quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SERIE B

Em novembro, Criciúma encara rivais que brigam nos extremos da tabela 

Com chances nulas de acesso, Carvoeiro busca pontuação necessária para escapar da degola nos confrontos contra Botafogo, Boa Esporte, Oeste, Paysandu e CRB

Por Criciúma, SC
Depois de meses focado na busca pelo acesso à elite, o Criciúma se prepara para os últimos cinco compromissos na Série B de 2015. E todas as partidas, dentro ou fora do estádio Heriberto Hülse, serão realizadas neste mês de novembro. Sem chances de retornar à Série A na próxima temporada e com o alerta ligado em relação ao rebaixamento à Série C por causa da baixa pontuação, o Carvoeiro vai enfrentar times que têm objetivos distintos na Segundona.
Criciúma apresentação (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)Carvoeiro terá três jogos no Heriberto Hülse na reta final (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)
O primeiro desafio será contra o líder do campeonato, o Botafogo. Na tarde do próximo sábado, 7 de novembro, a partir das 17h30, o Carvoeiro vai buscar a vitória diante do time carioca. Um dos ingredientes do embate será a possibilidade de confirmação matemática do acesso da equipe alvinegra - os comandados de Ricardo Gomes estão a uma vitória ou empate (dependendo de outros resultados) de poder comemorar o retorno à elite após o rebaixamento no fim de 2014.
Na sequência, mais um compromisso diante da torcida tricolor. No dia 10, é a vez do Tigre receber o Boa Esporte, adversário que pode pisar no Majestoso já rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro. O time mineiro é o 19º colocado na tabela de classificação, tem apenas 24 pontos e precisa de uma combinação de resultados para escapar da degola. 
Roberto Cavalo Criciúma (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)Roberto Cavalo vai enfrentar o ex-clube no dia 13 de novembro (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)
Com 15 pontos a disputar, o Boa teria que vencer todos os últimos cinco jogos que lhe restam para chegar aos mesmos 39 pontos e ainda passar o Criciúma no critério desempate, com 10 vitórias contra 9 - contando que o Tigre perca todas as partidas da reta final. Difícil? Quase impossível. Mas a chance, mesmo que mínima, existe. 
O Oeste é o terceiro rival do Criciúma no mês de novembro e a equipe paulista tem o mesmo objetivo dos catarinenses: a permanência na Série B. O confronto vai marcar o reencontro do time com Roberto Cavalo, o atual treinador do Tigre.
O Paysandu será o penúltimo adversário do Tricolor. Na 8ª colocação na tabela de classificação e com 16% de chance de acesso, o Papão vai duelar com o Tigre no dia 21 de novembro. Yago Picachu é um dos destaques da equipe do Pará. No Sul de Santa Catarina, no turno, os catarinenses, ainda sob o comando de Dejan Petkovic, venceram por 1 a 0, com gol contra do atacante Everaldo.
O CRB de Zé Carlos, atacante bem conhecido pela torcida carvoeira, será o adversário no confronto que marca a despedida do Criciúma na edição 2015 do Campeonato Brasileiro. O Zé do Gol foi a referência da equipe na campanha do acesso de 2012. Com 41 gols na temporada, ficou como o segundo maior artilheiro do país, apenas dois tentos atrás de Neymar, que fez 43 naquele mesmo ano. Em 2014 voltou ao Sul, mas não teve o desempenho esperado.
Zé Carlos CRB Criciúma (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas)O atacante Zé Carlos, hoje no CRB, deixou saudades no Criciúma (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas)
Confira a sequência de jogos do Carvoeiro na reta final:
07/11 - Criciúma x Botafogo
10/11 - Criciúma x Boa Esporte
13/11 - Oeste x Criciúma
21/11 - Paysandu x Criciúma
28/11 - Criciúma x CRB

UFC

ULTIMMATO

Cumprindo suspensão após ser flagrado em exames antidoping antes e depois do UFC 183, Anderson Silva deixou os fãs em polvorosa nesta terça-feira, ao postar uma mensagem enigmática em seu Instagram.

"Boa tarde meu povo, estou voltando #UFC ABRIL", escreveu o ex-campeão dos médios no início da mensagem, dando a entender que voltará a lutar em breve, em evento que deve acontecer no mês de abril.

Rumores de um possível card em Curitiba, que teria a revanche entre Fabrício Werdum e Cain Velásquez como luta principal, e Anderson Silva no mesmo evento enfrentando Michael Bisping, já circularam pela internet, e ganharam ainda mais força depois que Werdum iniciou uma campanha para lutar no país e o próprio Velásquez afirmou em um "Perguntas e Respostas" com fãs que aceitaria enfrentar Werdum no Brasil. Até o momento, o Ultimate não confirmou os boatos.

Anderson Silva, Instagram, volta, brasil

NOTICIAS

Franziska Van Almsick: recordista de medalhas olímpicas sem nenhum ouro

Alemã tem dez conquistas nos Jogos, mas nunca subiu ao lugar mais alto do pódio

Por Rio de Janeiro
Van Almsick (Foto: Stuart Franklin / Getty Images)Franziska Van Almsick nos Jogos Olímpicos Atenas 2004 (Foto: Stuart Franklin / Getty Images)
A nadadora Franziska Van Almsick é um dos grandes nomes da história do esporte alemão: foi recordista mundial dos 100m e 200m livre, é a segunda maior medalhista olímpica do país e ganhou o prêmio Laureus, considerado o “Oscar do esporte”, em 2003, na categoria “Retorno do Ano”.
Nos Jogos Olímpicos, seus números são ainda mais impressionantes: além de ter subido ao pódio aos 14 anos, disputou quatro edições do evento e voltou para casa com dez medalhas ao todo. Porém, Van Almsick detém um recorde, no mínimo, curioso: é a maior medalhista olímpica a nunca ter conquistado um ouro: são quatro pratas e seis bronzes.
Sua trajetória olímpica teve início em Barcelona 1992, quando obteve quatro medalhas. Em Atlanta 1996, foram outras três. Para sua infelicidade, um acidente de moto em 1997 acabou a afastando das piscinas temporariamente. Com uma preparação longe do ideal para Sydney 2000, conseguiu apenas uma medalha nestes Jogos, no revezamento 4x200m livre. Após nova interrupção na carreira em 2001, dessa vez por opção pessoal, voltou com tudo a Atenas 2004 e encerrou sua participação nas Olimpíadas com duas medalhas (veja a lista de conquistas abaixo).
Medalhas Franziska Van Almsick (Foto: SporTV.com)(Foto: SporTV.com)
Apesar da estatística, um tanto quanto ingrata, apontar que Van Almsick é a maior medalhista olímpica da história a nunca ter vencido uma prova, os números não devem ser encarados como demérito, e sim como curiosidade. Afinal, dez conquistas em Olimpíadas são para poucos.

NOTICIAS

Centroavante ou 2º atacante? Carreira prova que Guerrero não é homem-gol

Agora em dificuldade no Fla, peruano, que tem o hábito de sair da área, já jogou pelas pontas e até hoje faz variadas funções com a camisa da seleção de seu país

Por Rio de Janeiro

Guerrero, Flamengo, Corinthians, Hamburgo, Bayern, seleção (Foto: GloboEsporte.com)
Da média de um gol por jogo registrada nas três primeiras partidas pelo Flamengo à de 0,25 (quatro em 16 partidas), Guerrero deixa a dúvida na torcida rubro-negra: é homem-gol ou não? Em 13 anos como profissional, foi às redes 144 vezes em 426 confrontos, número baixo (média de 0,33). 
Porém, o peruano nem sempre atuou centralizado. No Bayern, o compatriota Pizarro era a referência, e ele tinha que sair da área. Pela seleção peruana, acumula funções, desde a meia à ponta esquerda. Em Hamburgo, sempre foi 9, algo que se repetiu no Corinthians até 2014, ano em que Mano Menezes o estimulou a buscar os lados do campo. Hoje pouco acionado na Gávea, segue buscando a bola (imagens do jogo contra o próprio Corinthians ilustram isso) nos cantos e na intermediária. Para explicar a carreira do atleta de 31 anos, o GloboEsporte.com ouviu jornalistas que o acompanharam desde o Peru ao Alvinegro do Parque São Jorge.
*Estatísticas retiradas do site ogol.com.br
*Os gols pelo Bayern B não foram considerados pela reportagem
BAYERN (2003 A 2006)
Guerrero Bayern de Munique 2005 (Foto: Reuters)Guerrero, em ação pelo Bayern em 2005 (Foto: Reuters)
Guerrero estreou profissionalmente com a camisa dos bávaros em 3 de dezembro de 2003, com apenas 19 anos. O Bayern venceu o Hamburgo por 3 a 0, e o peruano entrou aos 29 do segundo tempo. Foram somente 45 jogos em três temporadas (2004 a 2006). Ralf Itzel, jornalista alemão que participou da cobertura da última Copa do Mundo por Globo e Sportv, explica que o flamenguista atuou muito como segundo atacante diante da presença de Pizarro, ora pelas pontas ou mais recuado. 
Guerrero e os gols pelo Bayern de Munique (Foto: GloboEsporte.com)
- Se lembro bem, no Bayern era mais um "joker" (curinga), um jogador que entra do banco. Jogava como segundo atacante, muitas vezes atrás do Pizarro, também peruano e que era o mais forte dos dois. Guerrero não fez um grande sucesso no Bayern, mas também não era ruim - opinou Itzel.
HAMBURGO (2006 A 2012)
Paolo guerrero hamburgo (Foto: Agência Getty Images)Guerrero viveu momentos bons no Hamburgo (Foto: Getty Images)
O camisa 9 do Flamengo trocou de casa na Alemanha em 2006, ano em que passou a defender as cores do Hamburgo. Segundo o jornalista Kai Schiller, do diário local Hamburguer Abendblatt, o atleta foi centroavante por lá e obteve grande destaque no início da temporada 2009/2010, com cinco gols nos seis primeiros jogos. Uma lesão no joelho esquerdo, porém, o atrapalhou.
- Pelo Hamburgo jogava um pouco como Lewandowski faz agora no Bayern. Foi novo para o Hamburgo. Tentava jogar de costas para o gol, mas também voltava um pouco mais para tentar participar do jogo. Fez muitos gols no início da temporada 2009/2010. Era um dos principais jogadores do time, mas teve que parar por cinco meses e nunca mais foi o mesmo. Ainda jogou bem, mas não como era - explicou o jornalista.
Schiller narra também que o peruano protagonizou alguns casos de indisciplina pelo Hamburgo.
- O escândalo mais conhecido é o de uma partida contra o Hannover (2010). Ele ficou muito aborrecido com um torcedor e jogou uma garrafa nele (atitude que rendeu punição do próprio clube de cinco jogos de suspensão a Guerrero). Depois (em 2012), fez uma falta grave no goleiro do Stuttgart (Sven Ulreich) e acabou suspenso por oito rodadas.
Guerrero, Flamengo, Hamburgo (Foto: GloboEsporte.com)
Também não pegou bem na Alemanha o fato de Guerrero, após a operação no joelho esquerdo, ter retardado muito seu retorno à Europa. O medo de avião, potencializado pela morte de seu tio José Manuel González, ex-goleiro da seleção peruana, em acidente aéreo, motivou a "novela". Um psicólogo do Hamburgo foi enviado ao Peru para resolver a questão e, após relutar muito, o centroavante retornou.
CORINTHIANS (2012 A 2015)
guerrero corinthians x chelsea (Foto: Getty Images)Guerrero festeja gol do título mundial (Foto: Getty Images)
Guerrero atingiu o ápice de seu futebol no Parque São Jorge. Chegou para ser a referência e, menos de cinco meses após a estreia (entrou no fim da vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro), fez o gol mais importante da história alvinegra, que garantiu ao Corinthians o título mundial de 2012, no triunfo por 1 a 0 sobre o Chelsea.
No total, foram 52 gols divididos em 128 jogos com a camisa corintiana (média de 0,4). Justo no ano em que trocou São Paulo pelo Rio viveu sua melhor média no ex-clube: 10 em 19 (0,52). E alcançou tais números em nova função, estimulada por Mano Menezes na temporada passada. O comandante anterior pediu que o peruano passasse a sair mais da área, e Tite manteve a orientação. Na época da mudança, Guerrero aprovou.
- Gosto de me movimentar. Não há como as bolas sempre chegarem à frente. Então tenho de procurar a bola e fazer minhas próprias jogadas. Temos jogadores de muita qualidade que sabemos que podem nos deixar na cara do gol, como o Jadson, mas às vezes os times estão bem fechados e aí é impossível receber bons passes. Me acostumei a jogar assim e é assim que o professor Mano quer. Aqui no time do Corinthians todo mundo tem que marcar gol. Antes eu era centroavante. Mano não quer centroavante. Isso é algo que está mudando no futebol. Até os laterais vão à frente para fazer gol. Então espero ter possibilidade de fazer gols, mas também posso fazer jogadas e dar passes para meus companheiros - afirmou, em setembro de 2014.
Guerrero, Flamengo, Corinthians (Foto: GloboEsporte.com)
Setorista do Corinthians pelo GloboEsporte.com e envolvido com a cobertura do clube mais popular de São Paulo há sete anos, Carlos Augusto Ferrari destrinchou as fases de Guerrero com a camisa alvinegra.
- Com o Tite, no ano do Mundial, ele era centroavante mesmo, não tinha muita liberdade para se movimentar. Com o Mano no ano passado, ele saía muito mais, caía pelos lados. Quando o Tite voltou, continuou mais solto. Claro, era a referência do time na área, mas quando o jogo ficava muito marcado, o Tite o soltava para que ele saísse da área. Aí entravam (na área) Jadson, Renato Augusto e Elias - explicou.
PERU (2004 A 2015)
Medel Guerrero Peru x Chile eliminatorias (Foto: Reuters)Guerrero contra o Chile (Foto: Reuters)
Um dos maiores ídolos da história do Peru, Guerrero faz jus ao apelido de "El General" e atua como um líder em campo. Faz as funções de centroavante, mas volta para buscar a bola, e consequentemente, torna-se um meia. Também cai muito pelo lado esquerdo e auxilia os colegas a marcarem seus gols. 
- Na seleção, tem a camisa 9, mas não joga enfiado na área rival. Volta muito e gosta muito de jogar aberto pela esquerda. Inclusive, de ponta esquerda, dá muitos passes para gols, mas também faz gols como um autêntico 9. Há um gol contra o Uruguai, na Copa América de 2011, que é o mais claro exemplo disso. Faz uma diagonal rapidíssima. Ele não é goleador, mas tem estilo de goleador. Não é um 9 que resolve tudo. Pode atuar melhor com Kayke. Danilo (do Corinthians) foi o 10 que o melhor entendeu - explica Omar Paredes, jornalista do diário peruano "Depor".
Guerrero é um herói local e na última Copa América (2015) repetiu o que já havia conquistado na edição (2011) e terminou como artilheiro, com quatro gols, um a menos do que havia anotado quatro anos antes. 
No último dia 13, na derrota por 4 a 3 para o Chile, fez seu 26º gol pela seleção igualou o principal jogador nascido no país andino, Teófillo Cubillas.
Guerrero tem pelo Peru 26 gols em 64 jogos (média de 0,4).

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Herdeiro ao trono? José Aldo aponta promessa do MMA como seu sucessor

Aos 20 anos de idade, carioca Kauê Fernandes, companheiro de treinos do dono do título do UFC, é elogiado pelo manauara, que faz previsão: "Eu o vejo sendo campeão"

Por Rio de Janeiro
Kauê Fernandes e José Aldo (Foto: Marcelo Barone)Kauê Fernandes treina com José Aldo, campeão peso-pena do UFC, na academia Nova União, no Rio de Janeiro (Foto: Marcelo Barone)
No regime monárquico, o rei se mantém no cargo até morrer ou ao abdicar do trono. No MMA, o reino dos pesos-penas do UFC é liderado pelo soberano José Aldo, que vem rechaçando todos que tentam derrubá-lo, defendendo com socos, chutes e joelhadas o posto que ocupa desde 2011, na organização.

Aos 29 anos, José Aldo declarou que não pretende ficar onde está por muito tempo. Espera aproveitar a vida longe da rotina, abrindo mão da coroa e dos benefícios que ela lhe traz. O eleito como seu herdeiro, porém, está em seu próprio reino - a academia Nova União. O peso-pena Kauê Fernandes, 1,82m, é apontado pelo campeão como a grande aposta para que as cores verde e amarelo sigam no topo da categoria.

- Na Nova União tem o Hacran (Dias), o Felipe Fróes, o Nikolas Motta, que participou do TUF, Felipe Jesus, Jonas Bilharinho, que não é da academia. Aqui dentro da equipe tem um moleque que eu o vejo sendo campeão, o Kauê Fernandes. Ele é agressivo, bom no kickboxing, no chão, está na segunda luta apenas, mas daqui a um tempo vocês vão ver esse moleque brilhando. Quando o Aldo parar de lutar, espero ver alguém da academia seguindo o caminho de campeão. Tomara que eu passe o bastão para um brasileiro, para que eles (gringos) não sintam nunca esse gostinho.
Dentre nomes conhecidos do MMA, como Renan Barão, ex-campeão do UFC, Dudu Dantas, ex-campeão do Bellator, e veteranos com história nas artes marciais, como Thales Leites e Léo Santos, está Kauê Fernandes, um dos mais novos da academia. É difícil notá-lo em meio a tantos rostos conhecidos, mas é no jovem que José Aldo e Dedé Pederneiras, líder da equipe, depositam suas fichas a longo prazo.
Kauê Fernandes (Foto: Marcelo Barone)Carioca, que faz muay thai há 13 anos, afirma que graduação foi um momento tenso (Foto: Marcelo Barone)
Kauê Fernandes é natural do Rio de Janeiro. Ingressou no muay thai aos sete anos de idade e, desde que terminou os estudos, não optou pelo caminho natural de seus outros colegas de classe. A sua universidade tem sido a academia, onde aprende novas técnicas, aprimora as antigas e busca a sua formação como lutador profissional.

- Nunca mais parei de fazer muay thai. São 13 anos de treinos e, depois que passei a frequentar os treinos dos profissionais na Nova União, decidi o que eu queria ser. Eu me sinto muito bem nisso. 

A família estranhou, inicialmente, as artes marciais como o caminho a ser seguido. Os planos de cursar Educação Física ou Fisioterapia ainda existem, mas dois momentos cruciais fizeram Kauê enxergar que seu futuro está no cage.

- Fui virando essa chave aos poucos, principalmente depois do meu exame de faixa preta de muay thai. Foi um exame sinistro, com o Hernani, o Olivieri, apanhei para caramba, mas gostei. Naquele dia falei: "Quero estrear no MMA". Depois da minha primeira luta, após aquela sensação de ter lutado, fiz o treinamento, perdi o peso, senti a adrenalina, tive essa certeza. Foram esses dois momentos.

A quantidade de atletas gabaritados dá estímulos para a longa jornada. A inspiração, que aparece na televisão e nos jornais, está lado a lado com ele, na abafada academia da Zona Sul do Rio de Janeiro.
São treinos de alto nível, dá uma vontade a mais de treinar. A melhor coisa que pode ter é um monte de pessoas para se espelhar todos os dias.
Kauê Fernandes
- É uma grande inspiração olhar para o lado e ter um campeão, olhar para o outro lado e ter outro campeão. São treinos de alto nível, dá uma vontade a mais de treinar. A melhor coisa que se pode ter é um monte de pessoas para se espelhar todos os dias. Temos o José Aldo, Barão, Dudu Dantas, Léo Santos, que era sinistro no jiu-jítsu. Isso faz você ficar motivado para se dedicar ao máximo todos os dias.
Com aparência diferente do estereótipo de lutador de MMA - cujo cabelo raspado e as imensas tatuagens são quase regra - Kauê conta que já foi visto com certa desconfiança por aqueles que não fazem parte de seu time. Ele, porém, não se abate.
- Por eu ser um pouco mais estruturado, às vezes, sinto algo como se dissessem: "Ele é playboy, está aqui só por diversão". Tento provar isso de outra maneira para quem pensa isso. Não é por ter uma estrutura a mais que você é melhor ou pior do que alguém. Eu não sinto isso com a galera daqui, mais com um ou outro de fora. Aqui sabem que quero ser lutador desde novo. Pela forma com que faço as coisas, deixo claro onde quero chegar.
Kauã e Kauê Fernandes (Foto: Marcelo Barone)Kauê Fernandes recebe ajuda do irmão, Kauã, que também é lutador profissional de MMA (Foto: Marcelo Barone)



Faixa-roxa de jiu-jítsu e especialista em muay thai, Kauê tem na trocação o seu ponto forte. Foi utilizando as duas artes que garantiu vitórias rápidas em suas duas lutas de MMA. Em abril de 2014, estreou finalizando Emanuel Gonçalves, em 22 segundos, pelo Shooto Brasil. Em agosto deste ano, venceu Luiz Felipe Jones, por nocaute técnico, aos 26 segundos.

-  Eu gosto de usar minha envergadura para a categoria (66kg), prefiro ficar em pé, mas me sinto confiante em todas as áreas. Procuro ser agressivo, o público gosta de lutar pra frente. Espero que a galera fique atenta às minhas lutas. Não gosto de deixar para os jurados. Preciso melhorar meu wrestling, uma coisa que os gringos são muitos bons. Tento sempre evoluir até no muay thai. Todos os dias têm coisas novas para aprender, é um esporte dinâmico. Quero adquirir experiência para, quando estiver dentro do cage, não ficar espantado com alguma novidade - declarou o atleta, que também tem um irmão mais novo, Kauã, no MMA.
UFC e apelido inusitado
Com a carreira ainda em início, Kauê tem no UFC apenas um sonho distante. Sem pressa, sabe que precisa acumular bagagem nos eventos nacionais para, quando puder dar um salto maior, não tropeçar nas próprias pernas. Uma vez no Ultimate, espera nunca mais sair.

- Tenho o sonho de lutar no UFC, lutar no exterior. Não traço um ano específico. Quero pegar experiência para, quando chegar a hora, estar preparado para não sentir a pressão e mostrar o meu trabalho. Quero estar bem para nada me atrapalhar fora da luta. Entrar é difícil, mas permanecer é mais difícil ainda. A gente sabe que, se perder duas lutas, vai embora.

Por enquanto, Kauê é conhecido apenas pelo primeiro nome. Os parceiros de treino, é claro, preferem chamá-lo pelo apelido, que ele deverá tornar oficial e adotar em seus próximos combates.
Kauê Fernandes (Foto: divulgação)Atleta debutou nas artes marciais mistas ano passado e soma duas vitórias rápidas na carreira (Foto: divulgação)


- Eles me chamam de Kauê "Sherdog", que é um site que contabiliza combates, porque treino tão forte que meus treinos equivalem a lutas, pelo meu jeito de treinar. Tem tanta gente boa, que você fica receoso de apanhar e acaba indo mais forte do que o necessário, por isso a galera começou a me chamar de Kauê Sherdog. Não me lembro quem começou com isso. Treinava igual maluco, me escalpelava, saía todo quebrado.

Sem hábito de dar entrevistas, Kauê ainda tem muitas novidades a encarar nos próximos anos, quando tentará consolidar sua carreira. A confiança de José Aldo, ele já tem. Os elogios são equivalentes aos que os jovens jogadores de futebol recebem dos ídolos consagrados. São "olheiros" que, dificilmente, erram.

- Eu tento absorver as palavras dele da melhor maneira possível. Se ele fala isso, fico muito feliz. Vejo que o trabalho duro tem dado resultado. Ao mesmo tempo que é uma coisa boa, tem a pressão do outro lado. Procuro manter a cabeça no lugar, focar no que está dando certo.

CORINTHIANS

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