quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

NOTICIAS

Jornal revela trecho de depoimento de Benzema: "Grande mal-entendido"

Em fala diante de juíza, publicada pelo "Le Monde" nesta quarta, atacante afirma que queria ajudar Valbuena a resolver problema de chantagem por suposto vídeo íntimo

Por Paris
Benzema Justiça Valbuena França (Foto: AFP)Benzema prestou depoimento à Justiça francesa no início de novembro, em Versalhes (Foto: AFP)
Com entrevista na TV francesa agendada nesta quarta-feira, para falar pela primeira vez sobre seu suposto envolvimento no caso de chantagem a Valbuena, Benzema teve um trecho de seu depoimento à Justiça revelado pelo jornal "Le Monde". Acusado de cumplicidade na extorsão de dinheiro ao meia por conta da possível existência de um vídeo íntimo, o jogador do Real Madrid chamou o caso de "grande mal-entendido", diante da juíza Nathalie Boutard, no começo de novembro, em Versalhes.
- Creio que este é um grande mal-entendido, tudo. Inicialmente, queria informá-lo de uma história sua e ajudá-lo. Isso é o que eu estava fazendo. Trata-se de alguém que joga comigo na seleção da França, é um amigo. Queria que conhecesse esta história e falar com ele para dizer que também tinha acontecido comigo e ver o que ele pensava - afirmou, segundo o conceituado jornal.
O atacante também confirmou seu envolvimento com Karim Zenati, comentando o conteúdo de uma conversa telefônica grampeada pela polícia francesa, onde os dois fazem piadas sobre a situação de Valbuena. Zenati é acusado de ser o intermediário entre o meia do Lyon e os chantagistas - e Benzema teria entrado no circuito para auxiliar o amigo.

- Se tratava de um vídeo sério, e isso foi o que disse a Mathieu (Valbuena). Expliquei a ele tudo o que me contou Karim (Zenati), porque é meu melhor amigo e confio nele. Pode-se escutar durante toda a conversa que estou brincando e que só falo de ajudá-lo. Não havia segundas intenções em minha oferta de dar uma mão - se defendeu Benzema.
Questionado sobre o uso do termo "tarlouze" - uma ofensa contra a opção sexual de alguém, em francês -, Benzema afirmou que tem o hábito de chamar companheiros assim.

- Obviamente, estava chateado. Pensei que (Valbuena) fosse me denunciar a polícia. De todos os modos, esse termo eu falo com frequência com meus amigos, a qualquer um. Para mim e minha geração, não é uma palavra ofensiva.

CORINTHIANS

Renato Augusto se põe entre craques do Brasileirão: "Ano da minha vida"

Meia do Timão tem temporada perfeita e diz que ele e Jadson foram os melhores do Brasileirão. Gol nas Eliminatórias e casamento no fim do ano completam cenário

Por São Paulo

Renato Soares de Oliveira Augusto atingiu a maturidade no futebol aos 27 anos. Focado, completo e livre dos problemas físicos que lhe atrasaram a vida no passado, o meia do Corinthians e candidato a melhor jogador do Campeonato Brasileiro se tornou o grande líder técnico do elenco comandado por Tite. Depois do 2015 espetacular que teve, Renato possui esse direito.
– Com certeza, foi o ano da minha vida e da minha carreira – decretou.
Renato Augusto Corinthians (Foto: Marcos Ribolli)Renato Augusto e a bola, fiel companheira em um 2015 perfeito no Corinthians (Foto: Marcos Ribolli)
Se não é o capitão mais antigo do time, posto que pertence a Ralf, Renato se faz respeitar pelo que realiza dentro das quatro linhas – corre, ocupa espaços, avança ao ataque, deixa seus gols: foram cinco no Brasileiro. Apesar de não ter sido brilhante nos números, Renato Augusto é, sim, um dos grandes nomes do campeonato. Ele próprio sabe disso, mas divide o mérito.
– Acho que eu estaria entre os dois primeiros, sim. Eu e o Jadson – disse.
O ano de Renato, porém, não se resume ao Brasileirão. Em meia hora de conversa com a reportagem do GloboEsporte.com, o corintiano não escondeu o cansaço de quem teve uma jornada intensa, com a volta da confiança, a convocação para a seleção brasileira, o gol e o choro contra o Peru, em Salvador.
A proximidade das férias é o que deixa Renato Augusto mais tranquilo. Para fechar a temporada, nada mais simbólico do que o casamento. No dia 11 de dezembro, Renato será oficialmente marido de Fernanda, com quem mora há três anos.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
Você esperava que 2015 fosse o melhor ano da sua vida? Se é que foi...
Olha, eu imaginava que seria bom por ter terminado 2014 muito bem, jogando. Eu ia começar o ano zerado. Sabia que seria bom, mas não sabia que seria tão especial quanto foi. Com certeza, foi o ano da minha vida e da minha carreira.
O que mudou na sua cabeça para conseguir ter um ano tão bom?
Foi a confiança. Confiança é tudo, então comecei a ganhar isso nos jogos, nos treinos, comecei a me sentir mais à vontade. Também achamos um padrão tático, você sabe onde cada jogador está e isso facilita. São vários fatores que ajudaram para isso.
Mosaico Renato Augusto Corinthians (Foto: Editoria de arte)
Qual a principal dificuldade que você teve em temporadas passadas?
Meu corpo. A principal dificuldade era meu corpo. Muitas vezes me perguntavam se eu estava disputando vaga com alguém, não estava nada. Estava brigando era comigo mesmo, com meu corpo. Sabia que quando eu estivesse bem, poderia ajudar. E consegui passar por cima disso.
E como fica a cabeça nesse momento mais difícil?
Tem dias em que você quer desistir, não quer fazer trabalho nenhum. E aí você precisa dos amigos, da família, e você vê quem está com você de verdade.
Em algum momento você pensou mesmo em desistir?
Não em desistir, mas achei que eu não jogaria mais em alto nível e que teria de sair para dar um retorno financeiro ao clube. Iria para um mercado abaixo, China, Oriente Médio, enfim... Estava pensando em sair para dar uma resposta financeira. Mas hoje vi que posso dar uma resposta no campo, que para mim vale muito mais. Aos poucos estou podendo retribuir o que o Corinthians fez por mim.
Em que ponto isso aconteceu?
No meio do ano passado eu estava pensando nisso. Eu vinha, fazia quatro bons jogos e machucava. Aí voltava, fazia mais quatro ou cinco jogos, machucava. Não é possível! Eu já estava evitando piques, querendo mais bola no pé, ia tentando dominar o jogo de outra forma. Hoje não, peço bola em profundidade, brigo, dou carrinho, estou mais solto também. Hoje conheço muito bem meu corpo e sei até onde posso ir.
Você é um dos caras que mais correm durante o jogo, sem limitações. Como foi seu dia a dia em 2015?
Fiz trabalhos diferentes dos outros, às vezes trabalho até mais do que o pessoal do campo. Procuro fazer tudo para estar bem, conversar com a parte médica e física, com o Bruno (Mazziotti, fisioterapeuta), Fábio Mahseredjian (preparador físico). Aí posso estar em alto nível.
O jogo contra o Vasco é uma prova de seu alto nível físico?
Tivemos de conversar bastante porque eu, por característica, fico mais cansado no segundo dia pós-jogo, depois de 48 horas. Se eu entrasse no segundo tempo, bateria nas 48 horas, o Bruno Mazziotti falou que seria melhor eu começar jogando. Só perguntei se teria algum risco. Ele falou que eu estaria muito cansado, mas aguentaria. O Mahseredjian achava até melhor eu ficar fora, mas a vontade de jogar e ganhar um título era maior. Às vezes, o coração fala mais alto do que a cabeça.
NOTA DA REDAÇÃO: Renato foi titular no jogo da Seleção contra o Peru, numa terça-feira, às 22h, quando jogou 90 minutos, em Salvador. Na quinta-feira, também às 22h, ele entrou em campo para enfrentar o Vasco, no Rio de Janeiro, no jogo que valeria o título brasileiro.
Renato no Brasileiro-2015:

30 jogos, 5 gols marcados
6 assistências
2,2 finalizações por partida
25 faltas cometidas
39 faltas recebidas
4,4 passes errados por jogo
2 cartões amarelos
Você ainda acreditava que teria chances na seleção brasileira?
Eu já tinha até desistido, achava que Seleção para mim não daria mais. Ultimamente, quando vi que estava próximo, eu estava com a cabeça tranquila porque sabia que teria uma oportunidade. E eu queria estar preparado para a oportunidade. Eu tive um treinador que falava que não existe sorte no futebol, existe preparo e oportunidade. Não tem sorte, você se prepara para aquele momento e tem a oportunidade. Eu pude fazer isso, e deu tudo certo.
Entrou no time do Dunga para não sair mais?
Minha intenção no início era me manter no grupo. Depois, se tivesse uma chance, estar bem. Hoje, minha cabeça é me manter no grupo e se possível como titular. Mas é uma seleção brasileira, tem muito jogador de qualidade, é normal se sair um, entrar outro, ter uma rotação. Mas vou estar preparado para todos os jogos.
O choro do gol da Seleção é também por lembrar tudo o que você passou até chegar lá?
É um conjunto de tudo o que falamos até aqui. Eu já tinha até desistido, e aí tive a oportunidade de fazer um gol no Brasil. Às vezes, a gente não consegue enxergar onde está, e ali eu pude ver onde estava, numa Seleção, fazendo gol numa Eliminatória. Aí me dei conta.
Você acha que é possível retomar a identificação do torcedor com a Seleção?
Claro que é possível. Para mim, é uma honra muito grande estar na Seleção. Então toda vez que entrar em campo com essa camisa, vou fazer de tudo para agradar não só a mim, mas ao torcedor e ao treinador. Fazer um bom papel.
Neymar Renato Augusto Brasil x Peru (Foto: André Mourão / MoWA Press)Renato Augusto faz parceria com Neymar na Seleção: "A intenção é não sair mais" (Foto: André Mourão / MoWA Press)
A safra do futebol brasileiro é boa? Como vocês encaram essa desconfiança?
Só quem está lá vai poder mudar, não adianta justificar nem falar nada em entrevistas. O que adianta é entrar em campo e jogar bem. Se você estiver vencendo, o torcedor vai gostar e ficar feliz. Você tem uma safra com Neymar, Willian, Douglas Costa, aí eu pergunto a vocês: é boa?
É boa!
Então é boa.
Como foi a experiência de jogar com os "europeus"? Jogando no Brasil, você se sente no mesmo nível deles?Eu já tinha jogado com o Willian na seleção de base, foi bom, eu imaginava que estaria muito abaixo deles. Os caras jogando Champions League, e eu no Brasil. Mas eu estava tão bem preparado que me senti no nível deles, principalmente de entender o jogo. Fiquei feliz de poder ajudar caras que já estavam ali há muito tempo. O Campeonato Brasileiro mudou um pouco, está com a intensidade um pouco maior. Ainda acho que a Europa é um pouco acima, mas nosso time joga com uma intensidade muito alta, por isso não senti muita diferença. Claro que o cara que está na Europa está um pouco acima de quem joga no Brasil.
O Campeonato Brasileiro mudou um pouco, está com a intensidade um pouco maior. Ainda acho que a Europa é um pouco acima, mas nosso time joga com uma intensidade muito alta, por isso não senti muita diferença. Claro que o cara que está na Europa está um pouco acima de quem joga no Brasil
Renato, sobre a experiência na Seleção
Qual o papel do Tite nessa sua retomada?Foi o cara que me passou toda essa confiança, estamos sempre conversando, ele é um pai para todo mundo. Não adianta só falar da parte tática e técnica, tem também a parte humana, que é realmente incrível. Agradeço muito a ele por ter voltado à Seleção.
Há algum momento do ano em que você pôde ver essa relação de "pai"?
Acho que foi no abraço do título, porque ele viu o quanto sofri para estar ali naquele momento. Foi uma forma de agradecer por toda a confiança que ele depositou em mim.
Quem foi o melhor jogador do Campeonato Brasileiro?
É muito difícil achar o melhor. Tem jogadores mais constantes e outros que tiveram picos de alto nível. Depende muito. Se você acha que é o cara que foi bem do início ao fim, ou aquele que oscilou um pouco mais, mas teve momentos incríveis. Acho muito relativo dizer quem é o melhor.
Você foi o melhor?
Acho que eu estaria entre os dois, os dois primeiros.
Você e Jadson?
Acredito que sim, eu e Jadson.
Depois de um 2014 irregular, como vocês dois conseguiram se entender tão bem dentro de campo?No início, você tem de entender como ele gosta de receber as bolas. Por eu jogar mais recuado, minha função seria passar a bola limpa para ele. Às vezes, até procuro demais o Jadson e acabo errando, porque sei que ele pode fazer algo diferente. Ele é muito inteligente também e a coisa foi se encaixando. Tem jogo que fico mais atrás, passando a bola para ele, outro jogo me lanço mais. Isso só se conquista treinando, jogando junto, e tem dado certo.
Hoje você joga mais para o time? Sente que é um jogador mais tático?Isso está mudando também na cabeça do torcedor, que não enxergava dessa forma. Hoje você vê muitos caras entendendo a parte tática. Às vezes, você nem toca na bola, mas faz todos os movimentos e quem entra sozinho é o outro. Hoje vejo que o que estou fazendo na parte tática está sendo reconhecido pelo torcedor e também pela imprensa. É muito gratificante.
Jadson Renato Augusto Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)Parceria "Renadson" deu certo em 2015: candidatos a melhor do Brasileiro (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)
Você deixou o Flamengo muito cedo e foi para um grande clube alemão (Bayer Leverkusen). Parecia que a tendência era ficar por lá. Como foi a decisão de voltar para o Brasil?Foram vários motivos. Eu estava me machucando muito, o Bayer trabalha muito com revenda e não com títulos, e eu queria títulos. Queria voltar a ser campeão, isso já estava me incomodando. Fui vice-campeão duas vezes na Alemanha. Como fui embora muito novo, queria também ficar mais perto da minha família, dos meus amigos. Chegou a proposta. De um clube como o Corinthians, que estava brigando pelo Mundial e era campeão da Libertadores. Naquele momento, eu vi que poderia voltar e também tentar uma vaga na Seleção. Hoje eu vi que fiz uma grande escolha.
Teve dúvidas na hora de aceitar a proposta do Corinthians? Temeu passar a impressão de que não deu certo na Europa?Não pensei dessa forma, não. Só queria voltar a estar bem. Sempre fui confiante no que poderia fazer, só não estava confiante com meu corpo. Achei que seria interessante voltar, também para a cabeça. E aí poder reencontrar meu futebol.
Você chega a esse fim de ano muito cansado? Desgastado?Foi o ano em que cheguei mais desgastado no fim. Eles fizeram um levantamento de minutos jogados, e foi disparado meu melhor ano. Cheguei num limite de cansaço mesmo, mas um cansaço que me deixou muito feliz. Com tudo o que vivi e vi que posso melhorar. Sei que posso melhorar em algumas coisas, isso me dá mais motivação para estar bem em 2016.
Corinthians x São Paulo Renato Augusto (Foto: Marcos Ribolli)Taça do Brasileiro coroa ano desgastante do meia, que jogou muito em 2015 (Foto: Marcos Ribolli)
Em que pontos dá para melhorar?Tem muita coisa, mas posso entrar um pouco mais na área, já comecei a finalizar um pouco mais e fazer mais gols. Ter calma na hora de finalizar. Tem muita coisa para melhorar e aprender, e isso vai me deixar num patamar mais acima.
Se o Corinthians conseguir manter sua base, entra de novo como favorito na Libertadores?
O Corinthians é favorito aonde vai. Vai ser sempre um dos favoritos, mas aí vai depender da saída de jogadores, de outros que vão chegar. A confiança de fazer um grande 2016 é enorme. Dezembro não costuma ser um mês de transferências, janeiro é um pouquinho melhor, mas o meio do ano é mais forte. Espero que todo mundo fique para buscarmos a Libertadores.
Você pensa em jogar novamente na Europa?
Só se for uma coisa muito boa para mim e para o clube. Financeiramente e profissionalmente. Jogar num time bom, e ser bom para o clube também. Minha ideia é ficar, a não ser que venha uma coisa realmente muito boa para todo mundo.
Agora, uma curiosidade. Como e onde você aprendeu a dar tantas canetas?
Eu acho que era melhor nisso (risos). Quando cheguei na Alemanha, tinha 20 anos e pensava mais em caneta do que na parte tática, bati até um recorde lá na minha primeira temporada. Mas na hora, quando eu vejo que não tem opção, acontece. Não tem como explicar.
Tem um pouco a ver com seu início no futsal?
Pode ser, pode ser. Um drible um pouco mais curto. Joguei quase dez anos de futsal e isso ajudou bastante.
Aliás, o futebol veio por acaso na sua vida, certo? Você era bom mesmo no futsal?
Eu ainda acho que joguei mais futsal do que jogo campo. Eu era muito bom naquilo. Só que todos os meus amigos foram para o campo. Eu jogava futsal pelo Fluminense, em 2000, e em 2001 todo mundo iria para o campo. O Fluminense me chamou para treinar no campo, fui até Xerém, mas aí o treinador fez meio que um mistão, um peladão, deixou o pau comer. Pensei: vou ficar lá no futsal.
Eu ainda acho que joguei mais futsal do que jogo campo. Eu era muito bom naquilo. Só que todos os meus amigos foram para o campo
Renato, sobre o início no futebol
E o que mudou para você chegar ao campo?
O treinador de campo do Flamengo tinha me visto em alguns jogos no salão, aí me chamou para treinar lá. No primeiro treino, ele pegou o colete e perguntou do que eu jogava. De ala. Nunca joguei campo, ele me disse: “a partir de agora você é meia”. No primeiro toque na bola, dei de bico. Os caras chegaram e pediram calma, não era assim (risos). Para mim era ajeitar e dar de bico. Mas cheguei, e o treinador queria que eu ficasse. Entre ser titular no Flamengo e fazer um mistão lá no Fluminense, fiquei no Flamengo e as coisas caminharam.
Você teria virado uma estrela do futsal?Difícil dizer. Eu era bom. Fui campeão brasileiro, do circuito nacional. Joguei contra o Willian, do Chelsea. Era uma época boa. Não sei se eu seria um Falcão, porque ele é como o Pelé, mas eu poderia estar brigando.
Você se arrepende da troca?Hoje não, estou muito feliz, mas o salão serviu como aprendizado. Hoje estou muito feliz.
Como você aprendeu a ter uma leitura tática tão boa dentro de campo?
A Alemanha foi muito importante em termos de aprendizado. Não ganhei títulos, mas me tornei um cara um pouco mais completo. Não tinha a visão que tenho hoje. Trouxe para o Brasil o que tinha de melhor lá. Não à toa, pude voltar para a Seleção. Muita gente aqui fala, às vezes o Ralf fala que não posso ficar muito tempo fora. Procuro ajudar na parte defensiva, você tem de aprender a gostar de marcar. Aprendi isso na Alemanha também. Antes, o camisa 10 só ficava ali na frente, não precisava voltar. Hoje você não vai ver mais isso. Hoje você vê um centroavante como o Love que corre feito um lateral. Se você não pensar pela equipe, vai ficar abaixo dos outros.
Para fechar o ano, vem o casamento. Como será entrar nessa vida? É para fechar de maneira perfeita?
Na verdade já sou casado, moro junto com há três anos, agora é só oficializar. Se eu soubesse que esse ano seria tão maravilhoso, eu casava em janeiro só para não quebrar (risos). Ela queria me bater. Foi uma brincadeira, mas é uma forma de coroar 2015. Uma pessoa especial para mim. Além de a parte profissional ter sido maravilhosa, a parte pessoal foi também.
Renato Augusto Corinthians (Foto: Marcos Ribolli)Renato Augusto fecha 2015 com casamento em dezembro, no Rio de Janeiro (Foto: Marcos Ribolli)

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Godinho vê equipe apática e decreta para 2016: "Tem que passar o rodo"

Futuro vice de futebol, caso Bandeira seja reeleito, diz que Flamengo vai contratar pelo menos seis jogadores com status de titular e aprova trocas com outros times

Por Rio de Janeiro
A atuação pífia do Flamengo na derrota por 3 a 0 para o Atlético-PR pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro foi uma gota graúda, mas caiu num copo que já havia transbordado. É nessa linha a análise feita por Flávio Godinho, atual vice-presidente de planejamento e futuro vice de futebol para 2016, caso Eduardo Bandeira de Mello seja reeleito nas eleições presidenciais do próximo dia 7 na Gávea.
O dirigente, que está à frente dos projetos para o ano que vem, diz que já havia identificado jogadores com "pouca relação com as tradições do Flamengo" e falta de "vergonha na cara", por isso a performance em Curitiba não chegou a ser surpresa para ele. Por conta desse diagnóstico, Godinho, usando palavras duras, garantiu que haverá grande reformulação no elenco.
- Assim como o torcedor, a minha reação é a seguinte: tem que passar o rodo. Então eu poderia dizer o seguinte: se você considerar o time titular do Flamengo, não estou nem dizendo o de domingo, porque estava muito desfalcado, mas em relação ao time titular posso te garantir que vamos ter pelo menos seis novos jogadores para o ano que vem - disse, em entrevista ao GloboEsporte.com.
Flávio Godinho, vice de futebol do Flamengo (Foto: Fred Gomes)Flávio Godinho será o vice de futebol do Flamengo em 2016 caso Bandeira seja reeleito (Foto: Fred Gomes)
Godinho recebeu a reportagem num restaurante na Zona Sul do Rio de Janeiro e só evitou falar em nomes, como o de Muricy Ramalho, técnico que está apalavrado com o clube e que assinará contrato se Bandeira vencer; e os de Juan (Internacional), Willian Arão (Botafogo) e Rodinei (Ponte Preta), que estão bem perto de serem anunciados como reforços. Mas ele adiantou que a diretoria estuda adotar mais nesta próxima janela de transferências um estilo que ficou famoso por meio de um ex-presidente do Fluminense.
- Eu até antevejo que a gente vá voltar a ter aquelas situações de troca-troca do antigo Francisco Horta. Não me surpreenderia a volta desse troca-troca com outros clubes.
O dirigente fez críticas ao planejamento para 2015 e à estrutura atual do Ninho do Urubu e deu detalhes sobre o projeto de total integração entre as categorias de base e o profissional. Godinho ainda falou sobre a intenção de criar uma comissão técnica permanente. Por fim, explicou como será o trabalho feito pela Exos, empresa americana especializada em performance de atletas e que está fechando contrato com o Rubro-Negro. A seguir, veja a entrevista completa.
Impressões da atuação do Flamengo em Curitiba:

Assim como o torcedor, a minha reação é a seguinte: tem que passar o rodo. Então eu poderia te dizer o seguinte: se você considerar o time titular do Flamengo, não estou nem dizendo o de domingo, porque estava muito desfalcado, mas em relação ao time titular posso te garantir que vamos ter pelo menos seis novos jogadores para o ano que vem. E o pior é que acho que, de certa forma, esses jogadores que foram a campo e que não vinham tendo oportunidades recentemente, eles estão jogando essa oportunidade fora. É o topo, o auge da carreira do jogador sonhar e conseguir jogar no Flamengo. Depois do Flamengo talvez só a seleção brasileira. Depois que é dada a oportunidade a esses jogadores e eles não demonstram comprometimento, garra, que é o mínimo que a gente exige deles num regime de profissionalismo... A diretoria se esforça para manter salários em dia e cumprir seus compromissos. O mínimo que se espera é que honre a camisa e sue o litro certo a cada jogo do Flamengo.

Atuação do time contra Atlético-PR pode mudar o planejamento, fazer com que a diretoria se desfaça de ainda mais jogadores?

Não, por incrível que pareça, e que o que me deixa triste e desapontado é que a atuação só confirma o nosso diagnóstico que já foi feito anteriormente. Ou seja, não muda uma vírgula no planejamento. Já tinha identificado que a gente tem jogador com pouca relação com as tradições do Flamengo, vergonha na cara, raça, espírito de liderança, que a gente tinha com Rondinelli, Fabio Luciano... Você vê que, pela quantidade de jogos que o time conseguiu virar, é um time apático. E, na maioria das vezes, composto por jogadores coadjuvantes.

E esse erro na concepção do elenco vem desde a época do Vanderlei Luxemburgo. Quando o time escapou do rebaixamento no fim do Campeonato Brasileiro passado, você poderia ter reforçado o elenco, e o técnico na oportunidade acreditava que, com aqueles jogadores e poucas contratações, conseguiria dar uma maior identidade ao elenco, o que não aconteceu.
Você vê que, pela quantidade de jogos que o time conseguiu virar, é um time apático. E, na maioria das vezes, composto por jogadores coadjuvantes"
Flávio Godinho
Contratações erradas e planejamento para 2016:

Aconteceram algumas contratações que não foram as mais acertadas no curso da temporada, que nem sempre é a forma certa de você contratar um jogador. A gente quer fazer totalmente diferente para 2016. Quer começar janeiro com o time formado para que você aproveite os quatro primeiros meses da temporada, com Liga Sul-Minas-Rio e Campeonato Carioca para, eventualmente, se reforçar em uma ou duas posições no máximo. Começar com comissão técnica e elenco estruturados com raio-X feito e iniciar o trabalho certo.
Quando se fala em seis nomes para contratar, são seis titulares?

Você fez a pergunta para a pessoa errada. Tem que ser feita para o próximo técnico. Para as posições que são consideradas as mais carentes do elenco, você tem que contratar alguém para ser titular. É inegável que precisamos de uma espinha dorsal. Então, não foge de ter que contratar um zagueiro de primeira categoria, que venha para resolver o problema da defesa. Não tem cabimento ter uma defesa que leve tanto gol de bola aérea, que seja tão mal posicionada. Se você tem um ataque qualificado, é preciso um meio-campo que faça a bola fluir e chegar ao ataque. Então, a gente não vai escapar de ter que buscar um meia para o ano que vem. Quando você faz um planejamento, as peças de reposição e as contratações demoram. O mercado é dinâmico. O Flamengo, como parte do planejamento, está com olho de Lince e farejando o mercado.

Jogador titular nível Everton Ribeiro, por exemplo? Nome foi especulado no Fla.

Resposta bem objetiva: o Flamengo tem obrigação de procurar jogador desse naipe. E tem que tentar viabilizar uma equação financeira para que um jogador desse possa voltar (está no Al-Ahli, dos Emirados Árabes). Entre querer e poder tem uma distância muito grande, mas não tenha a menor dúvida que, quando a gente tenta reforço, tenta da melhor combinação possível. Mas seria irresponsabilidade da minha parte garantir que uma tentativa dessas vai ser exitosa. Muitas vezes se tenta e não se consegue. Eu posso dizer o seguinte: na nossa agenda tem jogador interessante, tem jogador do nível do Everton Ribeiro. Mas não posso dizer que vamos trazer seis Evertons Ribeiros.

Trazer um meia inviabiliza o esforço para renovar com Alan Patrick?

De jeito nenhum. Para se ter um elenco vencedor, é preciso ter um bom elenco. O que te impede de jogar por hipótese com Alan Patrick e outro meia?

Quantidade de saídas e contratações:

Prefiro responder de forma diferente. Vamos contratar no mínimo seis jogadores, com três já em fase adiantada de negociação. Mas não vamos anunciar nada antes de eleição nem em relação à comissão técnica por uma questão de respeito e ética ao processo que está acontecendo. Da mesma forma digo que temos três jogadores em negociação avançada para que deixem o clube.
Atlético-pr x flamengo (Foto:  VAGNER ROSARIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)Atlético-PR comemora em cima do Flamengo (Foto: VAGNER ROSARIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Duas categorias de contratação:

Há duas categorias de contratação. Você tem aquela que é uma posição carente, que não é novidade nenhuma para ninguém quais são as nossas carências. Preciso de um zagueiro, então tenho que buscar um zagueiro para resolver o problema da defesa do Flamengo. Mas tendo dito isso, você às vezes traz os reforços para aquelas posições consideradas primordiais, mas surgem determinadas oportunidades de negócio em que você pode substituir um bom jogador por um que seja melhor ou que venha complementar o elenco de forma mais produtiva. E pode surgir uma oportunidade de negócio inesperada, e não podemos esquecer o seguinte: com a crise que está se atravessando, muita gente está com pouco recurso para investir em jogadores. Às vezes, para se trazer um jogador de fora, é preciso saber que o dólar está a R$ 4. Até mesmo aqui na América Latina o cheque é sempre mais alto.

Trocas com outros clubes:

Eu até antevejo que a gente vá voltar a ter aquelas situações de troca-troca do antigo Francisco Horta. Não me surpreenderia a volta desse troca-troca com outros clubes.

Marcelo Cirino seria moeda de troca?

Temos duas formas de ver essa questão. Um: pode ser uma troca. Dois: pode ser uma negociação, mas, contrariamente a tudo que vocês estão falando, se tem muita gente interessada é porque ele tem valor. Se ele foi apontado como a principal contratação do futebol brasileiro no início do ano e se esse ano não teve uma boa performance, será que o Marcelo Cirino, novo do jeito que é e na mão de uma nova comissão técnica, não deva permanecer no elenco?

Quem não gostaria de ter um ataque: Cirino, Guerrero e Sheik? Qual é o time que tem esse tipo de ataque? Será que estou fazendo o certo ao envolver o Cirino num troca-troca por uma reação imediatista? Isso vai ter de ser conversado com a nova comissão técnica e fazer parte do planejamento.

Entrevista com treinadores para 2016:

A diferença desse ano para os anos passados é que o Flamengo está tendo a chance de planejar e não começar o ano atropelado. Depois de muito tempo, o Flamengo teve a chance de entrevistar treinadores. O Flamengo conversou com quatro treinadores para discutir o que ele quer efetivamente para o futebol e qual o esquema tático ideal. O Flamengo é um time que joga pra frente.

Base integrada ao profissional:

Outra coisa que é fundamental no nosso planejamento é que a divisão de base deve estar integrada ao futebol profissional. O esquema tático, da escolinha à base, tem que ser o mesmo do time profissional. Você precisa contar com um profissional que seja disciplinador, a gente tem que virar uma página em que não somente a boa administração financeira impere. Agora, nós temos que exigir muita responsabilidade e comprometimento do novo elenco para o ano que se inicia. Ou seja, é a era do futebol no próximo triênio. Ao escolher uma comissão técnica, você precisa de uma comissão que abrace esse projeto. Que queira um projeto de longo prazo.
Em aparelhamento e estrutura, ainda deixa muito a desejar. Não adianta tapar sol com peneira"
Flávio Godinho, sobre o CT do Flamengo
Padronização do esquema tático e Barcelona como exemplo:

Hoje nós temos dois modelos a seguir dentro do futebol mundial. Quando falo para seguir, a gente tem que fazer uma ressalva muito grande e fundamental. Os dois times de maior destaque na Europa são o Barcelona e o Bayern. Por uma coincidência o Guardiola teve participação fundamental nos dois. A gente sente que há uma inversão de fatores. A turma da Europa, seja Bayern ou Barcelona, está trabalhando mais com a bola, e a gente está trabalhando mais o físico. A diferença é que os outros técnicos estão conseguindo, por conta de disciplina tática, recomposição, treinamento e etc., extrair mais dos jogadores deles do que a gente consegue dos nossos. Taticamente a gente está atrasado.

Então você não tenha a menor dúvida que na hora que se mira em torno de um modelo, você não pode fugir de um Barcelona, de um Bayern, de um Guardiola, de um Sampaoli. Hoje em dia o próprio Brasil, quando muito, é uma terceira força na América do Sul.

Ex-jogadores identificados com o Flamengo:

Outra coisa que é fundamental é você contar com ex-jogadores do Flamengo, não só como os treinadores das escolinhas e da base, como já temos vários lá, porque na hora em que você vai formar um jovem, tem que passar as tradições que são claras para qualquer rubro-negro. E um sujeito que já jogou lá e entende qual é a cobrança e sabe que você pode viver do do céu ao inferno é o melhor interlocutor. Você às vezes, quando importa um cara de fora, ele vai para o Rio, Cidade Maravilhosa, bajulado pela imprensa, sendo assediado e numa idade em que a testosterona vai no céu, é difícil administrar isso. Já o jogador que é feito na escolinha do Flamengo já tem os anticorpos muitas vezes necessários para enfrentar esse desafio.

Venda de jogadores da base para China e EUA:

Hoje em dia as pessoas têm que se dar conta de que tanto o mercado chinês quanto o americano vão ser grandes forças compradoras de até jogadores de divisão de base. É uma pena que atualmente no Brasil os clubes não podem nem escolher quais jogadores eles querem vender. Os clubes são reféns, porque já na base tem empresário com 30% de um jogador e você acaba tendo que vender o jogador que efetivamente não quer. Então, o sonho de consumo de qualquer um que trabalhe a longo prazo é que você revele jogadores de base que possam atuar como titulares do seu time e que também tenha uma leva que possa negociar. Isso ajuda a oxigenar o sistema, e porque a estrutura é profissional. É imperdoável você não prestar esse tipo de atenção.

Técnico "coordenador":

O exemplo tem que vir de cima. Por isso é tão importante que o treinador do futebol profissional seja um coordenador. É evidente que ele não vai ficar interferindo no dia a dia do que a turma da base faz. Mas que eles tenham reunião e fiquem inteirados e que a comunicação comece a fluir é de fundamental importância.

Treinador apalavrado, sem citar Muricy Ramalho:

O Flamengo tem um treinador apalavrado para a próxima temporada.

Novo técnico já participa do planejamento?

Nada será feito sem o aval desse treinador. Isso posso garantir. Ninguém é inconsequente de colocar os carros na frente dos bois. Senão você encontra a situação que todo mundo quer evitar: aparecer um treinador e falar "esse jogador não fui eu que pedi". A palavra dele é primordial na análise da turma que tem ser contratada.
Flávio Godinho, vice de futebol do Flamengo (Foto: Ivan Raupp)Flávio Godinho durante entrevista ao GloboEsporte.com (Foto: Ivan Raupp)
Garantia de tempo ao novo treinador?

A garantia maior é o projeto, por isso falei que é tão importante identificar um profissional que abrace esse projeto. Está na cara que uma das razões para o baixo aproveitamento do time foi justamente essa troca incessante de treinador. Não há treinador que consiga estabelecer raiz, esquema tático e etc.. Então tem que ter uma disciplina de que está se fazendo a coisa certa. É evidente que o futebol vive de resultados, mas até isso pautou a nossa escolha. A gente está conseguindo uma comissão técnica que não apenas está comprando o nosso projeto de longo prazo e que se encontra numa fase da carreira e vê isso como um grande desafio, mas que também está acostumada a ganhar e tem no DNA a vitória. Estamos tentando combinar todas as variáveis possíveis. A gente acha que o certo sempre prevalece, mesmo que demore.

Esse treinador nem precisou de garantias de paciência. Estamos abraçados num projeto em comum. A garantia é que vamos implementar um projeto abraçados em quatro mãos. Mais importante do que qualquer garantia financeira.

Estilo ofensivo do Flamengo:

O Flamengo é um time que sabidamente joga pra frente. Não adianta você querer incluir um esquema tático que vai simplesmente privilegiar bola aérea e vai contra as origens do Flamengo. Por isso você tem que saber qual esquema que você julga adequado, a forma de trabalhar, as raízes rubro-negras, mas inegavelmente a gente tem que adotar o que tem de bom por aí.
Comissão técnica permanente:

Temos na divisão de base vários treinadores que passaram lá. Mas há o seguinte: temos que complementar a nossa comissão técnica. Seja em auxiliar técnico ou outros profissionais que vão trabalhar nessa comissão, temos que dar preferência a profissionais que sejam identificados com as raízes rubro-negras. Ele vai melhorar e facilitar a relação com aqueles que estão lá dentro.

Vamos dar um exemplo: tem um profissional brasileiro que hoje está no Bayer Leverkusen e que nós estamos namorando para trazer (Daniel Jouvin, ex-Flamengo), porque estamos numa fase final de discussão com a Exos. A Exos acabou de fazer um diagnóstico de tudo que a gente precisa melhorar no CT. O que é isso? É fisiologia, nutrição, é reduzir o tempo do jogador no departamento médico, alimentação, ver se a metodologia do treinamento está adequada. Então, estamos para fechar um contrato com a Exos para a segunda etapa do trabalho conosco. É trabalho de propriedade do Flamengo.

Por que a gente tem que ter raiz rubro-negra? Porque a comissão técnica do Flamengo tem que ser do Flamengo, um ativo do Flamengo. Tem que ser permanente. Posso trazer o Guardiola com assistente técnico e eventualmente com um preparador físico. Ponto. Se o treinador tiver que deixar o clube, a estrutura vai ficar. É trabalho de longo prazo, por isso você estar identificado com o que há de mais moderno, mas sem abrir mão das raízes rubro-negras, passa a ser fundamental para a implementação do trabalho.
Ederson. Qual a avaliação?

Ederson já jogou em todas as posições do meio. É polivalente, tem qualidade técnica muito grande, e a contusão que teve não tem absolutamente nada a ver com as outras contusões. Todo mundo confia que 2016 vai ser a temporada dele, em que ele vai poder fazer uma boa pré-temporada. Se isso se confirmar, se o Ederson estiver em condição de jogo como se espera, vai ser de grande utilidade, seja no meio ou na ponta. Ele tem qualidade, cabeceia bem e faz gols, como já demonstrou.

Quando você vai compondo um elenco, já pensou que bom contar com Alan Patrick, Cirino, Guerrero, Sheik e um Ederson em forma? Sem ovos ninguém faz omeletes. Você tem que dar material humano, mas o treinador precisa espremer a laranja e fazer o suco.
Não tenha a menor dúvida que, para o ano de 2016, a gente tem três prioridades fundamentais. Número 1: ter um time vencedor, que efetivamente vá disputar títulos. Número 2: divisão de base, divisão de base e divisão de base. Número 3: poder oferecer para os profissionais que trabalham lá um CT digno"
Flávio Godinho
Críticas à estrutura atual do Ninho do Urubu:

Nosso tempo de treinamento em termos de infraestrutura, a parte de campo é ótima, mas não tem o menor cabimento, com todo respeito, você ficar operando com container. Em aparelhamento e estrutura, ainda deixa muito a desejar. Não adianta tapar sol com peneira. Se o CT não tivesse de ser melhorado, não seria prioridade de governo. Por isso a participação de um treinador experiente, que queira pegar o peão na unha e comprar esse projeto, se faz muito importante. É como você mudar para uma nova casa enquanto ela ainda não está pronta, ainda em construção. Às vezes é um saco você se mudar e ter um pessoal colocando peso. O Flamengo pode ser visto como um copo meio cheio e meio vazio. Essa é a realidade.
Seis profissionais saindo da comissão técnica rumo à China:

O Flamengo já está em busca, já estamos selecionando. Esperamos melhorar a qualidade desse plantel de profissionais. Sempre bom envolver a comissão técnica toda nesse tipo de discussão. Não se pode terceirizar essas funções com consultoria. A participação da Exos é efetivamente para estabelecer novas metodologias de treinamento, preparo, fisiologia, recuperação de jogador contundido. Não tem a ver com os profissionais pretendidos. Quando visamos trazer profissionais de fora é porque eles já têm conhecimento desse método. Já vão pegar a bicicleta e sair andando.
Negociação com a Exos:

É contrato para o ano que vem. É um escopo de prestação de trabalho. Você fecha o contrato por estágios e não necessariamente por prazos. Não tenha a menor dúvida que, para o ano de 2016, a gente tem três prioridades fundamentais. Número 1: ter um time vencedor, que efetivamente vá disputar títulos. Número 2: divisão de base, divisão de base e divisão de base. Número 3: poder oferecer para os profissionais que trabalham lá um CT digno. É fazer todo o esforço para finalizar o módulo profissional até dezembro. Não tem graça comparar com outros CTs e ver que o Flamengo está muito atrás de outros clubes.

Melhorias da Exos:

Espera poder no mínimo equiparar a performance à dos times que foram melhores neste ano. Se você pegar a média de recuperação de lesionados de outro times, no mínimo a gente tem a obrigação de equiparar ou suplantar. Por isso estamos contratando o que há de melhor no mundo.

Como vai funcionar a Exos no dia a dia?

Você não percebeu os profissionais que estavam lá nos 10 primeiros dias de diagnóstico. E a questão da forma de atuação e número de profissionais e tempo que ficarão dedicados com exclusividade ao CT estão sendo discutidas no momento. A ideia é fazer um mix com a turma que está com a da Exos. É preciso interação.

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