Teve tempo para três finalizações, uma delas com estilo, de voleio, que fez Gideão espalmar para escanteio. Em outra, recebeu cruzamento e cabeceou mal.
- Faltou um golzinho ali. Na hora a iluminação me atrapalhou, e (a bola) bateu no meu rosto quando ia cabecear. A minha atuação e a do time foram boas - afirmou Liedson, que atuou com a camisa 31, na saída de campo.
O Náutico, que viu o adversário ficar com a bola por bem mais tempo (61% a 39%), não ficou tão atrás em relação a finalizações. Foram 12 (sendo quatro chances reais), contra 14 do Flamengo (seis chances reais).
- Está faltando atenção. Entramos desligados e acabamos sofrendo dois gols. No segundo tempo voltamos melhor, mas não deu para inverter o placar - afirmou o goleiro Gideão, autor de duas defesas difíceis, assim como o adversário Felipe.
A primeira partida deste Brasileirão no Raulino de Oliveira teve 7.073 pagantes (9.308 presentes), com renda de R$ 130.445. Irregular e fofo, o gramado apresentou falhas em algumas partes do campo, fazendo com que a bola quicasse muito.
O Flamengo voltará a campo na próxima quarta-feira, contra o Palmeiras, na Arena Barueri. No mesmo dia, o Náutico receberá o São Paulo, nos Aflitos.
Vagner Love gol Flamengo (Foto: Alexandre Vidal / Fla imagem)Vagner Love corre para o abraço após abrir o placar para o Flamengo (Foto: Alexandre Vidal / Fla imagem)
Love em noite inspirada
O técnico Dorival Júnior resolveu manter o que deu certo na rodada passada. Mandou a campo praticamente a mesma formação da vitória sobre o Figueirense, com as exceções de Wellington Silva, que substituiu o suspenso Léo Moura na lateral direita, e Wellinton, no lugar de Thiago Medeiros, machucado. Na frente, Vagner Love teve a companhia dos jovens Thomás e Negueba, abertos pelas pontas.
No lado do Náutico, Alexandre Gallo também apostou em receita de sucesso. O time foi quase o mesmo que empatou com o Inter, em Porto Alegre, no meio de semana. As mudanças foram apenas a volta de Ronaldo Alves na zaga (não pôde enfrentar o Colorado por questões contratuais) e a entrada de Cléverson no meio (Martinez cumpriu suspensão).
O jogo começou com o Flamengo buscando o ataque, mas foi o Náutico que teve as primeiras chances. Kieza teve duas oportunidades para abrir o placar, mas não foi feliz: primeiro, após bola desviada em cobrança de escanteio, o atacante não conseguiu concluir bem a gol, e Felipe agarrou sem dificuldades. Depois, em bela jogada pessoal pelo lado esquerdo da área, bateu firme e obrigou o camisa 1 rubro-negro a fazer bela defesa.
O Flamengo, entretanto, tinha Vagner Love com fome de bola. E ele mostrou seu poder de decisão ao abrir o placar aos 14 minutos. Após cobrança de lateral, Love girou em cima da marcação, penetrou na área, driblou o zagueiro Marlon e bateu firme, cruzado, para fazer 1 a 0. Gideão ainda tocou na bola, mas não foi capaz de evitar o gol.
Em vantagem, o Rubro-Negro passou a ter o domínio da partida. Com Negueba e Thomás dando trabalho pelas pontas e com um toque de bola sólido no meio de campo, o Flamengo foi senhor do jogo no primeiro tempo.
Antes de ampliar sua vantagem, o Rubro-Negro criou oportunidades de gol. Renato, em cabeçada aos 32, obrigou Gideão a fazer um milagre. Aos 43, porém, o goleiro do Náutico nada pôde fazer. Ronaldo Alves tentou driblar Love na entrada da área e perdeu a bola. O atacante penetrou e bateu cruzado, na trave. A bola voltou para o próprio Love, que teve calma para cortar para o meio e bater no canto, desta vez com endereço certo: 2 a 0. Os jogadores flamenguistas terminaram a etapa inicial ouvindo os gritos de "o campeão voltou" vindos da arquibancada.
Negueba Flamengo x náutico (Foto: Alexandre Vidal / Fla imagem)Negueba leva a melhor sobre a marcação de Elicarlos (Foto: Alexandre Vidal / Fla imagem)
Kim dá novo gás ao Náutico; Liedson estreia
Na volta para o segundo tempo, o técnico Gallo tratou de mexer no time do Náutico. Cleverson deu lugar a Kim, que em seu primeiro lance já agitou a partida. Fez boa jogada pela direita e bateu cruzado na direção de Kieza. O atacante furou na cara do gol e perdeu grande oportunidade de diminuir a desvantagem do Timbu.
O Flamengo se esforçou para tentar tomar de novo as rédeas da partida. Aos oito minutos, Thomás fez grande jogada pelo lado esquerdo da área e bateu cruzado. Ronaldo Alves cortou para escanteio, debaixo dos paus, e por pouco não fez um gol contra.
O Náutico, avançando em velocidade pelas pontas, começou a dar trabalho. Aos 15 minutos, Dorival Júnior se viu obrigado a fazer sua primeira alteração. O lateral Wellington Silva, que já tinha um cartão amarelo e mostrava dificuldade na marcação, foi retirado do jogo. Ibson entrou na partida, para compor o meio, e Luiz Antonio foi deslocado para a lateral.
Aos 17 minutos, a torcida presente no Raulino de Oliveira começou a pedir por Liedson. O atacante foi chamado logo depois por Dorival Júnior e se preparou para fazer sua estreia. Pisou o gramado aos 21 minutos, na vaga de Thomás, muito aplaudido pelos torcedores.
Na primeira jogada envolvendo o Levezinho, Vagner Love deu um passe em profundidade buscando o novo companheiro, mas a arbitragem corretamente marcou impedimento. Pelo Náutico, Kim continuava como homem mais perigoso. Aos 26, ele costurou pelo meio e soltou a bomba de fora da área. Felipe bateu roupa, mas a zaga do Fla pegou a sobra e afastou o perigo.
Os dois técnicos queimaram suas últimas substituições em seguida. Dorival tirou Negueba e lançou Bottinelli. No Timbu, Gallo mandou o time ao ataque. Rhayner saiu para a entrada de Rico, que tem características mais ofensivas. O lateral Douglas Santos deu lugar a Lúcio.
Aparentando estar mais inteiro no jogo, o Náutico foi para a pressão. Passou a rondar mais a área do Flamengo, que baixou o ritmo. E Kim teve uma chance de ouro para diminuir. Após bobeada incrível de Welinton, que escorregou e caiu, o jogador do Náutico entrou cara a cara com Felipe, mas concluiu muito mal e isolou a bola.
O Rubro-Negro passou a esperar o Náutico para tentar sair nos contragolpes. O time pernambucano, valente, tentou até o fim diminuir o placar, mas não foi capaz. Liedson, já no apagar das luzes, ainda teve a chance de marcar seu primeiro gol no retorno ao Fla, de cabeça, mas a bola saiu mascada. A torcida flamenguista, satisfeita com o que viu, ainda gritou "olé" nos minutos finais
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BRASILEIRAO 2012



Atacante se mostra incomodado com a reclamação da torcida, mas treinador diz que ele não deve responder, apenas trabalhar


O suado empate por 2 a 2 conquistado pelo Santos no final do segundo tempo contra o Atlético-GO, na noite deste sábado, no Pacaembu, só foi possível graças às entradas dos argentinos Patito Rodriguez e Miralles, autores dos gols alvinegros. Enquanto Patito entrou no intervalo, no lugar de Leandrinho, destaque do time na etapa inicial, Miralles substituiuBill aos 28 minutos do segundo tempo, para delírio da torcida do Santos. Irritados com o desempenho do titular, os alvinegros vaiaram muito.
Após a partida, Bill foi questionado sobre as reclamações da torcida e minimizou as críticas vindas das arquibancadas. Apesar de ver justiça na manifestação, ele usou ironia para comentar o assunto.
- É metade da torcida que só fica comendo pipoca. Foram justas as vaias. Futebol é assim: uma hora estamos no céu e outra no inferno - afirmou o centroavante, em entrevista à Rádio Globo.
Responsável pela mudança, o técnico Muricy Ramalho disse que as vaias da torcida não influenciaram na sua decisão. De acordo com o treinador, a substituição foi pautada apenas no desempenho ruim do jogador dentro de campo. O comandante, inclusive, disse que Bill precisa "ficar quieto".
- Eu tiro o jogador quando ele não está bem. É isso o que influencia. O time melhorou com a movimentação do Miralles. Às vezes, você precisa tirar o cara e jogador sente muito, mas tem de reconhecer que tem dia que não dá Precisa se preparar para a próxima. Time grande é assim: se não jogar bem é vaiado. Tem de ficar quieto e trabalhar. A torcida está ajudando o time, mesmo na dificuldade - declarou Muricy
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BRASILEIRAO 2012



'Boi Bandido' faz o gol da vitória contra o Sport, gol que significa muito. Aloisio dá fim a quatro jejuns que deixavam clube em desespero na Série A


Eram 10 minutos da etapa final na Ilha do Retiro. Guilherme Santos está com a bola e vê a arrancada do 'Boi Bandido', Aloisio. O lateral-esquerdo lança e bastam três toques na bola. O primeiro é no ombro, próximo ao coração, o segundo vem com a cabeça, que está pesada de tantas críticas, e último com o pé esquerdo, para fuzilar. Ao encher o pé na bola e estufar as redes do Sport, Aloisio enche o coração do torcedor Alvinegro de esperanças. Ao comemorar, o camisa nove faz, com as mãos, o gesto de limpar - retirar - toda a fase negra que envolvia o Alvinegro catarinense.

Aloisio sabe que o gol único na vitória sobre o Sport, na Ilha do Retiro, significa muito. É o fim de quatro jejuns que incomodavam a torcida, o grupo de atletas e deixava o Figueira em situação de desespero na Série A.

CrônicaFernandes, a cartada do Figueirense para sair do buraco no Brasileirão
"Poucos acreditavam e muitos duvidaram de mim e deste grupo. Vamos sair desta situação
Aloisio
De uma só vez, com três toques na bola, Aloisio determinou o fim das lamentações no Figueirense e devolveu ao grupo a moral que estava agarrada na lanterna do tabela.

O gol do 'Boi Bandido' encerra o pior começo de Brasileirão da era dos pontos corridos — quatorze rodadas sem vitórias, decreta o final da sequência de derrotas de sete jogos e faz o ataque funcionar novamente depois de quatro partidas. Mas nao foi só.
O 'Boi bandido', voltou a fazer a diferença no ataque Alvinegro. O que não acontecia desde o dia 29 de abril, na semifinal do Catarinense, contra o Joinville, no Orlando Scarpelli. Um jejum de gols de 104 dias.
Com os três toques na bola Aloisio exorcizou o mau momento, ergueu a cabeça dos companheiros e devolveu as esperanças aos torcedores. No entanto, Aloisio deixa a Ilha do Retiro saciado, mas não satisteito. O 'Boi Bandido' quer mais, ele quer deixar o Figueira na elite.
— Poucos acreditavam e muitos duvidaram de mim e deste grupo. Mas com muita raça e pés no chão, vamos sair desta situação. Este grupo está trabalhando muito para isso — disse Aloisio, ao canal PFC.
 
Aloísio comemora o gol marcado na Ilha do Retiro (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)Aloísio está de volta e deixa o torcedor do Figueira com esperança de dias melhores
(Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press
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LONDRES 2012



Stephen Kiprotich surpreende quenianos e conquista título olímpico. Brasileiros não decepcionam e ficam entre os 13 melhores da prova


A última prova do atletismo das Olimpíadas de Londres foi pintada com as cores da bandeira de Uganda. Stephen Kiprotich venceu a maratona com o tempo de 2h08m01. Atrás dele vieram os quenianos Abel Kirui (2h08m27) e Wilson Kiprotich (2h09m37), completando o pódio. O brasiliero Marilson Gomes dos Santos não decepcionou. Forte desde o primeiro quilômetro da competição, ele não desgrudou do primeiro pelotão e terminou na quinta posição, com o tempo de 2h11m10.
- Eu nunca cheguei tão quebrado numa maratona como eu cheguei hoje. Acreditei até o final na briga por medalha, pensando que poderia haver alguma quebra entre os três primeiros, mas não teve. Foram os dois últimos quilômetros mais difíceis da minha vida. Fui me arrastando, sentindo o desgaste da prova. Cheguei estafado, mas satisfeito por ter dado o máximo de mim. Pena que não deu para garantir uma medalha. Nunca tive tanta raça - disse Marilson.
Marilson dos Santos no final da maratona das Olimpíadas (Foto: AFP)O brasileiro Marilson dos Santos terminou a martona de Londres na quinta posição (Foto: AFP)
Outros brasileiros a participarem da maratona também tiveram uma boa performance. Paulo Roberto Paula ficou com a oitava posição e a marca de 2h12s17. Frank Caldeira fez o 13º melhor tempo, com 2h13m35.
A tradicional maratona masculina mudou o protocolo para os Jogos de Londres. Ao invés de encerrar a prova em um grande festa dentro do Estádio Olímpico, horas antes da cerimônia de encerramento, a organização optou por colocar os famosos cartões postais da capital britânica no circuito dos maratonistas.
A prova
Diante do Big Ben, London Eye, Catedral de St.Paul e a Tower Bridge, a disputa começou conforme o esperado, com os quenianos dividindo a liderança nos primeiros 5km. O brasileiro Marilson Gomes correu os primeiros metros na 13ª posição.
Na metade da prova, Marilson se consolidou na cola do primeiro pelotão, na 7ª colocação. O queniano Wilson Kiprotich assumiu a ponta, enquanto seu compatriota Abel Kirui vinha em segundo.
Stephen Kiprotich comemora vitória na maratona das olimpíadas (Foto: Reuters)Stephen Kiprotich comemora vitória na maratona das Olimpíadas de Londres(Foto: Reuters)
Nos últimos 5km, a dupla queniana permaneceu na dianteira. Com Abel Kirui e Wilson Kiprotich alternando a liderança. Stephen Kiprotich, de Uganda, vinha na terceira posição. Marilson, por sua vez, continuou na cola, ganhando posições e aparecendo em quarto lugar. O brasileiro Paulo Roberto Paula vinha um pouco mais atrás, em 7º.
Apenas nos minutos finais da prova Stephen Kiprotich assumiu a dianteira. O atleta de Uganda passou à frente da dupla queniana, abrindo uma boa vantagem e garantindo seu lugar no topo do pódio. Nos últimos metros, Marilson perdeu a quarta colocação para o americano Mebrahtom Keflezighi, terminando em quinto.
Frank Caldeira e Paulo Roberto terminaram ente os 13 melhores da prova. Após a competição, Frank elogiou a atuação do trio brasileiro.
- Brasil tem mostrado desde o Vanderlei. É questão de trabalhar o nível. O mundo é muito grande e estamos no caminho para correr igual a eles. Colocar três atletas entre os 15 primeiros é algo muito bom - disse Caldeira.
Oitavo colocado, Paulo Roberto não escondeu a emoção. Muito emocionado e sem segurar as lágrimas, o maratonista brasileiro garantiu ter dado o seu melhor para representar seu país.
- Eu dei meu máximo e cheguei entre os dez. Só quero agradecer ao povo brasileiro por torcer por mim. Passei sacrifício para estar aqui nos Jogos e não pude melhorar minha marca, mas mesmo assim dei o sangue para representar meu país - disse o atleta
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LONDRES 2012



Esquiva e Yamaguchi não vêem a hora de voltar ao Espírito Santo e
comer costela com batata e polenta, especialidade de dona Maria Olinda


Touro Moreno sempre foi um lutador obstinado, com um quê de loucura. Dentro e fora do ringue. Quando viu dois dos 18 filhos agarrados ao peito da mãe deles, logo visualizou ali uma promissora carreira. Nos fundos do quintal de casa, em um ringue improvisado, treinou Esquiva e Yamaguchi, os irmãos Falcão. Nocauteou as dificuldades, sofreu com a saudade quando eles deixaram Serra rumo a São Paulo, atrás da chance de virar atletas olímpicos. Aos 75 anos, viu os dois conquistarem medalhas em Londres 2012. Esquiva foi prata na peso médio e escolhido para levar a bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento; Yamaguchi, bronze na meio-pesado.

- Meu pai diz que assim que a gente nasceu, já batia no peito da minha mãe. Acredito que tenha sido assim mesmo - conta Esquiva.
Esquiva Falcão medalha de prata (Foto: Reuters)Esquiva e a medalha de prata em Londres (Foto: Reuters)
O pugilista, hoje aos 75 anos, cria os nove filhos que teve com Maria Olinda em uma casa modesta na grande Vitória (ES). Ao lado do maior dos personagens, a mãe fica por vezes à sombra. Mas é ela quem faz em casa receita de peso: costela com batata e polenta.

- Não vejo a hora de matar a saudade da comida - diz Esquiva.

Esquiva e Yamaguchi, dois meninos que davam socos na bananeira, em um quintal de terra batida em Serra, na periferia de Vitória. Adegard Câmara Florentino, um lendário lutador de boxe e vale-tudo e telecatch, ainda exibe físico de atleta, ainda leva vida de atleta. Nas últimas duas semanas, foi o mais importante dos torcedores.

"Seu Touro" tem mais dois filhos lutadores. Thomas Edson, nome em homenagem ao inventor, tem 20 anos e compete na pesado. Estivan - honraria a Teófilo Stevenson, cubano tricampeão olímpico - tem 15 anos e detém o título brasileiro na categoria até 52kg.
Esquiva ganhou o nome por uma estratégia do pai. Naquele tempo, as então novas regras do boxe não permitiam que os treinadores dessem instruções aos atletas. Mas chamar alguém pelo nome "Esquiva" não seria infração.

Na escola, nada de brincadeiras. Esquiva, menino brigão, assustava já pelo nome. No fim da  adolescência, depois de uma desilusão do esporte, se envolveu com tráfico de drogas. E foi Touro quem o tirou de lá, com ajuda de um treinador.

- Eu era brigão na adolescência. Todo mundo me respeitava. E quando perguntavam sobre o nome, eu dizia que era por causa do boxe. Aí todo mundo ficava com medo - conta ele, hoje aos 22 anos.
Yamaguchi Falcão antes da última luta Jogos de Londres (Foto: Murad Sezer/Reuters)Yamaguchi mudou de categoria a pedido do pai
(Foto: Murad Sezer/Reuters)
Touro não queria ver um filho dando socos no outro, queria ter duas cartas na manga para as Olimpíadas. "Uma delas vai brilhar". Pediu para Yamaguchi, com mais dificuldade de se manter até 75kg, pular para os meio-pesados (até 81kg). Em Londres, o mais velho - 24 anos - não chegou a atingir o limite. Perdeu nas semifinais e ficou com o bronze.

Para dar o recado aos filhos, Touro tinha de ir até um orelhão. Na sua casa, nunca houve linha telefônica. Talvez chegue uma, junto com a medalha dos filhos. Para o pai e os filhos do Espírito Santo.

- Conseguimos chegar até aqui, mesmo treinando sem muitas condições. A gente é um fenômeno, né? Dois irmãos chegarem a medalhista. Alguma coisa tem, né? - pergunta Esquiva, ainda sem acreditar muito que está com prata no peito.

Tem sim. Talento e superação
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LONDRES 2012



Técnico da seleção de vôlei teve de arquitetar plano para poder tocar nas costas do voluntário inglês e fazer um pedido, exatamente como há 20 anos


Até colocar os pés pela primeira vez na Vila Olímpica foi preciso paciência. Um probleminha na credencial ia fazer José Roberto Guimarães perder uns bons minutos ali na porta. Enquanto aguardava pela solução e antes mesmo de reclamar, o técnico resolveu olhar para o lado. Não acreditou no que viu. Aquele homem corcunda, que trabalhava vestido como um voluntário, era um sinal de muita, mas muita sorte. Há 20 anos, o que apareceu na sua frente usava uniforme de garçom e não sabia que o tapinha nas costas que recebeu na saída do restaurante tinha um significado muito maior do que parecia. Zé Roberto havia feito naquele momento um pedido, que saiu melhor do que a encomenda com o ouro nos Jogos de Barcelona. Em Londres, foi preciso uma estratégia melhor.
vôlei Zé Roberto brasil olimpíadas 2012 (Foto: Reuters)Final feliz para José Roberto Guimarães: superstição funcionou mais uma vez em Londres (Foto: Reuters)
- Quando você vê um corcunda tem que colocar a mão nas costas dele e fazer um desejo. Fiquei pensando no que ia fazer para conseguir isso. Fiquei arquitetando um plano, afinal não custava porque tinha dado certo na primeira vez. Pedi ajuda, consegui um pin do Brasil e fui atrás dele. Fiquei alucinado porque ele tinha ido embora. Mas aí ele voltou, fui lá e disse. "Tem um pin aqui para você". E bati nas costas dele - ri.
Supersticioso convicto, Zé Roberto fez das manias dele as de toda a família. Em dia de jogo ninguém usa preto. Carregar imagens de santo e terços, pode e deve. Fazer promessas também. Na tentativa de encurtar o caminho até o bicampeonato, Alcione, a esposa, fez várias delas. E o marido terá que pagar todas, direitinho.
- Eu tenho que agradecer a ela porque ficou três horas e meia na igreja antes da final. Ela faz promessa para eu pagar, mas também fica sem comer chocolate que é uma coisa que adora. Eu vou fazer uma parte do caminho de Santiago de Compostela (fez após o título de 2008) e pedir a liberação do pessoal do Campinas para isso. Eu aqui rezei muito como nunca tinha feito na minha vida. Tenho que pagar muita promessa.
vôlei Zé Roberto brasil olimpíadas 2012 (Foto: AFP)O técnico festeja o ouro neste sábado (Foto: AFP)
Início de jogo ruim
Fiquei apreensivo no primeiro set porque tomamos um couro. Quando saímos para o segundo, fizemos tudo o que tínhamos que fazer. Tínhamos que ir pelo nosso lado forte e não ficar pensando no que elas eram fortes. Não podíamos mudar nossa característica de atacar e o sistema defensivo. Aí, no segundo set os Estados Unidos eram o Brasil do primeiro.
Primeira fase
Tive um momento extremamente crítico aqui. Pensei quando perdemos: "O que vou falar para o pessoal (jornalistas) lá fora? Falei o que o meu coração mandou. O time estava bem treinado, mas estava jogando mal, chamando responsabilidade sem dividir como devia. A gente se reuniu, sentou para conversar e as coisas começaram a fluir. Passaram uma dificuldade enorme e saíram como uma fênix das cinzas e começaram a acreditar. Aquele jogo contra a Rússia foi um marco na nossa história.
Dar a mão
Senti que o momento não era de crítica e de cobrança, de dizer vocês são isso ou aquilo. Senti que elas precisavam de carinho e resgate de autoestima, que elas eram boas e capazes. Foi importante a reação que partiu delas. Fico mais maduro a cada dia, apesar de toda a tempestade. Consegui parar e pensar com sabedoria. E rezei muito como nunca tinha feito na minha vida. Tenho que pagar muita promessa.
Música
Eu não sou de escutar música no ipod porque fico concentrado, mas depois do jogo contra a Coreia eu ouvi. Gosto muito de música italiana e tinha uma do Antonello Venditti ("Che fantastica storia è la vita"), que diz que quando as coisas estão complicadas você tem que acreditar que pode começar uma subida, pode encontrar uma saída. A nossa aqui foi uma história linda. É uma história bonita de vida.
Vôlei Família Zé Roberto Guimarães Brasil x Rússia (Foto: Danielle Rocha/GLOBOESPORTE.COM)A esposa Alcione (morena, ao centro) antes da final contra os EUA  (Danielle Rocha/GLOBOESPORTE.COM)
Tricampeão
Não sei... Acho que é alguma coisa que vem lá de cima. Acho que foi um feito legal. Sei a história do Adhemar (o bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva). Mas sei lá, só tenho a agradecer a todos, técnicos, professores que trabalham com vôlei e CBV por ter dado a oportunidade de continuar. Sobre ir até 2016? Não sei ainda.
Palavra que marca a carreira
Perseverança. Essa palavra traduz muita coisa. Não ter desistido depois de 2004, o pior ano da minha vida. De carregar a missão de ser professor e gostar de ensinar. E isso foi fundamental. Carrego essa missão e vou morrer com ela
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UFC COMBATE


Em mais uma luta equilibrada entre os dois, Bendo conquista o triunfo por decisão dividida dos jurados. Edgar não concorda e atira o boné no chão


Mais uma luta equilibrada. Mais uma decisão que promete gerar polêmica. Assim foi a atração principal do UFC 150, em Denver, na noite deste sábado. E, após cinco rounds de bela trocação entre Ben Henderson e Frankie Edgar, a vitória ficou com o primeiro, que manteve o cinturão peso-leve do Ultimate por decisão dividida dos jurados. Assim como no primeiro duelo, em fevereiro, quando perdeu o título da categoria para o oponente, Edgar não concordou com o resultado. Desta vez, atirou o boné no chão como forma de protesto.
Ben Henderson e Frankie Edgar UFC 150 (Foto: Associated Press AP)Ben Henderson não esconde o sorriso, e Frankie Edgar reclama do resultado (Foto: Associated Press - AP)
O combate começou com muito estudo e respeito por parte dos dois lutadores. Ben Henderson acertou três chutes baixos; no último, chegou a derrubar Frankie Edgar, mas a luta logo voltou para cima. Edgar tentou surpreender com um chute alto que foi no vazio e, em seguida, pegou a perna do rival para derrubá-lo. Mesmo por baixo, Henderson encaixou a guilhotina, mas Edgar conseguiu aguentar até o fim do round.
No segundo assalto, Bendo voltou a incomodar Edgar com os chutes baixos, deixando o oponente com a panturrilha esquerda bem vermelha. Mas o melhor momento foi de Edgar, que acertou um overhand de direita e conseguiu o knockdown. Ele foi para cima e quase encaixou a guilhotina, mas acabou perdendo a posição.
Ben Henderson e Frankie Edgar UFC 150 (Foto: Getty Images)Henderson aponta para o céu (Foto: Getty Images)
Henderson não sentiu a pressão e acertou dois bons chutes altos no começo do terceiro assalto, que foi bem equilibrado. Com o nariz sangrando, Edgar também não se intimidou e tentou a aproximação por cima. O ex-campeão buscou agarrar a perna duas vezes em chutes do oponente, mas não obteve sucesso.
A trocação ficou mais afiada no quarto round, com bons chutes de Henderson e bons diretos de Edgar. Em mais um chute de Bendo, Edgar agarrou a perna e o derrubou, tentando a guilhotina. O campeão, porém, escapou da situação. De novo em pé, os dois trocaram vários golpes fortes. No finzinho, Bendo provocou o rival ao gesticular chamando-o para a luta.
No quinto e último assalto, Edgar aplicou boa queda de início, mas Henderson rapidamente se levantou. Com os dois mais conservadores, o combate perdeu um pouco de ritmo. Com ligeira vantagem na trocação, Henderson se desequilibrou após levar um chute baixo de Edgar, e o público se agitou no minuto final.
Na decisão dos jurados, a vitória ficou com Ben Henderson de forma dividida: dois deram o triunfo a ele por 48 a 47, enquanto o terceiro deu para Edgar por 49 a 46. Indignado com o resultado, o ex-campeão atirou o boné no chão como protesto.
Foi a vitória de número 17 em 19 lutas na carreira de Bendo, de 28 anos. Ele ainda está invicto no UFC, onde conquistou o quinto triunfo consecutivo. Edgar, de 30 anos, por sua vez, sofreu o terceiro revés em 18 combates. Ele havia perdido o cinturão para o oponente no UFC 144, no Japão, em 26 de fevereiro.
Ben Henderson vence Frankie Edgar no UFC 150 (Foto: Getty Images)Ben Henderson acerta chute alto no rosto de Frankie Edgar no UFC 150 (Foto: Getty Images)
Veja todos os resultados do UFC 150:

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