quinta-feira, 15 de outubro de 2015

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Melhor árbitro do Paulistão abandona quadro da CBF e critica Sérgio Corrêa

Após apitar apenas uma partida no Brasileirão e não participar de testes físicos e teóricos, Guilherme Ceretta é afastado e dispara contra Comissão de Arbitragem

Por Sorocaba, SP
Guilherme Ceretta de Lima comanda partida entre Ceará e Sampaio (Foto: Divulgação)Guilherme Ceretta de Lima não apitará mais pela CBF (Foto: Divulgação)
Eleito o melhor árbitro da última edição do Campeonato Paulista, Guilherme Ceretta de Lima parece ter perdido a esperança de ter reconhecimento nacional e internacional. Um dos aspirantes indicados no país ao quadro da Fifa, o árbitro anunciou que não apitará mais pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enquanto a Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) for comandada por Sérgio Corrêa. 
– Desde que os critérios começaram a não ser coerentes, não demonstrarem segurança para poder participar deste grupo, prefiro ficar apenas na FPF [Federação Paulista de Futebol]. Na Federação temos o suporte grande do coronel Marinho, que tem muita credibilidade, controle, critério e, além de tudo, é um ser humano que não mistura o pessoal com o profissional.
O estopim para Guilherme Ceretta desistir do quadro nacional de árbitros veio após deixar de participar da escala do Campeonato Brasileiro. Na atual edição, apitou apenas um jogo: a vitória do Flamengo sobre o Coritiba, válido pela sétima rodada. A não expulsão do atacante Wellington Paulista, que ofendeu o auxiliar Marcelo Van Gasse, resultou em um afastamento temporário (confira o lance no vídeo abaixo). Depois disso, acabou não participando de outros sorteios e se ausentando dos testes físicos e teóricos, critérios para seguir dentro da escala. Para Ceretta, a punição imposta pela CBF foi exagerada, e isso fez com que ele tomasse a atitude de não seguir mais apitando pela entidade. 


 Pela CBF, enquanto a gente tiver esse tipo de pessoas no comando, em que os critérios não sejam bem definidos, que fica colocando em dúvida todo esse processo, eu prefiro ficar fora dele. Continuo apitando em São Paulo, sendo comandado por pessoas que têm caráter."
Guilherme Ceretta de Lima.
– O erro faz parte. Da mesma forma que um jogador perde um pênalti e não fica fora de partidas subsequentes. O puxão de orelha nos ajuda e a gente aprende muito com os nossos erros, individualmente mesmo. Não precisa ninguém falar nada porque sabemos quando vamos mal. A punição é mais pessoal do que profissional. Desde 2014, minhas escalas diminuíram e chegou ao ponto de eu decidir ficar fora. Eu vinha em uma sequência legal, fiz um Paulista de bom para ótimo, cheguei a receber o prêmio de melhor árbitro, fiz a final do campeonato e por alguns critérios, na minha opinião considerados abaixo do ideal, preferi não dar continuidade no processo de testes e provas perante à CBF. Quando a gente tem um grupo trabalhando de alguma forma errada ou sendo influenciado, o comando acaba sendo um pouco confuso – disse o árbitro.
Sem integrar mais o quadro nacional, a única chance de Ceretta voltar a apitar pela CBF é no caso da Federação Paulista de Futebol (FPF), por onde apita atualmente, indicá-lo na próxima temporada. Se isso não acontecer, o árbitro não poderá apitar partidas de competições nacionais em 2016. Aos 31 anos, Ceretta tinha grande chance de integrar o quadro de árbitros da Fifa no próximo ano. O último jogo apitado por ele foi no dia 12 de julho, no duelo entre Portuguesa Santista e Taboão da Serra, válido pela quarta e última divisão do futebol profissional de São Paulo.
Guilherme Ceretta de Lima árbitro da final paulista santos e corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Guilherme Ceretta de Lima deve seguir apitando apenas no estado de São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)

Confira abaixo outros trechos da entrevista com o árbitro Guilherme Ceretta de Lima:
Como avalia o nível da arbitragem brasileira neste ano?
– Na maioria está sendo boa. Existe algumas revelações interessantes. Acho que o problema é quando você abre muito o leque, a qualidade acaba diminuindo. Com esse critério de fazer política com todos os estados para agradar, acaba dando brecha para que a qualidade diminua além do normal e a gente acabe tendo alguns erros que, para um campeonato com a qualidade que temos, não poderia estar acontecendo. A culpa não é só de uma pessoa, é um processo dentro da arbitragem que atrapalha um pouco a qualidade e, principalmente, a sequência de um trabalho. 
Pensa em puxar um movimento de árbitros no Brasil, buscando a profissionalização? Conversou com outros árbitros?
– Eu não penso nisso. Acho que poucas pessoas terão força para que isso possa acontecer. As coisas são interligadas entre uma entidade e outra que nos defende, e vejo isso como uma tentativa frustrada. Ninguém que esteja dentro do meio e pense em fazer algo neste sentido, teria força suficiente para acabar com esse tipo de critério ou forma como ele é inserido no futebol. Não passa pela minha cabeça criar qualquer coisa, prefiro pensar individualmente e acho que se as pessoas não tivessem que correr tanto atrás desse sonho, ficaria mais fácil. 
Pensa em abandonar a arbitragem?
– Pensei, mas são coisas que a gente gosta de fazer. São quase 15 anos de arbitragem e isso faz com que a gente tenha prazer. Pela CBF, enquanto a gente tiver esse tipo de pessoas no comando, em que os critérios não sejam bem definidos, que fica colocando em dúvida todo esse processo, eu prefiro ficar fora dele. Na Federação Paulista temos um comandante que tem um critério, inteligente, muito bem resolvido e que todo mundo respeita. Continuo apitando em São Paulo, sendo comandado por pessoas que têm caráter. 
"OPÇÃO DO ÁRBITRO"
Sérgio Corrêa CBF (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Sérgio Corrêa, presidente da Conaf (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Sobre a desistência de Ceretta em participar da escala de árbitros do Brasileirão, o presidente da Conaf, Sérgio Corrêa da Silva, afirma que a opção foi única e exclusivamente do árbitro. A não participação nos testes de rotina para seguir apitando foram determinantes para a exclusão do seu nome dos sorteios no restante do Campeonato Brasileiro. 
– O Ceretta foi promovido por nós como aspirante à Fifa, foi considerado o melhor árbitro do Paulistão e vinha sendo utilizado. Ele acabou fazendo dois jogos muito abaixo das suas atuações no estadual, em ABC x Paysandu na Copa do Brasil, e Coritiba x Flamengo pelo Brasileirão, que acabaram deixando ele de fora de algumas escalas. Mas o que ocasionou sua saída do sorteio foi a ausência nos testes físicos e teóricos promovidos por nós em julho. Não posso usar um árbitro que não passou por procedimentos que todos os outros passaram, isso seria falta de critério – disse o comandante da escala da comissão de arbitragem.
Sérgio Corrêa ainda cita os exemplos de Héber Roberto Lopes e até mesmo de Wilson Luiz Seneme, que acabou ficando fora de uma Copa do Mundo por não conseguir passar nos testes impostos pela entidade. Ainda segundo o presidente da Conaf, regularmente Ceretta pedia dispensa da escala.
– Ele sempre pedia dispensa da escala e, por não ser profissional, nós nunca exigimos ou cobramos algo dele. Tínhamos a esperança de tê-lo como árbitro da Fifa, pois tem idade e muita qualidade, mas isso não basta. Árbitro não é igual um jogador quando é craque, que não precisa treinar. O nosso caso é diferente, é necessário estar sempre estudando e se aprimorando. Ele não pode transferir a responsabilidade para nós, é uma opção dele – explicou Sérgio Corrêa. 
Presidente da comissão de arbitragem do estado de São Paulo, o coronel Marinho, elogiado por Ceretta, diz que a decisão de deixar o quadro da CBF é uma decisão pessoal do árbitro e que deve ser respeitada.
– Eu agradeço as palavras do Guilherme Ceretta, um grande árbitro. Trata-se de uma decisão pessoal do árbitro, que devemos respeitar – avalia Marinho.
POLÊMICA COM DUDU
Na decisão do Campeonato Paulista deste ano, Ceretta acabou se envolvendo em confusão após expulsar o atacante Dudu e o meia Geuvânio, após os dois jogadores se desentenderem na entrada da área. Depois de receber o cartão vermelho, em lance com o santista, o atacante do Palmeiras deu um empurrão no juiz antes de seguir para o vestiário.
Denunciado por agredir o juiz durante o clássico na Vila Belmiro, o jogador foi condenado a 180 dias de suspensão. Após recurso, o atleta teve a pena reduzida para apenas seis jogos, o quecausou revolta no árbitro
dudu palmeiras juiz (Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo)Ceretta acabou sendo empurrado por Dudu após expulsá-lo na final do Paulistão deste ano (Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo)

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Levir vibra com campeonato aberto e garante que vai "secar" Corinthians
Treinador atleticano diz que vitória do Galo sobre o Inter foi um bem para o Brasileiro, e que estará em frente à TV para torcer pelo Goiás, que encara o líder em São Paulo


 
O técnico Levir Culpi valorizou a vitória do Atlético-MG para o bem do Campeonato Brasileiro e não escondeu que vai se tornar torcedor por um tropeço do Corinthians nesta quinta-feira, quando o Timão pega o Goiás. Com o triunfo por 2 a 1 sobre o Internacional, no Independência, o Galo segue na caçada ao líder, que agora tem dois pontos de vantagem, porém, com um jogo a menos.
Levir Culpi na partida entre Atlético-MG x Internacional (Foto: Bruno Cantini/Flickr do Atlético-MG)Levir Culpi valorizou bastante a vitória sobre o Internacional (Foto: Bruno Cantini/CAM)
O técnico do Atlético-MG destacou a justiça pelo resultado, já que na visão dele, o Galo foi melhor do que o Colorado de Argel.
- (A vitória) Aumenta a expectativa do campeonato. Essa vitória deixou o campeonato vivo. Isso é para todo mundo. É uma oportunidade que nós temos. Faltam oito jogos. A vitória foi merecida. O Inter finalizou uma vez e terminou 1 a 1 o primeiro tempo. Futebol a gente não consegue controlar certas situações. Nosso jogo foi melhor e o resultado foi completamente justo pelo que os dois times jogaram. Temos a oportunidade de chegar ainda. Estamos vivos, e tomara que o campeonato permaneça assim até o final.
O treinador atleticano não escondeu que estará de frente da televisão para acompanhar o duelo entre Corinthians e Goiás, em São Paulo, a partir das 19h30 (de Brasília). Para ele, vale torcer contra o líder, mesmo ele sendo um profissional do futebol.
- Vale, claro que sim. Não há como negar. Está todo mundo secando o Corinthians. E o Corinthians estava torcendo pelo Inter, hoje. Mas torcer é coisa de torcedor. Não, é de profissional também. Estou torcendo contra o Corinthians também. Tomara que o campeonato se mantenha assim.
 

Por fim, Levir Culpi falou sobre as inúmeras chances de gols perdidas, fato que contribuiu para que a vitória do Galo fosse mais dramática do que o previsto.
- Não é uma questão de luxo. Criamos as oportunidades. Cárdenas ia colocar para dentro do gol e ela (a bola) deu no barranco e pegou na canela. Já teve outras chances mais claras. Temos que melhorar. Nosso time está evoluindo. Temos condições de diminuir as margens de erros. Mas não vamos deixar de errar em jogos de futebol.

Fonte: Globo Esporte


 

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BASTIDORES FC


por Vicente Seda

Neymar gol Barcelona x Real SociedadO Santos tenta tirar Neymar dos gramados por seis meses. O presidente do clube, Modesto Roma, chegou a chorar em pronunciamento no fim de maio ao falar do processo contra Neymar na Fifa. Afirmou não estar "demandando contra o ídolo", mas "em prol do clube". Porém, na inicial da ação impetrada pelo Santos está o pedido de seis meses de suspensão de qualquer partida oficial para o jogador criado na Vila Belmiro.

O pedido está em um dos itens do documento, onde o Santos acusa Neymar de infringir o artigo 62 do Código Disciplinar da Fifa, que trata de corrupção. O documento fala em "má fé" de Neymar e cita também violações ao Regulamento de Status e Transferência de Jogadores da Fifa (RSTP, na sigla em inglês). O Santos cobra um valor aproximado de 55 milhões de euros.

Diz o texto da inicial: "Portanto, Neymar Jr. violou os artigos 17(3), 17(5) do RSTP e o artigo 62 do Código Disciplinar. Tendo em vista a má fé de Neymar Jr. e todas as outras circunstâncias agravantes, incluindo a violação múltipla dos estatutos da Fifa e regulamentos durante o período protegido, o jogador precisa ser sancionado com uma restrição de seis meses para atuar em qualquer partida oficial de acordo com o artigo 17(3) do RSTP. Além disso, de acordo com artigo 62(4) do Código Disciplinar da Fifa, o jogador deverá estar sujeito ao confisco de todos os valores - direta ou indiretamente - recebidos como parte da transferência de seus direitos econômicos e federativos".

Procurado, o presidente do Santos, Modesto Roma, afirmou que não iria comentar o assunto.

Fifa exclui pai de Neymar e sua empresa de ação

Além do pedido de punição a Neymar, o Santos já teve um revés. O clube processou, além do jogador, o Barcelona, o pai de Neymar (Neymar da Silva Santos), e a sua empresa, Neymar Sport e Marketing. A Fifa, contudo, considerou não ter jurisdição para seguir com o procedimento em relação ao pai do jogador e sua empresa, excluindo ambos. O processo agora, portanto, se resume somente a Neymar e Barcelona.

GUARATUBA

Por amor ao Coritiba, torcedor vai a Joinville de maca para ver o time

Jairton da Rocha, de 48 anos, sofre com distrofia causada por erro médico desde 
a infância, mas a limitação do seu corpo não muda o que tem no peito, o Coxa

Por Joinville, SC
Jairton da Rocha Joinville x Coritiba (Foto: João Lucas Cardoso)Jairton da Rocha ao lado da esposa Solange (Foto: João Lucas Cardoso)
O futebol é capaz de situações fantásticas. A Arena Joinville testemunhou uma na noite desta quarta-feira. Jairton da Rocha não anda e só pode viver deitado. Porém, o amor pelo Cortiba é tão forte que fez com que a maca fosse junto com ele ao estádio para acompanhar o time do coração jogar diante do Joinville, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. 
Acompanhado da esposa Solange e da filha Maykelly, ele instalou a maca entre os degraus das arquibancadas para a torcida visitante e adicionou uma faixa verde e branca à camisa para reforçar a torcida. Ele não anda desde os 13 anos, quando um erro médico lhe causou uma distrofia em membros inferiores, paralisou seus movimentos e obriga a ficar deitado. A maca não o incomoda, porque a paixão pelo time é bem mais forte. 
Jairton da Rocha Joinville x Coritiba (Foto: João Lucas Cardoso)Apaixonado pelo Coxa, torcedor vai a Joinville assistir a partida (Foto: João Lucas Cardoso)
- O amor pelo Coritiba é capaz de superar esta barreira. Não meço esforços para acompanhar o time, cheguei a ir até Itú (SP). Essa paixão sempre fala mais alto – assegurou, sorridente, e sem esquecer que o filho que leva o seu nome, de 24 anos, estaria junto na Arena Joinville não fosse um compromisso. 
Aos 48 anos e disposição de sobra, ele percorre o que pode para estar próximo do time que o move. Na viagem de cerca de 120km, de Curitiba a Joinville, ele esteve deitado no banco do carona com a maca presa sobre o automóvel. Adentrar no estádio do JEC não foi difícil, como não é nenhum outro. O sentimento que tem no peito o faz também deixar de lado eventuais problemas com acessibilidade. 
- Encontrei algumas dificuldades por onde já fui, mas nem ligo para isso. A galera que me leva – contou aos sorrisos, antes de a bola rolar para o duelo da 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Jairton da Rocha Joinville x Coritiba (Foto: João Lucas Cardoso)Jairton foi de maca ao estádio em Joinville (Foto: João Lucas Cardoso)

FORMULA 1


Família já gastou R$ 60 milhões com tratamento de Schumacher, diz jornal

Do UOL, no Rio de Janeiro
  • EFE/Guillaume Horcajuelo
    Corinna Schumacher, esposa de Michael, comanda tratamento realizado na Suíça
    Corinna Schumacher, esposa de Michael, comanda tratamento realizado na Suíça
A família de Michael Schumacher não mede esforços para a recuperação do alemão, confinado em sua casa na Suíça após grave acidente de esqui, sofrido em dezembro de 2013. O jornal britânico Mirror revelou detalhes sobre os gastos para o tratamento do ex-piloto de 46 anos. De acordo com a publicação, a família Schumacher já investiu R$ 60 milhões para cuidar do heptacampeão mundial de Fórmula 1.
Schumi conta com uma equipe de 15 profissionais, entre médicos e fisioterapeutas. Eles o acompanham 24 horas por dia, na casa da família. O gasto, de acordo com o jornal, é de cerca de R$ 590 mil por semana. Astro da F-1, Schumacher tem fortuna estimada em cerca de R$ 1,8 bilhões.
Schumacher sofreu um grave acidente enquanto esquiava nos Alpes Franceses. Ele bateu a cabeça em uma rocha e foi internado em estado grave. Após seis meses em coma e diversas cirurgias, o alemão deixou a França e foi transferido para um hospital na Suíça. 
Em maio de 2015, Sabine Kehm, porta-voz da família, informou que o alemão havia apresentado uma melhora em seu quadro clínico, mas não forneceu maiores detalhes. Ele recupera-se em casa.
As informações sobre o estado de saúde de Schumi são escassas, o que gera diversas especulações. No último mês, o jornal Daily Express afirmou que uma fonte próxima da família do heptacampeão confirmou que Schumacher pesa menos que 45 kg.
Em recuperação lenta, Schumacher seria "incapaz de falar ou andar e tem noção muito limitada sobre o ambiente que o cerca", ainda de acordo com o jornal britânico. 

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A clubes, Globo nega 'espanholização' do futebol brasileiro

Marcus Alves, do ESPN.com.br
MONTAGEM ESPN.COM.BR.
Flamengo e Corinthians ficam com a maior parte da receita de TV do Brasil
Flamengo e Corinthians ficam com a maior parte da receita de TV do Brasil
Ao se sentar na mesa para convencer os clubes a prorrogar o contrato de TV do Brasileiro até 2020, o executivo de esportes da Rede Globo, Marcelo Campos Pinto, carrega diversos números: dentre eles, a projeção de ganhos ao longo dos anos, a proposta financeira para estender o acordo e comparativos da divisão de dinheiro com ligas européias para desmistificar uma eventual 'espanholização'.
A emissora carioca se baseia em estudos para mostrar que o cenário local está distante do observado na Espanha, com Barcelona e Real Madrid.
De acordo com levantamento apresentado por Marcelo Campos aos times, Barça e Real ficam com aproximadamente 40% de toda a arrecadação com TV em seu país. O mesmo, segundo ele, está longe de acontecer no Brasil: a porcentagem que cabe a Flamengo e Corinthians não ultrapassaria 20%.
O trabalho até aqui não tem tido sucesso.
A maioria das equipes rejeitou inicialmente a tentativa da Globo de renovar os direitos de transmissão do Brasileiro por mais duas temporadas.
"É um modelo falacioso", rebate o presidente do Santos, Modesto Roma, em contato com o ESPN.com.br.
"Mas o problema não é esse", prossegue. "O problema é a falta de interesse comercial. É simples: quando a proposta é boa, a gente faz negócio; quando não é, a gente não faz. Tivemos a reunião, sim, mas o formato que nos foi apresentado não nos interessou. Os valores não foram interessantes e atrativos", conclui.
"Tivemos uma conversa preliminar, mas não ficamos satisfeitos com o que ouvimos. A proposta para prorrogar o acordo não vem acompanhada por luvas como a de 2012", diz o cruzeirense Gilvan Tavares.
Naquela ocasião, a renovação do acordo foi acompanhada por luvas que chegaram a R$ 30 milhões.
"Na verdade, não são luvas. É um dinheiro que teríamos direito a antecipar. Teve a oferta, mas não negociamos. Não temos prazo ou mesmo pressão para isso", explica o mandatário do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno.
 
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Diretor do Corinthians confirma pagamento de direitos de imagem atrasados
O gremista Romildo Bolzan Jr. também adota a cautela.
"Nós recebemos a proposta e estamos avaliando. Enquanto estivermos conversando, prefiro não entrar em maiores detalhes (sobre estudos apresentados pela Globo para 'minimizar' uma suposta 'espanholização')", afirma.
Marcelo Campos Pinto deixou os dirigentes à vontade para fazer uma contra-proposta.
O objetivo é voltar a se encontrar até o fim do ano.
Ao todo, 18 times contam com acordo com a emissora por mais três temporadas: Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Grêmio, Inter, Atlético-MG, Cruzeiro Coritiba, Atlético-PR, Goiás, Bahia, Vitória e Sport.
O principal receio da emissora é a promessa da Sul-Minas-Rio de se tornar, de fato, embrião de uma liga nacional. Os cartolas, ainda assim, asseguram que, em nenhum momento, o assunto foi mencionado por Marcelo Campos.
No fim do mês passado, em visita ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, os dirigentes chegaram a fazer um pedido especial antes de entrar em sua sala: não queriam que o executivo da Globo, que também se encontrava no prédio, participasse da discussão sobre o novo campeonato.
O novo contrato do Brasileirão entra em vigor a partir de 2016 e tem duração até 2018.

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Voo eterno: 40 anos depois, recorde de João do Pulo emociona técnico

Pedro Henrique de Toledo, o Pedrão, lembra momentos após o feito histórico do brasileiro nos Jogos Pan-Americanos do México, em 1975. Perda ainda é sentida

Por Rio de Janeiro
atletismo joão do pulo brasil (Foto: Agência AFP)João do Pulo foi recordista 
Mundial em 1975 (Foto: Agência AFP)
É como se o tempo tivesse parado nos segundos em que João do Pulo sobrevoou os 17,89m no salto triplo. No Estádio da Cidade do México, sede o Pan de 1975, aquele era o sentimento de João Carlos de Oliveira e de seu técnico, Pedro Toledo. Mas segundos não pararam, e quarenta anos se passaram desde então. João virou João do Pulo, viu o ouro olímpico escapar de forma duvidosa, sofreu um acidente, perdeu uma perna e faleceu cedo. O recorde mundial já foi batido. Seu treinador está distante do atletismo brasileiro. Nada, no entanto, que seja capaz de apagar da cabeça dele aquele 15 de outubro.
João Carlos de Oliveira e seu técnico acordaram cedo naquela manhã. Era o dia da disputa do salto triplo nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, e a dupla foi de carona com um repórter brasileiro até o Estádio Olímpico. No carro, estava também um outro atleta, Benedito Rosa Preta, que passou todo o trajeto chamando o amigo carinhosamente de João do Pulo. Acreditam que ele é o autor do apelido eternizado. Afinal, o saltador já havia vencido a prova do salto em distância e estava em destaque. Estava voando. O brasileiro de 21 anos achava graça, mas seguia tranquilo. Não tinha ainda a dimensão do que aquele dia representaria.
Um bom resultado na prova do salto triplo até era o esperado, mas não em tamanha dimensão. Mas aquele tal João nem sequer era considerado o melhor saltador do Brasil. Tinha à frente Nelson Prudêncio (dono de duas medalhas olímpicas). Foi no decorrer da competição que a possibilidade de voar mais que qualquer outro atleta surgiu de forma palpável. Naquela edição do Pan, 40 anos atrás, voou 17,89m e superou por 45cm o recorde mundial da época – do soviético Viktor Seneyev. O feito garante, até hoje, o recorde do salto triplo em edições Jogos Pan-Americanos. A partir dali, nem que quisesse poderia voltar para sua identidade antiga. Foi batizado novamente. Batizado como João do Pulo. 
João Carlos de Oliveira, o João do Pulo Pan-americanos de 1975 (Foto: Claudine Petroli / Agência Estado)João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, no Pan de 1975 (Foto: Claudine Petroli / Agência Estado)
Quem viu de perto lembra. Era como se aquele João andasse no ar antes de saltar na caixa de areia. Deu pique, voou e bingo! O Brasil de Adhemar Ferreira da Silva voltava ao topo no triplo. O placar eletrônico - ainda não tão moderno como o atual - confirmava. A partir daquele momento, ninguém havia saltado mais longe que o brasileiro de Pindamonhangaba (SP). O corpo ainda estava repleto de areia, e João foi direto ao treinador. Incrédulo, chorou. 
- Ele falou: ''Pedrão, meu Deus do céu... O que nós fomos fazer?''. Isso abraçado comigo, chorando já. Então foi uma festa espetacular. Já se vão 40 anos. Felizmente e infelizmente. Porque o nosso sonho era, depois que ele bateu o recorde do mundo do salto triplo, bater o recorde do mundo do salto em distância. E aí teve aquele desastre pavoroso... - conta o técnico Pedrão, já aos 76 anos, referindo-se ao acidente que encerrou a carreira do atleta aos 27 anos.  
Na Vila dos Atletas, o brasileiro viraria a mais nova celebridade. Todos queriam conhecer de perto o inesperado novo recordista mundial. Mas o jovem teve seu tempo para celebrar. O técnico sabia que ele merecia seu momento e liberou a festa. Em sua memória, consegue resgatar flashes daquela celebração em solo mexicano. 
- Foi uma loucura. Foi uma farra, meu Deus....Estavam lá Rui e Delmo, que eram dois irmãos que corriam. Estavam também o Benedito e o Nelson Prudêncio. E nós estávamos dentro de um apartamento. Eu não me lembro se tomaram cerveja, se não tomaram, se foi refrigerante... Para ter a música, eles mesmo cantavam um pagode, faziam uma bateria nas cadeiras e na porta. Essa foi a caixa de som. Depois eles deram uma saída também. Acho que aquilo ajudou a resgatar um pouco do amor e do orgulho de ser brasileiro. Mostrou para muita gente que, querendo, você pode. O João começou por baixo, como tantos outros - contou o treinador.
João do Pulo foi recordista por uma década. Em 1985, o americano Willie Banks pulverizou sua marca com 17,97m. Dez anos depois a marca voltou a ser superada, pelo atual recordista, o britânico Jonathan Edwards, com 18,29m. 
TÉCNICO DIZ QUE JUÍZES ROUBARAM JOÃO EM MOSCOU 1980

No ano seguinte ao seu recorde mundial, João do Pulo disputou as Olimpíadas de Montreal 1976, e conquistou a medalha de bronze. Quatro anos depois, em Moscou 1980, voltou ao degrau mais baixo do pódio. Apesar de saltar próximo dos 18m, que seria um novo recorde, o salto não foi validado. Fiscais soviéticos anularam suas melhores tentativas. E os atletas da casa Jaak Uudmae e Viktor Saneyev ficaram nas duas primeiras posições. Até hoje essa disputa olímpica gera polêmicas. Recentemente, a Austrália exigiu uma investigação sobre o caso.
- Ele fez outros saltos espetaculares depois disso. E inclusive com metragem maior do que ele fez no México. Eu tinha muito pudor, até algum tempo atrás, em dizer que ele foi roubado, mas depois que confessaram (os fiscais), sou obrigado a dizer o que eu senti também. Que ele foi roubado, senão ele teria o recorde do mundo até hoje. Mas isso é coisa que já foi, infelizmente. O que tem que ficar é uma lição de coragem e de humildade que ele deixou. Um campeão na acepção da palavra - lembra Pedro de Toledo.
João era destemido, era um campeão na acepção da palavra
Pedro Toledo, técnico
As lembranças ainda mexem com a emoções do treinador. Hoje, Pedrão de Toledo vive em Guaratinguetá, afastado há 12 anos do atletismo. Segundo ele, não por escolha própria. Garante que tem uma vida rica em memórias, mas lamenta ter ficado distante da adrenalina que o esporte lhe trazia. A rotina é pacata, mas volta e meia ele tenta fazer algum tipo de exercício e frequenta o clube da cidade.
Na época do voo de João do Pulo não existia grande estrutura e tecnologia no atletismo. O técnico até fazia preparações fora do Brasil, mas acredita o que o recorde surgiu mesmo de uma dose cavalar de talento e não de uma rotina cansativa de treinamentos. Pedrão teve que entender seu pupilo, seu estilo de vida e até os seus limites. 
 - Ele era um bon-vivant. Treinava. Pouco. Treinava aquilo que o próprio corpo dele permitia que fizesse. Não adiantava pegar um livro de anotações de treinamento de caras espetaculares porque o João tinha o limite físico dele. Era dentro daquilo que ele rendia. Então, a minha sorte foi que aprendi e soube respeitar isso. No México, não houve modificação de tudo que ele vinha fazendo no Brasil. O que houve foi o emocional dele que ajudou muito. Ele cresceu com a responsabilidade. Era destemido, era um campeão na acepção da palavra. Esse negócio de tomar essas porcarias aí de doping etc, ele não precisava. Nunca precisou. Ele já foi abençoado. Já nasceu com tudo isso. 
MORTE PRECOCE AOS 45 ANOS

Nascido em Pindamonhangaba (São Paulo), João do Pulo começou a treinar com  Pedrão aos 18 anos. Antes, trabalhava como lavador de carros para ajudar em casa. Começou a ter resultados expressivos um ano depois. Mas teve que encerrar sua carreira antes do previsto por conta de um desastre. Foi em 1981, quando ainda tinha 27 anos, que um acidente de carro pôs o ponto final em seus saltos: sua perna direita teve que ser amputada. Morreu em 1999, um dia após completar 45 anos, com cirrose hepática e infecção generalizada.
João do Pulo; SporTV Repórter (Foto: Reprodução/SporTV)João do Pulo em destaque no jornal
em 1975 (Foto: Reprodução/SporTV)
O brasileiro abriu o caminho para outros triplistas. O mais notável até hoje é Jadel Gregório, que se tornou o recordista sul-americano da prova, com 17,90m, em 2007. Distante, Pedro Henrique de Toledo confessa não ficar pensando muito no passado, já que está afastado do esporte - não por sua vontade. Mas, mesmo alheio, aponta mudanças positivas que já são vistas. 
- Agora eles se especializaram, têm alguma infraestrutura, têm máquinas e laboratórios. Os técnicos são mais competentes em função de tudo isso, de intercâmbios. A situação é melhor. O fato de não ter dado certo para mim não quer dizer que eu desejo que não dê certo para ninguém. Meu amor e o meu respeito são pelo esporte. As pessoas que dirigem são passageiras. A Confederação para mim sempre vai ser uma coisa que vou morrer gostando e respeitando. No momento, o presidente é muito acessível, um cara de uma formação, de um caráter. O Brasil vai se representar bem nas Olimpíadas, como todo país-sede, pela quantidade de pessoas envolvidas - diz Pedrão.
Quarenta anos passaram no olhar de quem acompanha o esporte. João Carlos de Oliveira já passou. Outros nomes que fizeram história também. Mas João, Prudêncio e Adhemar seguem vivendo nas marcas que deixaram registradas e, principalmente, nas portas que abriram para o esporte do país. João pode ter parado de saltar, mas o Pulo de 40 anos atrás seguirá sempre eternizado. 

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